Eu já vi muitas pessoas falando do quanto sofreriam se fossem privadas dos movimentos das pernas ou se fossem privadas da visão, por exemplo. Eu não sei o que sentiria numa dessas situações mas sei que sofreria muito se não pudesse escrever, se houvesse alguma condição que me impossibilitasse de fazer isso.
Na verdade, quando alguém elogia minha escrita eu costumo devolver: não é mérito nenhum, se eu não escrever eu morro. Escrever é literalmente meu ofício: aquilo que me sustenta mesmo que, infelizmente, nem sempre de maneira financeira.
Então, se estou aqui escrevendo vocês já sabem que estou viva. Não sei bem como vai ser isso, mas estou.
Fui tomada por um esgotamento tamanho depois da oficialização da separação que só percebo que é passageiro porque sim, tenho vontade de vir aqui escrever, sinal de que estou viva e não morta, como pareço.
Minha mãe diz que em poucos meses ela me viu perder a doçura no olhar, coisa que não viu em mais de 30 anos, e talvez isso seja o mais aproximado que eu consiga chegar de expressar o que se passou conosco nos últimos 11 meses. O paradoxal da escrita é justamente este: somos papagaios repetindo coisas imperfeitas que não se prestam muito bem a sua função porque não há palavras que expressem com exatidão a tristeza, o desapontamento, a dor, o cansaço. Para isso, existe o silêncio
E hoje quando minha mãe me disse isso pensei: há quanto tempo não tomo sol? Não saio com amigos? Não danço? Não leio revistas inúteis? Não gasto com coisas inúteis? Há quanto tempo sou comedida, centrada, mãe em tempo quase integral? há quanto tempo vivo sozinha, sem dar risada, sem olhar vitrines, sem ficar de bobeira investigando as prateleiras de uma farmácia? Vivo acuada, penalizada, contida.
Há algum tempo, garanto. Mas também pensei, de ontem pra hoje, que isto está perto de ser diferente.
O cansaço hoje toma conta do meu corpo todo, do cabelo a unha do pé, que adoece em solidariedade. Mas acho que ele já conquistou todos os territórios de mim mesma, não há mais sobre o que chorar, não há mais por onde ele possa se esparramar ou doer. Agora, é calar, agora é vibrar. Novos ventos soprarão nesta terra seca.
Eu sempre, sempre em todos os momentos decisivos da minha vida ouço a voz esganiçada de Guimarães Rosa como ele diz lá em Grande Sertão: o que a vida quer da gente é coragem. Coragem de que, vcs querem saber minha opinião?
Coragem de querer viver mais, coragem de continuar querendo o que a gente quer de verdade. É como se ela dissesse assim: e agora, hein, hein, você vai querer mesmo aquilo que vc queria? Porque a cada recomeço a gente só pode querer maior daquilo que a gente queria quando começou. Maior, mais forte, mais inteiro e mais entregue.
A vida não é coisa pra bunda mole, como diria Baby Consuelo do Brasil.
Eu aproveito para homenagear aqui algumas amigas que foram muito acolhedoras, corajosas e parceiras. Que me deram amor, aceitação, solidariedade e gentileza, em pequenas ou grandes palavras. Obrigada Márcia e Tati. Como bem disse minha sábia amiga um dia e eu vou plagiar: " vocês são das poucas pessoas que, se Deus me perguntar um dia, fizeram minha passagem no mundo valer a pena". Erika, Marcela, Luciana e Dani, as amigas itamaratecas e surpreendentes, que provam que nas horas difíceis a ajuda vem de onde a gente menos espera. Carolina e Carolina, por tantas coincidêncas compartilhadas. E a querida Joo que a vida me trouxe quando eu achava que não existia mais coração (" a gente se ilude dizendo já não há mais coração...")e que me honra sempre compartilhando sua riqueza de experiências.
Quero também agradecer as meninas que sempre comentam aqui, me trazem um comentário, uma palavra de conforto, um gracejo e uma mãozinha pra tornar a vida mais doce: Gabi, Dri, Muriel, Drica, Dáfni. Obrigada!

Puxa, Maura, não tem que agradecer. Adoro vir aqui, adoro ler seus posts, que são muito bem escritos e tem um quê de brilhantismo (no sentido de escrever bem...).
ResponderExcluirÉ uma pena esta fase, e só quem passou por isso sabe como é. Eu não passei, e espero não passar. Mas já passei por outros tipos de sofrimento, que pareceram insuportáveis na época, mas que me moldaram e me fizeram valorizar os bons momentos que tenho. O negócio é não se entregar muito, e acreditar que tudo vai passar. Nada como o tempo, né?
Beijão! Vc é muito corajosa... e muito forte!
Vc fez faltar palavras a uma tagarela! <3 <3 <3
ResponderExcluirEu é quem agradeço e fico feliz por encontrar aqui nas palavras, nas fotos… um sopro de vida. De quem se expressa querendo um tantao de coisa que eu não sei… mas principalmente viver melhor.
ResponderExcluirCreio que tudo que aconteceu, mudando suas vidas (sua e de sua filha) de forma abrupta também é a oportunidade para saborear uma vida mais valiosa, feliz, alegre e amorosa como você merece.
Receba meu carinho e um abraço bem grande!!!
E que Deus te abençoe muito!!
Beijos
Maura nem sei o que pensar da vida... tenho muita dificuldade em compreender algumas mudanças radicais. Espro que para todos nós haja em algum lugar uma explicação muito boa para os grandes mistérios da vida.
ResponderExcluirBeijos da sua nova amiga.
Andrea
Que a sua doçura retorne o mais breve possível :}
ResponderExcluirBom final de semana! :o*
Olha eu aqui!!! Uhuuu.... brigadão!!!
ResponderExcluirBeijinhos....
Maura, minha amiga! Que bom que passou... As rupturas são sempre difíceis, mas elas também marcam uma nova fase. E se este NOVO TEMPO vai ser bom ou ruim, só depende de vc! Fico feliz em ver que vc quer dar a volta por cima nesta nova fase!!! Isso mesmo, menina!!! BOLA PARA FRENTE! Vc vai SER MUITO MAIS FELIZ DO QUE ANTES! A felicidade está aí, batendo na sua porta, deixa ela entrar!!!!
ResponderExcluirbjo, grande!
Carol
Maura,
ResponderExcluirAdorei o texto. Obrigada pelas palavras. Mesmo com essa vida doida aqui de Genebra, sempre leio seu blog religiosamente duas vezes ao dia: quando acordo e antes de ir dormir. Gosto de ter esse tempo e é sempre bom ver suas palavras ganhando vida.
Beijo, beijo!
Luciana