terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O melhor o tempo esconde.

Eu me apaixonei duas vezes na vida.

Claro que já vivi muitos milagres de amor, muitos encantamentos estrondosos e atômicos das mais diversas espécies. Mas paixão, dessas flechas de cupido que rasgam a gente de cima abaixo e colocam a mente, o coração e o tesão num só eixo, só me aconteceu duas vezes.

A primeira delas eu tinha 19 anos. O cara- que é meu leitor assíduo e deve estar se ajeitando na cadeira e prendendo a respiração neste momento- era namorado da minha prima. Foi um escândalo na família. Um verdadeiro circo de horrores. Mas fazer o quê? Paixão é assim, tipo um jato de luz que estoura na nossa cara- não se vê mais nada. Esse sujeito me deu um trabalho do cão. Isso significa que ele fugia, nunca assumia, desaparecia, traía, cobrava, infernizava de ciúmes, espezinhava, ligava de madrugada, prometia e não cumpria, humilhava, e que no final eu nunca conseguia dizer não pra ele e tudo terminava em sexo louco e juras de amor eterno nos lugares mais improváveis do mundo.

A segunda vez foi mais recente do que eu gostaria de admitir. Tão recente, que ainda não virou passado pra ser narrado e colorido da forma que a gente faz pra significar o vivido de maneira aprazível. De modo que não quero muito dizer sobre ela, ainda.

O assunto aqui é a terceira vez, a futura. E muito embora, à medida que eu envelheça, eu tenha cada vez menos exigências sobre como-oque-quando devam ser ou deixar de ser as pessoas com quem trombo significativamente pelo meu caminho, eu tenho uma exigência cabal. Na verdade, desdobrável em duas:

1. Que eu me apaixone e que ele se apaixone louca e reciprocamente;
2. Que não importa  que a criatura do senhor por quem eu me apaixonar seja um sujeito  rico, pobre, bonito, horroroso, alto, fodido, estrangeiro, fodão, burro, famoso, torneiro mecânico - contanto que ele não fuja da raia e nem peça pra sair antes de acabar a partida.

É que eu queria saber até onde vai isso de se apaixonar, quando a gente aceita.

Um comentário:

  1. Maura, paixão é foda mesmo. Eu em apaixonei loucamente diversas vezes, mas a última resultou no meu casamento! :)

    Sorte com a próxima, e que seus desejos sejam atendidos!

    Beijos

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