quarta-feira, 8 de setembro de 2010

♥ Time after time ♥



"If you fall, I'll catch you, I'll be waiting, time after time.
If you're lost you can look and you'll find me, time after time".

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu pegava.





Ele é irlandês, baixinho, ruivo e  natureba-sujinho. Não é de hoje que ele me encanta.

Damien Rice, a música é "Delicate".

E eu pegava, demais da conta.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não quero mais ser Humpty Dumpty

Sabe quando a gente começa alguma coisa na vida e não consegue mais parar?  A gente parece que vê de fora, como se fosse filme, aquele caminhão desembestado e a gente não consegue frear.

E o pior é que a gente tenta e até acha, com ares de distância, que está fazendo diferente, mas não.  A gente  acha que muda mas onde a gente vai, onde a gente chega, repete a mesma história que parece sina, compulsão, disco furado.

Eu não sei qual foi o dia na minha vida em que me tornei a " do contra". A chata, a mal-humorada, a discidente.  Provavelmente tenha sido num dia em que eu  quis dizer algo ousado, que traduzia o  que sentia e - achava eu- me tirava da minha solidão. Só que sempre me acontece de sentir coisas excêntricas ou  pelo menos, eu aprendi na infância com meus pais e irmãos que, bem, eu não era a pessoa mais convencional do mundo- para eles- e isso era  sempre uma questão.

Foi aí que começou meu caminho de Humpty Dumpty e nem todos os cavalos e homens do rei conseguiram me consertar ou impedir. Quantas crises existenciais eu vivi  curtindo minha humpty dumptyice na adolescência! Pra ser sincera, só melhorou quando me casei. Sim, por um tempo, eu fui uma Humpty Dumpty com lar. Um lindo lar onde ser Humpty Dumpty era o normal. Era normal sentir e dizer coisas excêntricas, discordar de todos, soar pedante e ser o dono da verdade. O anormal era ser mediano, conformado, alienado e viver clichês.

Mas Humpty Dumpty foi excluído do seu próprio reino e voltou a ser Humpty Dumpty no país das maravilhas que, durante o tempo que eu estive distante, parece ter se tornado ainda mais "magavilhoso".

E agora estou de volta, mais Humpty Dumpty do que nunca.

Só tem uma coisa: não quero mais ser Humpty Dumpty. Quero uma turma de Humptyies Dumpties para formarmos nossa comunidade onde este termo pejorativo- e qualquer outro que propague a segregação- vai ser abolido no dia da fundação.

Tá difícil, eu sei, me acostumei a ser Humpty Dumpty e até parece roupa velha: já sai andando sozinha.

Mas não suporto mais tanto mal-querer.

Eu sou uma Humpty Dumpty muito meiga e boazinha.
Podem me adotar :)

domingo, 5 de setembro de 2010

Quem está sambando nas roupas pode postar o look?



Eu acho que pode.
Pode usar sapato oxford e shortinho?
Também acho que tá podendo!
Esta camiseta, quando a comprei, que foi quando a Inês tinha 4 meses, ficava "pegando" no busto e na barriga.
Eu ainda quero perder 8 kg nos próximos 2 meses e essa vai ser minha foto do "antes", combinado?

Um sorriso como o seu.

Eu entendo que muitas pessoas não tenham tido a chance de constatar que não estamos no controle.

Eu escuto e leio muito a frase " Nasci para ser mãe". E penso que isso é uma frase de quem não percebeu ainda que ser mãe é justamente saber-se ignorante, especialmente sobre o tema principal-  cuidar deste outro que nos é confiado sem manual de instruções.

Como se alguém tirasse de letra isso de ser mãe. É até ofensivo ouvir isso porque nós mães, que não  nascemos sabendo coisa nenhuma e aprendemos todos os dias, nos sentimos mal, culpadas, ignorantes de uma coisa que,  como pressuposto, devíamos saber.

De modo que não, eu não nasci pra ser mãe e nem acredito que alguém tenha nascido com esta predisposição.  Ser mãe de alguém não é alguma coisa que a gente abre a lata e tira: Uau,  agora sou mãe! Ser mãe é sobretudo uma construção, e como toda construção, se fortalece dia a dia com um tijolinho. Todo dia a Inês me chama de "mamãi" e eu fico surpresa. E muitas vezes, não acredito que mereça, sinto ímpeto de olhar pra trás e conferir se não há mais alguém que possa ser digna do cargo. Mas  percebo que à medida que vamos convivendo, e pelo amor, pelo tempo dedicado,  pelo trabalho e empenho, pelo tamanho do investimento que eu tenho na minha filha eu constato que bem, eu sou mesmo a mãe dela.

Eu não sei quantas centenas de vezes eu ouço por semana: " Nooooooossa,  é sua filha? Mas ela é tão moreninha ( coitada!)...". Isso dói no ouvido de uma mãe recém-parida e insegura. Eu escutava sempre algo como: Não, ela não é como você. Você NÃO É mãe dela. Isso me doía na minha tão pouco inerente maternagem.

Depois isso doía porque eu subentendia que a Inês se parecia com o pai dela e eu achava que, como sofri tanto com o fim do meu casamento, eu gostaria que ela não me lembrasse tanto ele. Mais um subterfúgio para tentar, desesperadamente, retomar o controle.

Hoje escuto isso de outra forma. Eu percebo, cada vez que ouço o mesmo comentário,  o quão importante é a gente descobrir  que a gente não manda nada. A Inês  não é como imaginei. Não é como eu era quando criança  por um motivo muito simples: ela é a Inês e não eu. E que bom que tive a chance de saber disso bem cedo. Enquanto ela é alvo de olhares comiserados com a "má sorte" da genética - a mãe tão branquinha, como é que pode?- eu ainda não me recuperei do encantamento da primeira vez que olhei pra ela. Ela é a Inês! Essa menina linda morava na minha barriga e foi feita da minha carne mas ela, ufa, não sou eu!

Deve ser por isso que nem entro no assunto de se minha filha tem cabelo "bom" ou "ruim", é preta ou branca ou ó, supra sumo da pena: não tem os olhos claros do vovô!! Para mim o mistério divino de receber uma alma surpresa sempre foi tão intrigante que ainda não me havi com estas preocupações mundanas. Minha Inês é linda, não porque é perfeita ou adequada. Ela é linda porque é muito amada e foi especialmente desejada por mim e pelo pai dela. Ela é linda porque sim, eu e o pai dela nos amamos muito e ambos sabíamos que o amor, como tudo mais de grande e belo, não está aqui para nos servir ou obedecer.  Eu a chamo de pacotinho do céu porque é isso que ela é: um presente insuspeitado, com gosto,  cor, cheiro e som do paraíso. Ela é mais ela, porque tem nossa permissão para ser. E à medida que eu a ajudo a ser mais ela eu me torno mais eu.  Mas definitivamente, eu não nasci com isso pronto.

E depois de todo este reme-reme sobre como ela não parece com a mãe e etc, em geral a pequena,  antes de ir embora e já mais à vontade, abre o seu sorriso mais lindo. E nesta hora- porque algumas coisas precisam de tempo para se deixarem admirar- o comentário também é unânime: mas o sorriso dela é idêntico ao seu!! Eu não vejo qual prêmio poderia ser melhor para uma jovem mamãe :)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A (não) autopercepção corporal.


Eu não sei se vocês já leram algo sobre a percepção da própria imagem corporal, mas mesmo quem não leu, tem a si mesmo de exemplo.


Quem não acha super estranho se ver em fotos? É sempre um susto, algumas vezes um bom susto, mas sempre surpreendente.

Isso é assim porque a idéia que a gente tem do nosso corpo é muito diferente do corpo como ele é. A idéia que temos da nosso corpo é toda contaminada pela informação que temos de nossas características psíquicas: sou teimosa, preguiçosa, pareço com meu pai, sou a mais alta das irmãs, etc. Isso pode variar para um esquema mais ou menos exato em cada caso, nem todo mundo tem uma idéia completamente distorcida da imagem real - mas todo mundo conhece ao menos um caso daquela menina linda, linda, linda que é toda complexada porque se acha gorda e orelhuda, não conhece?

Eu quero só passar o seguinte recado: nunca confiem na idéia que vocês tem do seu próprio corpo. Não, a gente não é tão gorda quanto a gente imagina. Nem tão magra, nem nosso cabelo é tão horroroso que chama a atenção de todo mundo. Seu joelho não é torto e se for, bem, poucos vão notar.

Nas últimas 3 semanas perdi 5 kg dos 13 que preciso perder. Os outros partirão mais lentamente, mas com 100% de certeza digo: eles não me pertencem e não ficarão comigo. Big deal, e dái? Daí, o que me escandaliza nisso tudo é o seguinte: eu não me pesava há dois anos. Me pesei, a última vez, na sala de parto. E mantinha uma fé inabalável de que estava emagrecendo e de que, caso engordasse, perceberia pelas roupas.

E não, eu não perceberia. Nós somos muito eficientes em não perceber o que nosso cérebro não quer saber. Um belo dia, há 3 semanas atrás, acordei revolucionária e me pesei. O peso que apareceu na balança foi exatamente 10 kg a mais do que o peso que eu imaginava que tinha.

Como disse minha grande amiga, a única que sabe o valor dos dois dígitos que apareceram na balança, no dia em que contei pra ela: Força. Hoje é o pior dia. Ela estava certa. Nada como uma ajudinha do real pra fugir desse imaginário onipotente e escravizante. A verdade liberta, irmãos.

Amém.

Legenda: A imagem é de uma escala que mede a percepção corporal ligada ao peso em adolescentes. O grau de distorção obtém-se subtraindo o corpo que vc tem do corpo que vc gostaria de ter.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A história que ninguém conta ou Porque estou contigo, Stephany.

Nada mais comum do que (mais um) casamento relâmpago no showbiz, coisa que já nem merece mais grande ênfase, mesmo nos periódicos especializados em irrelevâncias.

Mas o caso da atriz Stephany Brito e do jogador de futebol Alexandre Pato chamou minha atenção quando noticiaram- cheios de indignação (???)- que ela havia entrado na justiça requisitando pensão para si. Acabo de saber que ela perdeu a ação e eu, em solidariedade a ela, vou dizer aqui algumas coisas que nunca são ditas: porque todo mundo acha que são óbvias, evidentes, naturais ou subentendidas por todos.

Aliás isso poderia ser a própria definição de feminilidade: aquilo que se pensa óbvio, evidente, natural e que é compreendido como algo gratuito, que não custa nada e portanto, não é digno de ser mencionado, honrado e menos ainda, pago.

Acho que não é surpresa para muita gente ( embora, na hora do "vamo ver", poucos testemunhem) nada disso é fácil, gratuito ou se dá sem trabalho, qualquer feminista pode jogar a primeira pedra se discordar, mas dou um prêmio para quem conseguir. O investimento de uma mulher no casamento é muito grande. E eu não estou falando do tempo e do trabalho empregados em um casamento, não, não. Eu estou falando daquela parte em que a gente sonha. Sonha, imagina, planeja, ordena. Sonha por nós, sonha pelos maridos e sonha pelos filhos. E de tanto sonhar, pluft, como mágica, as coisas se põe em movimento. O marido está tranquilo e disposto para trabalhar,  enriquecendo e aparecendo, os filhos estão sapecas, aprontando e aprendendo. Tudo funciona misteriosamente bem.

Aí num belo dia, o tal do bicho homem, rico e aparecido que se tornou, chega a brilhante conclusão: Sou o máximo. Olha como estou rico, famoso e bam-bam-bam. Claro, os olhares do mundo são todos para ele. Não preciso mais dessa mulher aqui não, o que eu ganho com isso, afinal? Ela só gasta, não trabalha, não é ninguém. Então o brilhante homo sapiens brinda sua esposa com um sonoro pé na bunda.

E nessa hora o que o mundo, esse mundo bonzinho, tem a nos dizer é: mas ela é interesseira, não trabalhava, não tem direito a nada, blá,blá,blá.

Acho que já chega de contar a história pelo avesso. Chega de pactuar com esse acordo de cavalheiros- é que, veja bem, eu sou uma dama. Não me interessa se a moça era golpista ou não. Se ela tem condições de se sustentar ou não. O que sei é que, golpista ou não, já está na hora de botar preço e nome em certas coisas. Casamento é coisa séria, malandro, e tudo que é sério na vida tem um custo alto.

Hoje tive uma aula de História que remetia aos primórdios do Direito Romano quando já se li em tábuas: A cada lesão cabe uma indenização. Ah, não quer pagar? A gente mata. Ou mutila. Tudo bem pra mim, menos um babaca.

Só falta nomear um crime: lesão à honra da feminilidade.

Eu abri mão da minha pensão sem litígio ( bem como, anteriormente, da minha profissão), em nome de um orgulho indeterminado que não me acrescentou nada.  Mas não faria isso novamente.