segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os Saltimbancos



Acho que todas as mães que me lêem sabem  o que acontece com aquela célebre expressão: " Meu filho jamais fará isso" depois que nos tornamos mães de fato.
Ah se eu soubesse como morderia a língua ! Se eu imaginasse a quantidade de coisas que me "passariam por cima do meu cadáver"... Da mamadeira ao açúcar, do adormecer no colo até os filmes de princesa. Por que ainda abro essa minha boca enorme?
Mas em ao menos uma coisa tenho conseguido me manter fiel aos meus ideais- nem sei se isso é grande coisa levando-se em consideração que a Inês tem apenas 1 aninho: Minha filha não escuta música ruim. E eu ainda posso fazer um ar blasé quando alguém comenta comigo sobre os DVDs da Xuxa. Oxalá isso se conserve mas não ponho mais minha mão no fogo.
Hoje o que a gente mais escuta no carro é o musical cuja versão brasileira é do  Chico Buarque Os Saltimbancos. Eu adoro, todas as versões. Mas quase chego ao cúmulo de dizer que Os Saltimbancos Trapalhões é o meu filme preferido de todos os tempos. Foi o primeiro filme que vi no cinema. E claro que nas minhas memórias ele ficou ornado com este encantamento de estar naquela sala escura em frente àquela tela magnífica pela primeira vez. Mas além disso, é um lindo filme infantil.
Depois eu cresci e virei uma mocinha esperta, aprendi sobre as influências revolucionárias e socialistas na história do encontro entre um burro, um cachorro, uma gata e uma galinha. Inspirado no conto dos Irmãos Grimm Os músicos de Bremen, este não é apenas mais um musical que ensina a fazer cocô no lugar certo. Não, não. Este é realmente algo de mais interessante e fico feliz de bradar que são as músicas favoritas da Inês ( até porque minha gente, quem foi que inventou que a Barbie em português ia ser uma cantora evangélica?).
Eu sei, eu sei. Minha boca grande. Mas aqui, quem sabe, alguém faça melhor uso dela.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A música da discórdia



Aplacando maus sentimentos que porventura estejam no ar, vocês conhecem a letra da música que eu usei como título no post anterior?
Ela é do Paralamas do Sucesso, que cantou assim:

















"Assaltaram a gramática, assassinaram a lógica
Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia
Sequestraram a fonética
Violentaram a métrica
Meteram poesia onde devia e não devia
Lá vem o poeta com sua coroa de louro
Agrião, pimentão, boldo
O poeta é a pimenta do planeta"


Eu morro de rir ao imaginar o poeta "avacalhando" a coroa de louro dos filósofos com agrião e boldo. Nada como uma pitada de humor nas coisas da vida.
Nada é tão literal nem tão sisudo, gente. Todo erro, de gramática, métrica, coerência ou julgamento, é justificável em nome da pimenta poética. 

sábado, 23 de janeiro de 2010

" Assaltaram a gramática, assassinaram a lógica..."

Uma coisa que você não encontrará aqui com frequência é o mau uso da língua portuguesa que se vê por esta blogolândia afora. Eu tenho um hábito que já considerei muito útil mas hoje em dia tenho lá minhas dúvidas quanto a sua inofensividade: eu leio tudo que está ao meu alcance. Placas de trânsito, bulas de remédio, rótulos, tablóides esquecidos no banco do metrô, bilhetes de amor que ficaram perdidos dentro de livros antigos, recados, panfletos, etc. Isso me provê de uma boa cultura popular de maneira geral, mas desde o advento da auto-titulaçao virtual na classe dos escritores tenho um pouco de receio do que me bombardeia. Como assassinam nossa língua (p)mátria! Assim, sem respeito, sem amor, como se o importante fosse o que se tem para dizer  e não a forma em que será dito.

Mas a confissão que tenho a fazer talvez seja ainda mais grave:considero a gramática o menor dos problemas em um texto ruim. Supondo que o descaso com a forma seja justificado pela importância do conteúdo, eu consideraria um deslize perdoável. Sim, eu acataria com prazer esta hipótese, até porque  não sou a xiita da sintaxe, a pobreza de estilo me incomoda mais do que a ignorância das regras gramaticais.  Mas nunca é o caso. Mesmo com tamanho ascinte ao verbo, o que mais me chama atenção é a displicência com a lógica.

Ai, a tão cara lógica argumentativa... Sócrates ( não sabe quem é?  corre lá no Wikipédia ) deve se revirar mil vezes por dia no seu túmulo com os textos - e seus esfarrapados argumentos e suas absurdas conclusões - que são publicados por aí. E quem está dizendo isso sou eu, a leitora de bula de remédio, que se dispõe a ler as maiores irrelevâncias já escritas. Não escrever algo relevante é totalmente compreenssível porque, ao bem da verdade, pouca coisa escrita é verdadeiramente relevante. Agora, não escrever algo racional, isso sim é de doer.

"Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Portanto, Sócrates é mortal."
Parece uma conclusão lógica muito simples e fundamental, e de fato é mesmo, a mais elementar de todas. Mas a quantidade de gente que simplesmente a ignora ou se embanana com ela não é pequena, não. A criatura escreve: "Todas as coisas que gosto são assim e apenas assim. Isso é assado. Portanto, assado é o novo assim." Ou então: "Eu gosto disso. Fulano gosta daquilo. Logo, eu não gosto de fulano". Ou ainda: "Considero isto ruim. Porém sou adepta disto. Assim, o isto que  faço é diferente e bom". São umas pérolas da lógica que vou te contar, agridem até a trigésima geração passada e futura da espécie humana.

Argumentar é algo aparentemente instintivo, até mesmo porque sempre encontramos uma  boa razão para o que queremos defender. Agora, encontrar argumentos que sejam racionais, fundamentados e que respeitem  algum princípio básico da lógica: indução, inferência ou simples dedução, não tem me parecido tão fácil assim. Na verdade, tem me parecido algo cada vez mais relegado ao esquecimento, como se a facilidade para escrever e publicar o que se pensa nos eximisse de trabalhar a qualidade de argumentação. Ok, eu posso justificar minhas idéias para mim mesma da maneira mais precária do mundo. Mas e para os outros?

Como diria meu pai, todo mundo pode escrever o que quiser e bem entender afinal de contas " o papel aceita tudo". Poder, pode. Cada vez mais. Mesmo pobre, raso, incoerente e repleto de clichês. E até vai ser lido, elogiado, reafirmado já que boicotar a lógica é um dos fatores que mais aglutina gente ( mais ou menos como se juntar com a turma para colocar uma agulha na cadeira do professor, coisa que dificilmente teríamos coragem de realizar sozinhos). Mas é desrespeitoso com quem está aberto a escutar.  Auto lá, rapaziada ! Tem gente aqui genuinamente na escuta. A maria aqui não vai com as outras, não. Ao menos não sem uma boa estratégia de convencimento.





sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

21 de janeiro de 2010


Oi. Meu nome é Maura. Sou uma garota de Brasília: estudei na Unb e gosto de rock.  Tá, usei drogas eventualmente também. Tenho uma filha linda que se chama Inês.   No ano passado levei um pé na bunda internacional e voltei para a casa dos meus pais desempregada, deprimida e com uma bebêzinha. Não conto isso aqui porque sou uma vítima inocente e tenho mágoa do lobo mau. Acho que todo mundo tem todos os motivos do mundo para ser infeliz. Acho que todo mundo tem todos os motivos do mundo para ser feliz. É a gente que escolhe o predicado. Conto para conquistar meus leitores. É, caro leitor, porque lá do lugar de onde eu venho uma história dessas é motivo suficiente para eu ganhar suas solidariedade e simpatia, nem que seja apenas por mais algumas linhas ( ou posts).

E se você chegou aqui procurando um blog brechó e achou este texto, tenha paciência. Porque eu sou uma pessoa das palavras e mesmo que tentasse retê-las, elas espirrariam por aqui, como acabam chegando onde quer que eu vá, frequentemente até antes de mim. Palavras apenas, palavras pequenas. Minhas roupas e minhas palavras, é o que se encontra aqui. Talvez um pouco mais, vai saber? Mas não o essencial, este, aqui, só se insinua.

Hoje, depois de exatos 2 anos, dois meses e 21 dias voltei a estudar. Eu gosto muito de estudar, qualquer coisa. Liberta a mente da nossa pequeneza e do nosso eterno encimesmamento. E estou bem feliz.
Todo mundo tem a chance de se reapresentar de vez em quando, não é? Se reinventar e se reapresentar, se não a vida seria muito cruel, e se queimássemos nossa única chance?

Pois então, muito prazer, eu sou a Maura. Psicóloga, psicanalista auto-denominada, adoro roupas, maquiagem, história da moda,  tatuagens, piercings, cores, cremes e tudo que tange a feminilidade. Sou tímida e discreta, básica na maneira de me vestir mas básico não significa convencional. Estudante, escritora, online wanderer, shopping freak, separada, mãe da menina mais fofa do mundo.  Comecei 3 mestrados e não terminei nenhum.  Sou excelente cozinheira mas há tempos só faço papinhas. Emagreci 10 kg nos últimos 6 meses e quase 30 kg no último ano. Adoro cachorros, não consigo dormir. Sou  canceriana e má motorista. Inglês e Francês mas gosto mesmo é de Português.  Acredito que as pessoas mudem. Acredito que mudar é o que viemos fazer aqui mas é preciso manter uma coerência interna com nossos princípios fundamentais. Sou a única pessoa do meu bairro que compra Fanta Uva light. Adoro cerveja e sou uma grande companheira para colecionar rolhas de vinhos. Tenho poucas amigas mas entro em qualquer briga por elas, estejam elas certas ou não.  Sou devota da minha família. Já morei em alguns países. Levo a sério e vou a fundo em tudo que faço, até consigo fazer com que um brechó seja filosófico. A última lição que aprendi é que não precisamos ter vergonha de nossas pequenas futilidades,  a profundidade está nos nossos olhos e não nas coisas do mundo. E afinal, não fosse a filosofia, que graça teria criar, comprar e usar roupas?

sábado, 16 de janeiro de 2010

The Loosers club

Existe uma certa ordem das coisas no mundo que é bizarra e estúpida mas de tão sutil a gente só chega a perceber um pouco tarde na vida - dependendo do caso, não se descobre nunca.

Vamos imaginar, ilustrativamente, que o mundo se divida em duas categorias bem simplistas: os loosers e os fodões. Todo mundo sabe quem é quem, né? Não? Eu explico. Os fodões são aquelas pessoas cobiçadas, cheias de compromissos importantes e ordens para dar e o celular, aquele infernal objeto, que nunca pára de tocar.  Na escola, elas estão sempre aparecendo: o mais engraçado, a mais bonita, o mais galinha... Elas se submetem a estes concursos implícitos.  Elas tem muitas coisas para mostrar. Vantagens para contar sobre os lugares, os carros e as comidas.  E tem muitas fotos para tirar de todas essas coisas. Eles são o máximo. Todo mundo vive na cola deles, de um jeito ou de outro. Ou porque somos obrigados - por conta de um vínculo empregatício, por exemplo - ou porque somos idiotas mesmo.

Claro que eles não acham isso deles mesmos. Eles precisam que os outros achem porque só eles mesmos sabem a farsa que de fato são. Mas não tem problema. Enquanto o status quo for mantido e as aparências reinarem eles estarão salvos por seus fã clubes.

E existem os loosers. Os loosers são aquelas pessoas que estão muito entretidas em viver e não se dignam a ficar mostrando, comparando ou reinando porque viver é algo que já consome demais. Os loosers estão muito, muito além de esgotar o tempo regulamentar. Os loosers fazem o que querem e tem a liberdade dos excluídos. Saem despenteados de casa, usam a roupa inadequada, comem e  engordam, falam sozinhos, namoram gente feia, lêem, pensam e se interessam por coisas excêntricas  e que não dão dinheiro tais como árvores, arte, mecatrônica, pessoas ou filosofia. Essas coisas chinfrim e inúteis, sabe? Os loosers são o máximo. Mas há um porém. Eles não acham isso deles mesmos. Eles se sentem mal. Eles invejam os fodões que  sobressaem e aparentam sempre tanta fartura e sucesso. Mesmo achando meio chato, eles babam o ovo dos fodões porque  é assim a ordem das coisas neste planeta e enfim, essa é a maneira de conseguir algum lugar ao sol neste mundo cão.

Mas esperem. Como vai ser o dia em que os loosers descobrirem que são eles que movem o mundo? Como seria não ser sacaneado por um idiota que assina seus textos e não ter que escutar calado o babaca do seu chefe? Como seria nunca cair na cilada de desejar- ser ou ter- a loirona peituda da classe porque a gente sabe que ela não come e é chata ( a gente sabe mas a gente finge que não sabe, né?)? E se a gente não tivesse que seguir todas as ondas ridículas de tendência de comportamento determinadas por uma meia dúzia de pessoas imbecis? E se a gente não escutasse as vantagens que eles pensam que a gente acredita que são de fato vantagens com cara de paisagem? E se não condescendêscemos? Hein, hein?

THE LOOSERS CLUB NOW!!! YEAHHHHH!!!

PS: Não me importo se vc achou que eu estou triste e ressentida, coitada. Que sou gorda e descabelada e mal amada.  Eu posso. Ando até pensando em fazer um slogan e colocar numa camiseta: " I'm a looser, stop staring". Em inglês assim, para parecer uma looser super descolada e muito superior.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Eu sou dessas almas inconfundíveis que vagam pesarosas por aí. Para mim, uma dose de uísque logo cedo ao levantar sempre me pareceu uma boa idéia, embora meus pudores burgueses tenham  me impedido de adotá-la. Vivo no limite com este calor indeterminado no peito que alguns chamam de angústia e outros estão ocupados demais tentando disfarcá-la para chamar de alguma coisa.

Essa sou eu, uma junkie hipersensível, a dona da angústia, em um momento especialmente difícil da vida.

Mas eis que surge a idéia de fazer um brechó com esse tanto  de passado  que não passa, grudou em mim e fica me olhando do fundo do guarda-roupa. E qual não foi minha surpresa ao constatar que sim, as pessoas gostam das minhas coisas, o brechó está indo bem apesar do pouquíssimo tempo de vida.

E eu queria dizer que não são só "as minhas coisas". Isto não é só um brechó para mim. A cada vez que recebo uma mensagem de alguém se interessando por alguma das peças, eu, que tenho apenas uma pedra no meu peito e chego a mudar de calçada quando aparece uma flor, sinto meu coração inundar de simpatia ( simpatia é quase amor, não é?).  Porque este alguém gostou de algo que diz de mim, do meu gosto, do meu jeito, da minha história. Chegou aqui, achou interessante, aceitou as fotos ruins, gostou do texto até o ponto de me abordar. Quando tudo caminha bem e eu fecho o negócio, nossa, fico empolgada só de imaginar que a roupa que um dia foi minha e estava triste e sem perspectiva no porão de um navio, no fundo de um armário, vai ter uma vida nova e feliz. Um pouquinho de mim vai ser feliz por aí :)

Então, amadas, para mim isto aqui não é só um negócio. É um sopro de vida nova e entusiasmo no meu judiado coração.

Muito obrigada por cada visita,  comentário, contato que terminam em compra ou não. Valem muito para mim.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Wet Seal gonne international



Meninas, mais uma novidade bacana no mundinho das compras online: A Wetseal, rede americana de roupas do tipo desenvolvimento insustentável e viva"everything made in china", que é especializada em moda jovem e  popular, aderiu à globalização. Estão entregando, desde ontem, inclusive no Brasil. O legal é que eles colocam as cotações já em real e todo o estoque está disponível para compras internacionais. O frete é via FEDEX e todas as taxas de importação já são incluídas no site, ou seja, vai chegar tudo rapidinho  e sem dor de cabeça na porta da sua casa. O que não é tão legal é o preço do frete: em média 100 reais para compras de até 1kg. Mas dependendo da barganha ( época de liquidação é uma beleza!) dá até para pensar em dividir o frete com uma amiga.  Deus que me perdoe o antiecologicismo, mas tem umas coisinhas legais ( a vaidade é de fato um pecado).