Nada mais comum do que (mais um) casamento relâmpago no showbiz, coisa que já nem merece mais grande ênfase, mesmo nos periódicos especializados em irrelevâncias.
Mas o caso da atriz Stephany Brito e do jogador de futebol Alexandre Pato chamou minha atenção quando noticiaram- cheios de indignação (???)- que ela havia entrado na justiça requisitando pensão para si. Acabo de saber que ela perdeu a ação e eu, em solidariedade a ela, vou dizer aqui algumas coisas que nunca são ditas: porque todo mundo acha que são óbvias, evidentes, naturais ou subentendidas por todos.
Aliás isso poderia ser a própria definição de feminilidade: aquilo que se pensa óbvio, evidente, natural e que é compreendido como algo gratuito, que não custa nada e portanto, não é digno de ser mencionado, honrado e menos ainda, pago.
Acho que não é surpresa para muita gente ( embora, na hora do "vamo ver", poucos testemunhem) nada disso é fácil, gratuito ou se dá sem trabalho, qualquer feminista pode jogar a primeira pedra se discordar, mas dou um prêmio para quem conseguir. O investimento de uma mulher no casamento é muito grande. E eu não estou falando do tempo e do trabalho empregados em um casamento, não, não. Eu estou falando daquela parte em que a gente sonha. Sonha, imagina, planeja, ordena. Sonha por nós, sonha pelos maridos e sonha pelos filhos. E de tanto sonhar, pluft, como mágica, as coisas se põe em movimento. O marido está tranquilo e disposto para trabalhar, enriquecendo e aparecendo, os filhos estão sapecas, aprontando e aprendendo. Tudo funciona misteriosamente bem.
Aí num belo dia, o tal do bicho homem, rico e aparecido que se tornou, chega a brilhante conclusão: Sou o máximo. Olha como estou rico, famoso e bam-bam-bam. Claro, os olhares do mundo são todos para ele. Não preciso mais dessa mulher aqui não, o que eu ganho com isso, afinal? Ela só gasta, não trabalha, não é ninguém. Então o brilhante homo sapiens brinda sua esposa com um sonoro pé na bunda.
E nessa hora o que o mundo, esse mundo bonzinho, tem a nos dizer é: mas ela é interesseira, não trabalhava, não tem direito a nada, blá,blá,blá.
Acho que já chega de contar a história pelo avesso. Chega de pactuar com esse acordo de cavalheiros- é que, veja bem, eu sou uma dama. Não me interessa se a moça era golpista ou não. Se ela tem condições de se sustentar ou não. O que sei é que, golpista ou não, já está na hora de botar preço e nome em certas coisas. Casamento é coisa séria, malandro, e tudo que é sério na vida tem um custo alto.
Hoje tive uma aula de História que remetia aos primórdios do Direito Romano quando já se li em tábuas: A cada lesão cabe uma indenização. Ah, não quer pagar? A gente mata. Ou mutila. Tudo bem pra mim, menos um babaca.
Só falta nomear um crime: lesão à honra da feminilidade.
Eu abri mão da minha pensão sem litígio ( bem como, anteriormente, da minha profissão), em nome de um orgulho indeterminado que não me acrescentou nada. Mas não faria isso novamente.


