sábado, 16 de janeiro de 2010

The Loosers club

Existe uma certa ordem das coisas no mundo que é bizarra e estúpida mas de tão sutil a gente só chega a perceber um pouco tarde na vida - dependendo do caso, não se descobre nunca.

Vamos imaginar, ilustrativamente, que o mundo se divida em duas categorias bem simplistas: os loosers e os fodões. Todo mundo sabe quem é quem, né? Não? Eu explico. Os fodões são aquelas pessoas cobiçadas, cheias de compromissos importantes e ordens para dar e o celular, aquele infernal objeto, que nunca pára de tocar.  Na escola, elas estão sempre aparecendo: o mais engraçado, a mais bonita, o mais galinha... Elas se submetem a estes concursos implícitos.  Elas tem muitas coisas para mostrar. Vantagens para contar sobre os lugares, os carros e as comidas.  E tem muitas fotos para tirar de todas essas coisas. Eles são o máximo. Todo mundo vive na cola deles, de um jeito ou de outro. Ou porque somos obrigados - por conta de um vínculo empregatício, por exemplo - ou porque somos idiotas mesmo.

Claro que eles não acham isso deles mesmos. Eles precisam que os outros achem porque só eles mesmos sabem a farsa que de fato são. Mas não tem problema. Enquanto o status quo for mantido e as aparências reinarem eles estarão salvos por seus fã clubes.

E existem os loosers. Os loosers são aquelas pessoas que estão muito entretidas em viver e não se dignam a ficar mostrando, comparando ou reinando porque viver é algo que já consome demais. Os loosers estão muito, muito além de esgotar o tempo regulamentar. Os loosers fazem o que querem e tem a liberdade dos excluídos. Saem despenteados de casa, usam a roupa inadequada, comem e  engordam, falam sozinhos, namoram gente feia, lêem, pensam e se interessam por coisas excêntricas  e que não dão dinheiro tais como árvores, arte, mecatrônica, pessoas ou filosofia. Essas coisas chinfrim e inúteis, sabe? Os loosers são o máximo. Mas há um porém. Eles não acham isso deles mesmos. Eles se sentem mal. Eles invejam os fodões que  sobressaem e aparentam sempre tanta fartura e sucesso. Mesmo achando meio chato, eles babam o ovo dos fodões porque  é assim a ordem das coisas neste planeta e enfim, essa é a maneira de conseguir algum lugar ao sol neste mundo cão.

Mas esperem. Como vai ser o dia em que os loosers descobrirem que são eles que movem o mundo? Como seria não ser sacaneado por um idiota que assina seus textos e não ter que escutar calado o babaca do seu chefe? Como seria nunca cair na cilada de desejar- ser ou ter- a loirona peituda da classe porque a gente sabe que ela não come e é chata ( a gente sabe mas a gente finge que não sabe, né?)? E se a gente não tivesse que seguir todas as ondas ridículas de tendência de comportamento determinadas por uma meia dúzia de pessoas imbecis? E se a gente não escutasse as vantagens que eles pensam que a gente acredita que são de fato vantagens com cara de paisagem? E se não condescendêscemos? Hein, hein?

THE LOOSERS CLUB NOW!!! YEAHHHHH!!!

PS: Não me importo se vc achou que eu estou triste e ressentida, coitada. Que sou gorda e descabelada e mal amada.  Eu posso. Ando até pensando em fazer um slogan e colocar numa camiseta: " I'm a looser, stop staring". Em inglês assim, para parecer uma looser super descolada e muito superior.

3 comentários:

  1. Amiga, eu sou do club e você sabe disso!!!!
    Li uma dia desses uma coisa bem simples e que era mais ou menos assim - nunca compare a vida externa de alguém com a sua vida interna. As vidas são editadas. Eu gosto mesmo é de vida real com toda a sua dureza e angústia. Quem não tem?
    beijos,

    ResponderExcluir
  2. E não é exatamente isso, Cris? O admirável é sempre o outro!
    Obrigada pelo "inteligente e sensível", é como dizia o Vinícius, os iguais se reconhecem. obrigada pela visita e pela prosa.
    bjs

    ResponderExcluir
  3. Posso linkar no meu blog? Muito bom este texto.

    ResponderExcluir