Lévi-Strauss é um cara que teve a sacada mais genial do mundo, na minha opinião.
Estudou culturas para lá e para cá até decretar: mito, ciência, filosofia, política, sexualidade, religião, em todo o conhecimento - a estrutura do pensamento humano é feita de pares binários que se opõem, nunca muda. Bem e mal. Preto e branco. Homem e Mulher. Sempre. Até no inferno ( ou no céu?).
E não acho que seja coincidência o fato de que as pessoas mais inteligentes que eu conheço sejam aquelas que transgridem o binarismo de alguma maneira, mesmo que sutil. Ou porque são bissexuais. Ou porque são paradoxais. E estão muito depois de esgotar o tempo regulamentar da competição.
E que os piores tipos de burrice - racismo, xenofobia, homofobia- nada mais sejam do que uma radicalização do pensamento binário.
Eu acho que erotizar o pensamento binário é a próxima missão. Tal qual o nosso corpo, que tem muito mais do que duas zonas erógenas, é preciso multiplicar o erotismo do pensamento. Este sim, anda muito careta. E isso não tem nada a ver com opção sexual, novas experimentações e loucuras. Tem a ver com afinar o instrumento para captar nuances mais sutis, mais integradoras e complexas.
Fora que eu não aguento mais repetir o script não sou boazinha, não sou mazinha, não sou só inteligente, não sou só bonita, etc. Não é possível que passaremos a vida circunscrevendo as pessoas com a limitação do nosso pensamento "ou isso ou aquilo", coisa mais arcaica e preguiçosa. Fica chato.

É difícil encontrar pessoas que não se baseiam neste binarismo, Maura. E é por isso que há tanto radicalismo no mundo...
ResponderExcluirBeijos