A gente se encontrou pelas redes sociais na maior obra do que alguns chamariam de destino e outros, chamariam de azar ( mais propriamente hasard, a palavra originária que significa acaso). Um clique me levou ao blog dele. Outro, e ele achou o meu. E como o nome rede já diz, tínhamos "amigos" em comum. Aí puxei papo de chat. Não que isso seja alguma coisa raríssima pra mim. Eu puxo papo virtual com todo mundo, forço a amizade e quase sempre o resultado é gratificante. Eu puxei, mas o interessante é que o papo desenrolou fácil. No primeiro minuto. Aconchegante, divertido, gostoso, sexualizado. E não que eu seja má, mas já avisei que sou macaca velha em chats despretensiosos que acabam sendo incríveis. Eu achei ótimo mas não fico assim tão impressionada.
Eu não me lembro bem quanto tempo exatamente durou essa parte virtual, mas sei que foi muito pouco. Os papos eram incríveis, intensos, não tinha desperdício de linha. E o cara queria me ver, desde sempre. E eu, que nunca recuso qualquer possibilidade remota de tornar a vida um pouco menos tacanha, comprei a idéia. Quando concordei, pensei: ok, eu vou pra São Paulo, como bem, faço compras e tomo um café com o cara. Mas não sabia como ou qd isso seria possível. Daí me veio um Exu qualquer e eu pensei, bom, mas se o cara quer mesmo me ver, porque ele não vem a Brasília? E quando o convidei, foi meio imaginando que NINGUÉM viria a Brasília tão facilmente quanto iria a São Paulo. Mas ele topou imediatamente e e ainda disse "eba". Aí nessa hora, o cara ganhou minha atenção. E ele ainda replica assim: pode ser depois de amanhã? E você pensa que tem que fazer depilação, unha, cabelo, emagrecer 3kg e todas essas coisas, mas eu, que sou uma pessoa esquisita que nunca nega fogo, mandei um "Claro".
No dia que ele ia chegar aconteceu uma confusão enorme. Ele perdeu o vôo e teve que fazer uma escala super trabalhosa para chegar aqui. E só então- enqt a gente conversava virtualmente nas horas de espera no aeroporto- eu descobri que havia outra confusão: a tal amiga em comum, não era só exatamente uma amiga e estava surtada- com toda razão- em outra janela virtual. Eu acho que deveria ter dito " deixa ela pra lá, dá um fora nessa doida", mas não sou mais tão histérica. O que pensei foi: 1) Ok, eu nunca vi essa minha "amiga" do facebook, mas ela é a melhor amiga de uma grande amiga minha; 2) Minha grande amiga está entre as 10 pessoas boas deste mundo, por que a amiga dela não estaria tb?; 3) Se ele de fato não quer nada com ela- o que já é estranho, afinal é uma das 10 pessoas boas do mundo segundo a minha teoria-, por que judia da moça deixando ela correr atrás? Sempre desconfio desses cafajestes acidentais que nunca dizem não. Se o cara faz isso com ela, não fará diferente comigo. Ponto final.
Uma hora ele chegou. E eu, em jejum nervoso e tremendo dos pés a cabeça no saguão do aeroporto- pq é MUITO difícil encontrar pessoalmente um paquera virtual que já vem com tantas expectativas- , não me impressionei. Não rolou mágica que correspondesse às conversas, e que aliás, deixa eu avisar logo, nunca rolaria porque o virtual e o real só se triscam. Não rolou no aeroporto, não rolou no restaurante, não rolava, eu só queria saber onde eu encontrava o cara da internet. E não tem nada a ver com beleza ( até porque, eu achei ele bem lindo sim). Achei que ele era frágil. E caótico além do que eu suporto ( e eu vou longe). E não que isso seja um defeito, muito pelo contrário, mas pra onde quer que eu olhasse, eu só via feridas num cara que nunca deixaria ninguém chegar perto o suficiente pra curá-las. A dor e o caos são as verdadeiras resistências dessa vida. É uma espécie de controle máximo, pq se tudo doer e não houver ordem ( e progresso!) nenhuma, pimba- nunca pode piorar. Eu tenho uma sensibilidade enorme para detectar essas coisas, que já era minha, mas que foi lapidada em anos de prática clínica. Mas meu veredicto foi: Amor não é nada, a gente sempre pode dar um pouquinho. E de qualquer forma uns amassos nunca tiraram pedaço de ninguém, né?
Pois é, deixa eu avisar também: amasso super tira pedaço da gente. Teve alguma coisa que explodiu na nossa pele e vou explicar direitinho pra ninguém ficar achando que é "química". Não é. É qd alguém toca a gente exatamente naquilo que não está na pele, nem no papo, nem na racionalidade. Está muitas camadas mais profundo. Ele beija como eu: como se empenhasse a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem acredita. E nessa hora, exatamente, eu compreendi que aquilo ia doer. Ele não é dos que se rendem e um dia começam a ter algo a perder. E eu, todo mundo aqui já conhece, né? Eu sou a mãe de família canceriana mais convicta do universo.
Daí que foram dias ótimos. Um campo de energia incrível se formava quando estávamos juntos. Um calor, uma luz. Eu nunca acreditei ( ou desacreditei) nessas coisas mas eu praticamente podia cortar com a faca aquela luz que a gente criava juntos. Eu sentia o amor me preenchendo por dentro feito hidratação em pele velha. Era uma coisa de expandir a alma. Assim, sem nenhuma razão cabível. De graça, só porque a gente tinha muito amor pra dar e aceitava receber. Só porque era bom como estar em algum céu.
A história continua, mas não digam que não avisei que não há final feliz. E não muito infeliz, por certo.

Maura, já estou esperando os próximos capítulos...
ResponderExcluirBeijos
Eu também! : )
ResponderExcluirEu também, rsrsrsrs.
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