...e se deixa entrever. Porque, como já dizia Heidegger, a presença velada se desvela no enquanto. E como esclareceu Sartre: não pensar já é uma escolha do pensamento.
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sábado, 13 de março de 2010
Dolo
O meu ecxiss marido costumava dizer uma coisa que de tão verdadeira, mas tão, tão plenamente cheia de razão nem ele pôde escutar. Ele dizia assim: " A culpa é das mulheres".
Isso acabou virando uma piada interna já que começou a ser usado em todas as situações, para todos os males do mundo, tamanha a veemência com que ele dizia o tal dito.
E agora vocês podem preparar as pedras feministas, quatro em cada mão, porque eu vou reafirmar: A culpa é nossa sim. A culpa do mundo ser machista é nossa. A culpa dos homens serem infantis, egoístas e fracos, é nossa. Sim, fomos nós. Nós mães que os criamos mimados assim. Nós irmãs que achamos natural ter criação diferente. Nós amigas que acobertamos. Nós sogras que mesmo sabendo que a mulher tem (quase)sempre razão, não tomamos o partido das noras. Nós namoradas que nos conformamos com cada coisa que não está no gibi. E nós esposas que deixamos os nossos maridos dizerem em alto e bom som durante anos a fio na mesa de jantar ( que obviamente NÓS preparamos com todo o cuidado): " A culpa de sermos assim é das mulheres". A gente merece, colegas.
Agora uma é a gente demorar para descobrir nossa parcela de responsabilidade. Outra é descobrir e, já que a culpa é nossa mesmo, continuar perpetuando o mal. A mulherada não se enxerga? Ei você, colega, não é você que foi trocada por uma mais nova pelo seu namorado gostosão? Não foi você a traída? Não é você que cresceu sem pai? Não é você que cria sua filha sozinha? Colega, sinto muito: você é colega sim, e é com você que estou falando.
E hoje a culpa é mais sua do que minha. Não vou dizer que você tem a vida que merece porque eu acho que a vida pode ser bem mais generosa e solidária do que você. De todo modo, basta eu cruzar os braços para ver você levando o seu bem feito para casa. Este é o meu consolo: esta é uma culpa autopunitiva.
Aqui em casa merreca de homem nunca se criou. Nem merreca de homem e nem mulher de malandro. Tenho isso para honrar.
E não é agora que vai começar a dar praga aqui na criação.
Xô!!
Gente cafona.
( Este texto não é direcionado às minhas habituais leitoras. Aqui , bem ou mal, a gente cultiva o girl power. Aliás, colega, tenha dó delas que escutam tanto destempero e pare de cansar minha beleza)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Os meninos da FA
Quando eu estudava na UnB, isso lá nos idos de muito antigamente, existia uma rixa entre os meninos da Psicologia - era antigamente, mas não TÃO antigamente ao ponto de não haver muitos meninos na Psicologia, na minha turma eram partes iguais, diga-se de passagem - contra os meninos da FA ou Faculdade de Estudos Sociais Aplicados, onde ficavam o Direito, as Ciências Sociais e Política, a Arquitetura.
A cisma era especialmente contra os meninos do Direito. Eram machistas, humpf. Eram mauricinhos humpf, humpf. Eram conservadores e direitistas humpf, humpf, humpf. Eram católicos (eca). Eram bonitos, ricos e tinham carros huuuuuuuuuuuuumpf.
E eu, besta, simplesmente acatei aquela birra. Tudo bem que eu tinha ( tenho?) motivos ideológicos para escolher um dos lados. Mas eu comprei a briga de um tanto que até pouco tempo atrás, meio inconscientemente, eu trazia o resquício preconceituoso dela comigo. Inofensivo, sim. Porém, preconceituoso.
Daí que o tempo passa, o tempo voa. Não casei-me com um psicólogo e sim com um economista ( que se tivesse estudado na UnB também teria passado pela FA mas não foi o caso, rá!) esquerdista, umbandista: características que já me poupam de explicar porque este preconceito teve motivo de perpetuação.
Separei-me. Tenho uma filha pra criar. Em muitos dias, preciso rezar para conseguir sair da cama. E precisei começar a estudar, vejam vocês, Direito. Nada como um dia depois do outro. O que seria de nós sem o direito e os meninos que estudaram direito? Está tudo lá, na ponta da letra. Família. Estado. Tradição. Propriedade. Assistencialismo e proteção aos desvalidos. Liberdade de crença e de expressão. Tudinho, tudinho, que alguém muito mauricinho, certinho, religioso, paternal e nada revolucionário se deu ao trabalho de fazer para que os libertários viessem deturpar.
Este texto é meu pedido público de desculpas aos meninos da FA da minha época ( me desculpem agora as moças do Direito, mas este texto é para eles, tá?)
Direito é coisa de gente direita. E tenho dito.
UPDATE: Eu fui obrigada, muito sutilmente e as custas de uma mensagem bem delicada que consistia em: " Eu sou do direito, porra!!!" a fazer uma correção no meu texto: meu college sweetheart era do Direito. Pronto, tá bom assim? Tenho certeza que agora vcs entenderam porque eu estava coberta de boas razões para NÃO gostar dos meninos do Direito( ha ha). Este meu blog, vou te contar, novela de Manoel Carlos perde longe no ibope.
UPDATE: Eu fui obrigada, muito sutilmente e as custas de uma mensagem bem delicada que consistia em: " Eu sou do direito, porra!!!" a fazer uma correção no meu texto: meu college sweetheart era do Direito. Pronto, tá bom assim? Tenho certeza que agora vcs entenderam porque eu estava coberta de boas razões para NÃO gostar dos meninos do Direito( ha ha). Este meu blog, vou te contar, novela de Manoel Carlos perde longe no ibope.
Dê ( Cérebro Eletrônico)
DÊ ( Cérebro Eletrônico) Composição: Letra: Tatá Aeroplano Música: Fernando Maranho e Tatá Aeroplano
Dê amor
Dê paixão
Dê espera
Dê esperma
Dê prazer
Dê fogo
Dê uma nela
De carinho
De sacanagem
De sarro
De fato
Dê amor
Dê segurança
De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela
PS: Não que haja absolutamente nada
que me desagrade no resto da música
mas gosto da parte:
"Dê amor,
Dê segurança".
Sou uma punk romântica♥.
Going Vain: usando o 'Do you lilac it?', da OPI.
Nomes de esmalte são luxo e riqueza, né? Queria ser contratada só pra ficar bolando nomes pra itens cosméticos (não lembro que blogueira falou isso certa vez, e eu super assino embaixo!). Esse 'Do you lilac it?', então, achei o máximo, porque termina em '?' igual Vende na Farmácia?, hehehe...
Sério agora, eu sempre disse que achava os esmaltes da Revlon mais bacanas que os da OPI. Em primeiro lugar, por serem mais baratos. E mais fáceis de encontrar também. Qualquer drugstore nos Estados Unidos, por mais chinfrim que seja, tem Revlon. Mas nem todas têm OPI.
A segunda razão é a durabilidade dos Revlon, que é ABSURDA. O máximo que um Revlon durou na minha unha, durante o dia a dia, sem descascar, foram sete longos dias. OPI, no máximo 4. E fiquei abismada ao ver o Revlon durar 5 dias nas unhas durante as férias, quando eu ia à praia toda manhã e passava a tarde derretendo na piscina.
Mas daí que eu amei esse roxinho-lavanda da OPI. Amei, amei, amei. Minha mãe fez piadinha, disse que eu estava pintando as unhas pra combinar com o pijama (roxo de ursinhos, tsá?), e mais alguma gracinha sobre a época em que as folhas de cheque do Banco Banespa, hoje parte do Santander, eram roxas. Ha, ha, ha. Não tô nem aí, amei.
Se vocês querem saber, não acho mesmo que ele vá durar nas minhas unhas o mesmo que um Revlon. Mas recomendo a compra pela cor, que é super versátil. Rola no verão e no inverno. Rola com vestidinho vaporoso, rola com branco, rola com preto. Rola com aquele casaco cinza que eu tiro do armário toda vez que o tempo e o clima de SP resolvem me pregar peças. Com jeans fica lindo. E com bege (acho que agora a gente pode parar com esse negócio de 'nude' pra cá, 'nude' pra lá, né?) rola também.
Sério agora, eu sempre disse que achava os esmaltes da Revlon mais bacanas que os da OPI. Em primeiro lugar, por serem mais baratos. E mais fáceis de encontrar também. Qualquer drugstore nos Estados Unidos, por mais chinfrim que seja, tem Revlon. Mas nem todas têm OPI.
A segunda razão é a durabilidade dos Revlon, que é ABSURDA. O máximo que um Revlon durou na minha unha, durante o dia a dia, sem descascar, foram sete longos dias. OPI, no máximo 4. E fiquei abismada ao ver o Revlon durar 5 dias nas unhas durante as férias, quando eu ia à praia toda manhã e passava a tarde derretendo na piscina.
Mas daí que eu amei esse roxinho-lavanda da OPI. Amei, amei, amei. Minha mãe fez piadinha, disse que eu estava pintando as unhas pra combinar com o pijama (roxo de ursinhos, tsá?), e mais alguma gracinha sobre a época em que as folhas de cheque do Banco Banespa, hoje parte do Santander, eram roxas. Ha, ha, ha. Não tô nem aí, amei.
Se vocês querem saber, não acho mesmo que ele vá durar nas minhas unhas o mesmo que um Revlon. Mas recomendo a compra pela cor, que é super versátil. Rola no verão e no inverno. Rola com vestidinho vaporoso, rola com branco, rola com preto. Rola com aquele casaco cinza que eu tiro do armário toda vez que o tempo e o clima de SP resolvem me pregar peças. Com jeans fica lindo. E com bege (acho que agora a gente pode parar com esse negócio de 'nude' pra cá, 'nude' pra lá, né?) rola também.
Ficou assim na minha mão (olha a unha do dedo anelar quebrada, que judiação). Achei o resultado bem bom. O que também significa que a textura facilita a aplicação e o pincelzinho também. Qualquer uma consegue fazer isso em casa :) ...
quarta-feira, 10 de março de 2010
"(...) Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais."
Clarice Lispector - no livro A descoberta do mundo - Ed. Rocco - 1999.
Clarice Lispector - no livro A descoberta do mundo - Ed. Rocco - 1999.
Bumble&Bumble
Estou escrevendo para suprir a falta absoluta de resenhas em português sobre esta marca de produtos para cabelo, a Bumble and Bumble. Nunca entendi a razão disso. Tudo bem que não vende aqui mas nem por isso as pessoas deixam de comprar, cobiçar e resenhar coisas que não são vendidas no Brasil, não é?
Eu sou aquela pessoa que tem complexo de cabelo, sabe? Umas tem de nariz, outras de seios, eu sou aquela que tem de cabelos. Não porque eu tenha cabelo crespo ou rebelde ou volumoso, que são as maiores queixas contra os cabelos. Mas porque meu cabelo é bobo, sabe como? É pouquinho, não enrola e nem alisa por si só, fica ali, naquele meio termo indefinido, não pesa, não é naturalmente brilhoso... Isso até que poderia ter passado incólume na minha vida não fosse o fato de minha mãe, tias e primas terem TODAS um cabelo maravilhoso. E por maravilhoso eu quero dizer: Gisele Bundchen maravilhoso. Não é liso escorrido mas não é encaracolado. Pesado, compridão e cheio de brilho. Era meu inferno.
Não que tenha passado totalmente o trauma. Mas ao menos eu encontrei a tal marca nova iorquina que também encontrou Katie Holmes e outras famosas que eu não me lembro. Eles tem um princípio básico que pra mim fez toda diferença que é: os cabelos precisam de base antes dos produtos finalizadores tal qual o rosto precisa de base antes do blush. Então eles tem uma linha de tônicos ( prep and tonic lotion) que vc passa no cabelo encharcado logo que sai do banho. E só depois vc passa o condicionador leave in ou o silicone, ou a mousse ou seja lá o que vc usa para finalizar ( tá, eu SEI que tem gente que não usa nada e tem o cabelo à la Gisele, ô como sei!) o penteado. Para mim isso dá super certo porque meu cabelo fica mais pesado. Se vou fazer uma escova, ela fica mais volumosa e dura mais tempo. Se vou deixar ao natural, as ondulações ficam mais definidas. Eles tem inclusive um produto de tratamento noturno que, dizem, serve para encorpar os cabelos enquanto a gente dorme. Morro de vontade experimentar.
O site deles é super legal, tem videos explicativos e tutoriais de penteados com os respectivos produtos utilizados. E agora vc já sabe: da próxima vez que a palavra muambeiro cruzar o seu caminho, lance logo mão da sua listinha Bumble and Bumble. Se mudou minha vida, pode mudar a sua também ;-)
Sobre o virtual real
Como questões sobre virtualidade, blogs e relacionamentos continuam reverberando em mim, vou continuar a série ( saga) de reflexões.
Uma coisa que me mobiliza muito é justamente a questão dos relacionamentos virtuais. Me mobiliza porque eu os tenho muitos, há muito tempo, e constato com tristeza que, ao longo do tempo, de muito tempo, raramente eles tem um desdobramento feliz.
E eu penso muito sobre isso.
Amizade virtual já começa com um nome que me aporrinha. Porque o sentido é duplo. A expressão tanto pode ser usada para se referir a uma amizade que foi construída via internet. Ou cair muito bem para designar uma amizade fantasma, do tipo frágil ou inconstante e que existe somente em certos contextos. E acho que essa ambiguidade, por mais cruel que pareça, não é a toa. Ela realmente expressa um perigo das relações virtuais, que é justamente esse da inconsistência, da impermanência.
Li recentemente e acho que foi em um blog mas, desculpem, não me lembro qual, que ao contrário do que pensava o escritor, um verdadeiro amigo se reconhece não nos momentos difíceis, mas nos momentos de sucesso. Segundo ele, é muito evidente que quando estamos passando por alguma dificuldade apareçam muitas mãos amigas. Já não acontece o mesmo em tempos felizes.
Pensei e pensei sobre isso. Tentei. Mas não concordo. Aliás, não concordo com nenhuma das duas vias. Nem que amigo se reconhece em tempos difíceis e muito menos em tempos fáceis. Nos tempos fáceis é mais ou menos como canta Gal Costa: "quando a gente está contente nem ficar contente a gente quer, a gente quer é viver" e não ficar pensando se tem ou não amigos.
Para mim amigo é aquele que toma seu partido consistentemente, ao longo de diversas situações, fáceis e difíceis. Não interessa se é virtual- embora os virtuais, na minha experiência, sofram mais radicalmente do mal da neutralidade -, se é da balada, se é do trabalho, se é de infância. Amigo é aquele sujeito que toma suas dores sempre e especialmente quando você está errado. Sim, porque ficar do nosso lado quando temos razão é super fácil. Mas ficar do lado de quem está, assim, digamos, um pouco equivocado, aí é que são elas. Eu assumo para mim que tomar partido de um amigo não significa necessariamente concordar com ele. Você pode até discordar, chamar num canto e discutir a relação ou dar um bom puxão de orelha. Mas isso já significa que vc está do lado dele e comprou o pacote completo.
Sabe aquela conversa de "sou sua amiga mas ó, eu não sou obrigada e escolher, também jogo no time adversário" ? Detesto. A realidade da vida é que todo mundo está o tempo todo um pouco equivocado sobre alguma coisa. Você, sua mãe, seus amigos. E se você espera ficar do lado "certo" ao tomar o partido de alguém, você não conta. Você é de fato e de direito alguém VIRTUAL. Você existe mas não tem peso, massa e não faz diferença. Não podemos contar com você porque você some e aparece como uma holografia e nunca sabemos direito quem você é.
Nunca tomar partido é o que eu considero a grande utopia ingênua da contemporaneidade. Identifico que há uma idéia mais ou menos generalizada e mais ou menos hippie por trás disso que é : "eu sou da paz, não brigo com ninguém, quero mesmo é ser feliz". Como se isso fosse possível sem algum tipo de aniquilamento - em geral da SUA individualidade. Acontece que a paz, e meus amigos diplomatas vão ficar me devendo uma salva de palmas, não é a ausência de conflitos, já que isso seria humanamente inviável. A paz é a manutenção constante de conflitos particulares para que eles não cheguem a formar uma guerra. De modo que "eu sou da paz" significa exatamente não ser bonzinho e amigo de todo mundo. Ser da paz significa escolher algumas brigas e algumas pessoas e tomar a defesa delas. E, claro, no outro extremo, não declarar guerra terminantemente a nenhuma pessoa e a nenhuma causa.
Tudo isso para dizer que eu observo as turmas virtuais com certo ceticismo. Eu já tive relacionamentos virtuais que se tornaram não-virtuais no sentido de terem passado para encontros e convivência além da internet, mas que jamais perderam o seu caráter de virtualidade, se é que vocês me entendem. E também acredito que seja possível jamais sair da internet e fazer com que um relacionamento internético transcenda a virtualidade. No geral, meus relacionamentos "virtuais "mantiveram sua existência enquanto havia interesses em comum e principalmente, ausência de diferenças. Não há necessariamente nenhum mal nisso desde que mantenhamos em mente que aquele relacionamento tem o perigo de ser restrito apenas àquele contexto. O problema é que somos todos humanos, não salva ninguém. E no fundo queremos ser amados sob qualquer contingência.
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