O um por dia ficou esquecido por uns dias e devo avisar que assim será, apesar do título da coluna. Isso porque constatei que não consigo postar o "um por dia" todos os dias. Mas também não gostaria de mudar o título da coluna porque me agrada a idéia de que todo dia podemos- e devemos- respirar alguma coisa diferente do circuito de visitas virtuais ao qual estamos condicionados.
Hoje a dica é um site que parou de ser atualizado há algum tempo mas que sempre recebe minhas visitas nostálgicas. É um projeto que reune fotos perdidas. Fotos que foram jogadas no lixo, abandonadas. Fotos de pessoas anônimas que por algum motivo em algum momento da vida, se desfizeram de suas fotos.
O projeto se chama " look at me " e adoro o título porque alude essa vontade tão humana e familiar de sermos vistos, admirados, amados. E é isso que vemos ali naquelas fotos de desconhecidos: pessoas frágeis, humanas, tão iguais e tão diferentes, com o coração exposto e gritando " olhem para mim, me amem como sou". Não sei porque o projeto foi interrompido mas é lamentável. Felizmente as fotos recolhidas até a data de interrupção continuam expostas.
...e se deixa entrever. Porque, como já dizia Heidegger, a presença velada se desvela no enquanto. E como esclareceu Sartre: não pensar já é uma escolha do pensamento.
O invisível não é inefável by www.oessencialvislumbrado.blogspot.com is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs License.
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Reflexões sobre as reflexões
Fiquei muito, mas muito tocada mesmo com este comentário que foi postado ontem anonimamente em referência ao meu texto REFLEXÕES sobre o look do dia. Tanto que precisei voltar ao tema. Como sou autora de um espaço de mídia, público e livre, tenho alguma chance de formar opinião e neste caso achei que seria válido replicar e alongar a conversa. Se uma e apenas uma pessoa que ler este texto puder refletir um pouco sobre as coisas que serão aludidas, já dou minha missão por bem sucedida.
Segue o comentário onde eu destaquei e enumerei em vermelho as passagens que considerei mais dignas de serem esmiuçadas:
"Para mim vc é uma recalcada (1)! Não foi aceita na blogolândia mesmo (2), pq é uma chata (3)sem tamanho! E passa a vida atacando quem não sabe nem da sua existência. Ou, se sabe, ignora. Todo mundo quer ser visto, senão não teria um blog. Vc quer ser vista, tem necessidade de chamar atenção. E seu método é triste, amargo. Criar polêmica é só para quem sabe, a única coisa que vc consegue com esse tipo de post é arrancar gargalhadas de muita gente (alter-ego apoiando não vale, viu?).
E, antes que vc comente do fato de as pessoas que não gostam de vc estarem vindo ao seu blog, vale lembrar que nem isso é mérito seu. Nós só visitamos seu blog por causa das roupas que vc vende (4). É como visitarmos a Renner, a C&A ou a MBE. E lá, a gente também não tem o menor interesse pelas amarguras chatas das vendedoras(5). Portanto, faça oq vc sabe fazer: venda roupas(6). Ou procure um analista, caso contrário, vai perder até as clientes(7)
Passar bem."
Segue o comentário onde eu destaquei e enumerei em vermelho as passagens que considerei mais dignas de serem esmiuçadas:
"Para mim vc é uma recalcada (1)! Não foi aceita na blogolândia mesmo (2), pq é uma chata (3)sem tamanho! E passa a vida atacando quem não sabe nem da sua existência. Ou, se sabe, ignora. Todo mundo quer ser visto, senão não teria um blog. Vc quer ser vista, tem necessidade de chamar atenção. E seu método é triste, amargo. Criar polêmica é só para quem sabe, a única coisa que vc consegue com esse tipo de post é arrancar gargalhadas de muita gente (alter-ego apoiando não vale, viu?).
E, antes que vc comente do fato de as pessoas que não gostam de vc estarem vindo ao seu blog, vale lembrar que nem isso é mérito seu. Nós só visitamos seu blog por causa das roupas que vc vende (4). É como visitarmos a Renner, a C&A ou a MBE. E lá, a gente também não tem o menor interesse pelas amarguras chatas das vendedoras(5). Portanto, faça oq vc sabe fazer: venda roupas(6). Ou procure um analista, caso contrário, vai perder até as clientes(7)
Passar bem."
(1) A comentarista começa dizendo que eu sou uma pessoa recalcada como se isso fosse uma característica ruim da minha personalidade. Acredito que ela não tenha intimidade com as obras de Sigmund Freud, usou o termo no sentido mais vulgar e quis dizer que eu não faço coisas que gostaria de fazer. No que de fato ela tem certa razão. Eu não faço tudo que gostaria de fazer justamente porque tenho limites éticos e me preocupo com as consequências do que faço. Não comento anonimamente, não faço intrigas, não tiro vantagem de ninguém. Também por motivos éticos não puxo-saco e não estou aqui para trocar favores com ninguém. E não posto looks do dia. O que não significa que não tenha vontade de fazê-lo. Todos nós temos vontades, muitas, de roubar, matar e pichar prédios. Mas é justamente o recalque que nos impede de fazê-lo na maioria das vezes.
(2) Não vou falar sobre este planeta Blogolândia porque ele não existe, é fantasioso e me sinto ridícula usando este termo. Vou falar sobre o que vem antes na frase: " você não foi aceita...". Em que tipo de lugar precisamos ser aceitos? Num clube? Sim, compramos uma cota e nos tornamos sócios, o dinheiro paga a pertinência. Numa gang tipo skinheads? Também, mas neste caso o que compramos é pago com nossa anuência a certos comportamentos inenarráveis. De resto, quero dizer, no resto do que tange o direito fundamental de livre expressão, reunião e associação, eu creio que dizer que alguém não é aceito em virtude de alguma característica pessoal do tipo raça, cor, sexo, religião ou filiação filosófica seja crime. Mais ou menos como aconteceu no holocausto.
(3) chata é um termo muito subjetivo. Eu acho muitas coisas que são publicadas por aí extremamente chatas. Empobrecidas, sem sentimento, sem alma, tediosas, feias, sem nada a acrescentar, em resumo, muito chatas. Tão sem graça que nem me despertam vontade nenhuma de comentar, que dirá anonimamente e com afeto. E como tudo que é subjetivo demais, a palavra chata perde o poder de argumento intersubjetivo e se torna muito, muito chata como qualificador. Eu sou chata, Fernanda Young é chata, Carol Dieckman é chata. Enfim, que chatice.
(4) Esta é a frase que tirou o meu sono. E pensar que este tipo de gente é tão comum e circula livre por aí. Existe uma coisa básica da maturidade e do caráter que se chama fidelidade ideológica. Funciona assim: Você não curte um pessoal que defende por exemplo, que homens são melhores que mulheres. Só que- ai que azar!- acontece que eles são os únicos revendedores do seu shampoo predileto. E é exatamente aí que o mundo se divide em dois grupos: os que vivem pelos cabelos e comprarão o shampoo dizendo : " ah, que mal faz, é só um shampoo!!" e financiarão o crime, o racismo, o machismo ou o qualquer uma dessas coisas nojentas. E os que são guiados por um princípio maior, mais nobre que abrirão mão de uma pequena satisfação pessoal em nome de uma ideologia, de um princípio ético em que eles acreditam fortemente.
(5) e (6) Este é o tipo de pensamento de quem acha razoável atear fogo em índio. Sabe que as vendedoras também são gente? Apesar de estarem ali circunstancialmente para nos servir elas são iguais a nós. Tem amarguras, chatices, senso de humor, direito de expressão e vez ou outra alguma coisa interessante a ensinar. Que bom é vivermos de maneira tão diferente da que vivem os indianos onde as castas dão determinadas ao nascimento e o preconceito quanto aos pertencentes de castas inferiores, indelével.
(7) Esta ameaça é também muito típica de quem acha que o mundo está aí para trazer-lhe os seus sapatos. Não, voce está equivocada, eu não perco clientes nunca. Porque para mim a palavra perda só se aplica a coisas mais substanciais da vida e não a clientes, especialmente deste naipe. Isso não é uma ameaça para mim. Quem perde é gente como você para quem eu não vendo nem uma meia e quem jamais teria acesso por si só a coisas bonitas e altivas da vida, inclusive roupas. Deve ser por isso que você posta anonimamente. Não se engane, eu não sou do tipo que se vende por um shampoo ou por aprovação de gente covarde e mal-criada.
Estes comentários não são inofensivos. Estas pessoas não podem ter a última palavra. A minha filha vai ficar neste mundo, não dá para deixar passar. Depois a gente se pergunta como tantas pessoas são capazes de se suicidar conjuntamente em nome de uma seita cega ou de apoiar os princípios nazistas sem questionamento. Bem, é exatamente assim que se começa.
Gente, os comentários estão desabilitados neste texto porque isso aqui não é uma democracia. Também não é palco para a burrice e o desmando alheios e irrecalcados. Ainda chegará o dia em que simplesmente ignorarei este tipo de coisa ou melhor, em que este tipo de gente terá se extinguido. O blog seguirá com sua programação normal. Eu só preciso recobrar a fé na humanidade.
Dia Internacional das minhas mulheres
Há exatamente um ano atrás nós estávamos assim. Como tudo pode mudar tanto em um único ano, não?
E há exatamente um ano atrás, no Dia Internacional da Mulher, eu escrevi um texto em homenagem às mulheres da minha vida. Isso também mudou em 1 ano, só que de maneira mais grata: surgiram mais algumas. Uma delas nasceu exatamente enquanto eu escrevia este texto. Janaína, feliz primeiro aniversário, meu amor. Tia Maura nunca deixa de pensar em você. Parabéns amiga querida mamãe da Jana. Só nós sabemos as profundas mudanças internas, externas e astrais que nos acontecem neste primeiro ano.
Segue o texto:
Eu amo meninas de um tanto que acabei ganhando uma pra mim.
Mas mesmo antes da minha menina, eu já amava muitas meninas por aí e que, cada uma a seu modo, também foram minhas- e sempre serão. São minhas onde estivemos juntas e também quando juntas já não estávamos mais, mas as marcas e vivências e identificações e diferenças e afinidades e feminilidades já estavam gravadas na minha alma com a tinta indelével do nosso encontro. Então permanecemos assim, juntas, em algum tempo paralelo.
Eu escrevo este texto pela Inês. Porque transbordo de amor por essa menina tão especial que veio para mim. E este amor pela minha filha me leva a querer honrar cada menina que fez e faz parte de mim. Cada uma delas lapidou uma faceta da mulher-mãe que agora sou. Cada uma delas me ensinou a respeitar e amar profundamente características- tão diferentes e tão comuns- da alma feminina. Sou muito grata por trazer estas grandes mulheres no olhar e poder mostrar a minha filha tantas possíveis feminilidades de que me orgulho- mesmo que vicariamente.
A Inês é a Cris, é a Fá, a Babi e a Mari. A Inês é feita de Bia, de Márcias, de Renata, de Lua e de Leta. A Inês é de tia Tati, tia Li, tia Ve, tia Yvanna e Tia Stela. Minha filha é de tia Isa, Dani , Bell, Keka e Nathália. De Flávia e Luiza, Dani e Janaína, Carol e Laurinha. De Erika, Lara, Marta, Rachel, Pri, Tetê, Gabi, Cris, Izabel e Paula. E este texto é uma homenagem a elas- ou a vocês, dependendo de quanta sorte eu terei de ser lida pelas homenageadas.
Todas, perto ou longe, presente ou passado, são tão atuantes e tão vivas no meu imaginário, no meu coração, que não posso chamá-las de outra coisa além de "minhas queridas meninas".
Obrigada por existirem, por esbanjarem tantos talentos e belezas, por fazerem parte de nossas vidas.
Com amor,
Maura e Inês.
E há exatamente um ano atrás, no Dia Internacional da Mulher, eu escrevi um texto em homenagem às mulheres da minha vida. Isso também mudou em 1 ano, só que de maneira mais grata: surgiram mais algumas. Uma delas nasceu exatamente enquanto eu escrevia este texto. Janaína, feliz primeiro aniversário, meu amor. Tia Maura nunca deixa de pensar em você. Parabéns amiga querida mamãe da Jana. Só nós sabemos as profundas mudanças internas, externas e astrais que nos acontecem neste primeiro ano.
Segue o texto:
Eu amo meninas de um tanto que acabei ganhando uma pra mim.
Mas mesmo antes da minha menina, eu já amava muitas meninas por aí e que, cada uma a seu modo, também foram minhas- e sempre serão. São minhas onde estivemos juntas e também quando juntas já não estávamos mais, mas as marcas e vivências e identificações e diferenças e afinidades e feminilidades já estavam gravadas na minha alma com a tinta indelével do nosso encontro. Então permanecemos assim, juntas, em algum tempo paralelo.
Eu escrevo este texto pela Inês. Porque transbordo de amor por essa menina tão especial que veio para mim. E este amor pela minha filha me leva a querer honrar cada menina que fez e faz parte de mim. Cada uma delas lapidou uma faceta da mulher-mãe que agora sou. Cada uma delas me ensinou a respeitar e amar profundamente características- tão diferentes e tão comuns- da alma feminina. Sou muito grata por trazer estas grandes mulheres no olhar e poder mostrar a minha filha tantas possíveis feminilidades de que me orgulho- mesmo que vicariamente.
A Inês é a Cris, é a Fá, a Babi e a Mari. A Inês é feita de Bia, de Márcias, de Renata, de Lua e de Leta. A Inês é de tia Tati, tia Li, tia Ve, tia Yvanna e Tia Stela. Minha filha é de tia Isa, Dani , Bell, Keka e Nathália. De Flávia e Luiza, Dani e Janaína, Carol e Laurinha. De Erika, Lara, Marta, Rachel, Pri, Tetê, Gabi, Cris, Izabel e Paula. E este texto é uma homenagem a elas- ou a vocês, dependendo de quanta sorte eu terei de ser lida pelas homenageadas.
Todas, perto ou longe, presente ou passado, são tão atuantes e tão vivas no meu imaginário, no meu coração, que não posso chamá-las de outra coisa além de "minhas queridas meninas".
Obrigada por existirem, por esbanjarem tantos talentos e belezas, por fazerem parte de nossas vidas.
Com amor,
Maura e Inês.
domingo, 7 de março de 2010
Eu ♥ Google
Eu sou devota do Santo Google desde que um ex-namorado nerd me apresentou-o lá nos idos de 199 e não me lembro, quando ainda era uma esperteza de iniciados.
E se você gosta do Google como eu, AMARÁ quando tiver um blog e souber das palavras e frases que os usuários digitaram no oráculo Google e que os levam até seu blog. Algumas:
maura essencial
roupas chiques maura
maura teve bebê?
maura madame elegancia
vestido que emagrece para o batizado ( essa me arrepiou!)
brechó da dona maura
gymbebé maura essencial
Gente, que fofo! Eu amo o Google mas amo vocês muito mais.
E se você gosta do Google como eu, AMARÁ quando tiver um blog e souber das palavras e frases que os usuários digitaram no oráculo Google e que os levam até seu blog. Algumas:
maura essencial
roupas chiques maura
maura teve bebê?
maura madame elegancia
vestido que emagrece para o batizado ( essa me arrepiou!)
brechó da dona maura
gymbebé maura essencial
Gente, que fofo! Eu amo o Google mas amo vocês muito mais.
sábado, 6 de março de 2010
Reflexões sobre a ROUPA DO DIA
Calma, muita calma nesta hora. Vamos ler juntas o título do post: REFLEXÕES sobre a roupa do dia. Não é nada além disso.
Para ajudar na empatia, vou começar dizendo: eu tive e tenho ainda muitas vezes vontade de fazer fotos do meu look do dia. A gente vê tantos looks tão lindos e inpiradores por aí...Roupas baratas, combinações criativas, boas idéias...Isso meio que incita a vaidade, a empolgação com esta coisa da auto- imagem, da auto-estima, é uma vibração super boa. No entanto, alguma coisa não me cai bem nos projetos hoje-vou-assim-hoje-vou-assado ( eu sou uma pessoa tiazinha que não usa twitter e não aderiu a reforma ortográfica) e me impede de tentar fazer o meu próprio ensaio de moda diário. Para quem não sabe - e há muita gente neste grupo- eu estou me referindo aos blogs em geral em que a idéia principal é fotografar e expor as combinações diárias de suas próprias vestimentas com a justificativa de que esta é uma maneira de criar sua própria moda, reinventando-a. Vamos lá.
Para começar eu acho que uma coisa não é só uma coisa. A coisa é a coisa e suas consequências e influências. E tendo isso em vista eu acabo achando que por mais que a idéia da roupa do dia seja legal em teoria, na prática descamba muito facilmente para uma coisa perigosa.
Primeiro que é uma idéia elitista. Implica que vc tem que ter roupas variadas, computador, máquina fotográfica digital, maquiagem e tempo disponível para uma egotrip diária. E eu, na contramão, acho que mesmo alguém que tenha apenas uma calça jeans e uma camiseta de campanha eleitoral pode ficar linda se colocar uma flor no cabelo com genialidade. Mas é claro que uma pessoa assim neste dia de flor inspirado tão especial, não vai postar seu look do dia. Mas esta é a idéia ingênua de moda que eu gosto e que tento manter em mente frente a tantas influências nefastas( leia-se enxurradas publicitárias, consumo desvairado, etc).
Em segundo lugar, tento sempre resgatar uma pessoa considerada elegante e imagino-a postando sua montação diária. Nunca consigo, claro. E me acabo de rir imaginando Audrey, Jackie O., ou qualquer um desses ícones que todo mundo adora postando seus looks diários. Não rola, né? É meio que uma antítese da elegância. Isso porque, se vc de fato é chique, também é discreta e não se gaba de nada, nem de roupas, nem de estilo. Mas se vc é chique MESMO alguém vai tirar uma foto de vc e vc jamais terá que se preocupar em fazê-lo você mesma.
Por último eu fico pensando: qual é a idéia por trás de expor uma foto diária de si mesma usando coisas incríveis em visuais super bacanas? A que me ocorre primeiro é : "tem alguém assistindo". E isso pode parecer uma vaidade inofensiva mas no inconsciente, levar a vida sempre com a crença de que há alguém nos assistindo ou que alguém nesse mundo gives a damn fuck para o que quer que seja que não aluda a si próprio, bem, é um engano. Depois me ocorre essa coisa da incitação do consumo : "olha quantas roupas eu tenho, olha como sou original, uso marcas bacanas ( ou baratas, combinadas com acessórios MUITO bacanas), sou rica, me admire por isso, seja minha amiga por isso". E eu não gosto nem um tiquinho dessa base filosófica que fica sempre ali na espreita, nas entrelinhas da roupa do dia. Vez ou outra vem alguma green mind e faz uns projetos tipo o The uniform project mas ainda assim, não é a regra e nem acho o projeto tão inovador assim ( me dê um vestido e todos aqueles acessórios que uso o mesmo para o resto da vida!).
Claro que eu sei que ninguém pensa nessas coisas e posta seus looks na melhor das intenções. Sim, eu acho que pode haver boas intenções em fazer isso. De compartilhar, de cultivar amizades, de ensinar genuinamente. Mas como eu comecei dizendo, a coisa toda corre um risco enorme de se perder pelo caminho.
Minha conclusão agora seria digna de uma nota zero em dissertação argumentativa : e eu adoro o look do dia alheio ( estou me contradizendo? "estou me contradizendo, tenho uma multidão dentro de mim") vejo vários ao dia. Entretém, diverte, inspira, anima, acolhe. Espero que eles não se acabem. Enquanto isso eu me debato com meus dilemas filosóficos e aceito minhas contradições internas. E nesse meio tempo, não faz mal pensar no que está por trás das coisas. A gente pode sempre aprender com as diferenças.
Para ajudar na empatia, vou começar dizendo: eu tive e tenho ainda muitas vezes vontade de fazer fotos do meu look do dia. A gente vê tantos looks tão lindos e inpiradores por aí...Roupas baratas, combinações criativas, boas idéias...Isso meio que incita a vaidade, a empolgação com esta coisa da auto- imagem, da auto-estima, é uma vibração super boa. No entanto, alguma coisa não me cai bem nos projetos hoje-vou-assim-hoje-vou-assado ( eu sou uma pessoa tiazinha que não usa twitter e não aderiu a reforma ortográfica) e me impede de tentar fazer o meu próprio ensaio de moda diário. Para quem não sabe - e há muita gente neste grupo- eu estou me referindo aos blogs em geral em que a idéia principal é fotografar e expor as combinações diárias de suas próprias vestimentas com a justificativa de que esta é uma maneira de criar sua própria moda, reinventando-a. Vamos lá.
Para começar eu acho que uma coisa não é só uma coisa. A coisa é a coisa e suas consequências e influências. E tendo isso em vista eu acabo achando que por mais que a idéia da roupa do dia seja legal em teoria, na prática descamba muito facilmente para uma coisa perigosa.
Primeiro que é uma idéia elitista. Implica que vc tem que ter roupas variadas, computador, máquina fotográfica digital, maquiagem e tempo disponível para uma egotrip diária. E eu, na contramão, acho que mesmo alguém que tenha apenas uma calça jeans e uma camiseta de campanha eleitoral pode ficar linda se colocar uma flor no cabelo com genialidade. Mas é claro que uma pessoa assim neste dia de flor inspirado tão especial, não vai postar seu look do dia. Mas esta é a idéia ingênua de moda que eu gosto e que tento manter em mente frente a tantas influências nefastas( leia-se enxurradas publicitárias, consumo desvairado, etc).
Em segundo lugar, tento sempre resgatar uma pessoa considerada elegante e imagino-a postando sua montação diária. Nunca consigo, claro. E me acabo de rir imaginando Audrey, Jackie O., ou qualquer um desses ícones que todo mundo adora postando seus looks diários. Não rola, né? É meio que uma antítese da elegância. Isso porque, se vc de fato é chique, também é discreta e não se gaba de nada, nem de roupas, nem de estilo. Mas se vc é chique MESMO alguém vai tirar uma foto de vc e vc jamais terá que se preocupar em fazê-lo você mesma.
Por último eu fico pensando: qual é a idéia por trás de expor uma foto diária de si mesma usando coisas incríveis em visuais super bacanas? A que me ocorre primeiro é : "tem alguém assistindo". E isso pode parecer uma vaidade inofensiva mas no inconsciente, levar a vida sempre com a crença de que há alguém nos assistindo ou que alguém nesse mundo gives a damn fuck para o que quer que seja que não aluda a si próprio, bem, é um engano. Depois me ocorre essa coisa da incitação do consumo : "olha quantas roupas eu tenho, olha como sou original, uso marcas bacanas ( ou baratas, combinadas com acessórios MUITO bacanas), sou rica, me admire por isso, seja minha amiga por isso". E eu não gosto nem um tiquinho dessa base filosófica que fica sempre ali na espreita, nas entrelinhas da roupa do dia. Vez ou outra vem alguma green mind e faz uns projetos tipo o The uniform project mas ainda assim, não é a regra e nem acho o projeto tão inovador assim ( me dê um vestido e todos aqueles acessórios que uso o mesmo para o resto da vida!).
Claro que eu sei que ninguém pensa nessas coisas e posta seus looks na melhor das intenções. Sim, eu acho que pode haver boas intenções em fazer isso. De compartilhar, de cultivar amizades, de ensinar genuinamente. Mas como eu comecei dizendo, a coisa toda corre um risco enorme de se perder pelo caminho.
Minha conclusão agora seria digna de uma nota zero em dissertação argumentativa : e eu adoro o look do dia alheio ( estou me contradizendo? "estou me contradizendo, tenho uma multidão dentro de mim") vejo vários ao dia. Entretém, diverte, inspira, anima, acolhe. Espero que eles não se acabem. Enquanto isso eu me debato com meus dilemas filosóficos e aceito minhas contradições internas. E nesse meio tempo, não faz mal pensar no que está por trás das coisas. A gente pode sempre aprender com as diferenças.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Moda desde criancinha
Quando a gente engravida do primeiro filho logo começa a ser vítima de um certo bullying às avessas que é a enxurrada de solidariedade traduzida em conselhos. A moça do cachorro quente, o mal-humorado da quitanda, sua tia, sua avó, a avó da sua vizinha... Todo mundo tem um conselho não solicitado para dar.
Um dos que mais ouvi e ainda ouço é : "Criança cresce rápido demais, não compre muita roupa que vc vai botar dinheiro a perder". Bom, isso me parecia bastante lógico. Então, nesta linha de pensamento, não comprei roupinhas tamanho RN ( recém-nascido, para as leigas) já que eu imaginava que as perderia em algo como...10 dias?
Não foi bem o nosso caso. A Inês usou tamanho RN até os 4 meses de idade. Sim, nasceu pequenina. Muitos nascem. E lá fui eu recém-parida refazer boa parte do enxoval. Mas passado este momento inicial, constatei que o fato é verídico, as crianças crescem e perdem roupa rapidamente ( mas não em 10 dias, hein?) mas... e então?
A constatação aconteceu mas parece não ter surtido em mim o efeito que faz na maioria e eu sigo me endividando me maravilhando com as fofurices de bebê. E gosto assim, explico o porquê:
Um dos que mais ouvi e ainda ouço é : "Criança cresce rápido demais, não compre muita roupa que vc vai botar dinheiro a perder". Bom, isso me parecia bastante lógico. Então, nesta linha de pensamento, não comprei roupinhas tamanho RN ( recém-nascido, para as leigas) já que eu imaginava que as perderia em algo como...10 dias?
Não foi bem o nosso caso. A Inês usou tamanho RN até os 4 meses de idade. Sim, nasceu pequenina. Muitos nascem. E lá fui eu recém-parida refazer boa parte do enxoval. Mas passado este momento inicial, constatei que o fato é verídico, as crianças crescem e perdem roupa rapidamente ( mas não em 10 dias, hein?) mas... e então?
A constatação aconteceu mas parece não ter surtido em mim o efeito que faz na maioria e eu sigo me endividando me maravilhando com as fofurices de bebê. E gosto assim, explico o porquê:
- Eu não acho que levar 6 meses, 8 meses e mais tarde 1 ano para perder uma roupa seja pouco tempo. Não sei se isso faz de mim uma perdulária xingável, sei que já vi coisas muito piores. Mas vejam bem: a cada 8 meses eu renovo boa parte do meu guarda roupa. Não quero dizer que jogo tudo fora e compro tudo de novo. Mas que as roupas que eu uso hoje, mesmo que não sejam novas, não são as mesmas de 1 ano atrás. Porque eu mudei de gosto, de emprego, de cidade. Porque cismei com saias, porque tá frio ou porque engordei 6kg. Porque tenho subjetividade, gostos e necessidades, ora bolas! Mas como não cresço mais há algum tempo e só acumulo roupas, ninguém pega no meu pé.
- Eu acredito em direitos iguais. Das poucas coisas interessantes que há no livro da Encantadora de bebês esta sacada é uma: bebês são gente desde que nascem. Vc sugeriria a alguém dormir no meio de uma festa com um barulho dos infernos? É falta de respeito, né? E por que achamos normal que os bebes durmam tortos, em tumultos...Falamos qq coisa perto deles exatamente como se eles fossem plantas. E achamos louvável metê-los em roupas baratas e grandes demais ( pra durar mais tempo, saca?) de modo que pareçam sacos de batata e corram até certo risco maior de quedas e alergias. Enquanto isso continuamos a comprar roupas que jamais usaremos para nós mesmas.
- POUCA COISA NESTA VIDA é mais legal do que escolher, comprar e vestir roupas na minha filhota. Vê-la linda, moderna, colorida, confortável em bons tecidos, de medidas nem grandes e nem apertadas, tem sido um dos grandes prazeres da minha vida. Quer saber? Chega de repressão, indulgência também tem vez e esta é uma boa hora para ela. O meu conselho pra vc mamãe de primeira viagem é: se livre da razoabilidade e se jogue sem culpa nas roupinhas melhores e mais fofas que estiverem ao seu alcance. Tudo passa tão, mas tão rápido e nada paga aquele bumbunzinho fofo andando todo féchion e serelepe pela casa. Para todas as outras coisas, a gente sabe, existe o Mastercard.
Going Vain - testando o LashStash da Sephora.
Meninas leitoras do blog de Madame Maura... tudo bem? Essa é minha primeira participação aqui, então me apresento: meu nome é Joo, e provavelmente muitas de vocês não me conhecem, e outras talvez lembrem de mim do Vende na Farmácia?, o blog onde eu midivirto junto com a Loo. Combinei com Maura participações esporádicas por aqui, onde vou falar dos cosméticos que experimentei e que não vendem na farmácia: coisas que eu trouxe de viagem, coisas que ganhei e até uma ou outra que comprei por aqui mesmo, num momento de fraqueza (deixa eu já avisar que esses momentos são raros, sou meio mão fechada quando se trata de gastar meu $$ numa coisa que eu sei que lá fora custa x e aqui custa 10x).
Viajei em fevereiro passado e me comportei tão bem, mas tão bem, que saí da Sephora com apenas UM ITEM nas mãos. É esse que vocês vêem na foto super amadora aí embaixo:
Viajei em fevereiro passado e me comportei tão bem, mas tão bem, que saí da Sephora com apenas UM ITEM nas mãos. É esse que vocês vêem na foto super amadora aí embaixo:
O LashStash é uma caixinha onde a Sephora compilou 10 miniaturas das máscaras para cílios mais vendidas por eles. Se não me falha a memória, paguei uns US$35 pelo kit, porque achei uma maneira bacana de experimentar vários produtos que, sozinhos e no tamanho 'normal', custam quase o preço da coisa toda. A caixinha contém os rímeis da Hourglass, Laura Mercier, Urban Decay, Fresh, Korres, Sephora, Benefit, Tarte, Smashbox e Cargo, todos na cor preta. Quer dizer, a da Hourglass é na cor 'carbon' e a da Smashbox, na cor 'jet black'. Ou seja: só preto, sem preconceito.
Vocês ficam chateadas se eu disser que ainda não experimentei todas? É que eu só tenho dois olhos. Mas experimentei a maioria, e vou contar pra vocês. Segurem-se:
- A little bit BADGal lash mascara, Benefit: não sei vocês, mas eu não tenho muito jeito com máscaras cujos aplicadores são enooooormes, o que é o caso dessa aqui. Tá, o resultado fica bom, dá bastante volume, mas eu precisei de umas três tentativas pra consegui-lo sem manchar minhas pálpebras de preto...
Vocês ficam chateadas se eu disser que ainda não experimentei todas? É que eu só tenho dois olhos. Mas experimentei a maioria, e vou contar pra vocês. Segurem-se:
- A little bit BADGal lash mascara, Benefit: não sei vocês, mas eu não tenho muito jeito com máscaras cujos aplicadores são enooooormes, o que é o caso dessa aqui. Tá, o resultado fica bom, dá bastante volume, mas eu precisei de umas três tentativas pra consegui-lo sem manchar minhas pálpebras de preto...
- Abyssinia oil volumizing and strenghtening mascara, Korres: eu amo a Korres (googlem, gente, é uma marca grega que tem sabonetes líquidos e hidratantes deliciosos), então fiquei super empolgada em testar um produto da linha de maquiagem deles, que eu ainda não conhecia. Dei com a cara no chão: é um rímel normalzinho, normalzinho. Tá que ele promete condicionar os cílios, mas não dá pra perceber se isso rola mesmo de usar só uma vez. Nem sei se dá pra perceber usando várias vezes...
- Supernova Mascara, Fresh: a Fresh é uma marca que eu acho que nem conheceria se não fosse essa mania da Sephora de me dar brindes... Ganhei um sabonete para o rosto delicioso deles certa vez. E adorei essa máscara: além da embalagem fófi, meus cílios ficaram suuuper compridos e com uma curvatura bonitinha. Aprovada!
- Supernova Mascara, Fresh: a Fresh é uma marca que eu acho que nem conheceria se não fosse essa mania da Sephora de me dar brindes... Ganhei um sabonete para o rosto delicioso deles certa vez. E adorei essa máscara: além da embalagem fófi, meus cílios ficaram suuuper compridos e com uma curvatura bonitinha. Aprovada!
- 4 day stay lash stain, Tarte: a Tarte eu já amava, e fiquei louca pra testar esse produto quando li sobre ele na interné. Ele promete tingir seus cílios de um preto-bem-preto, cujo efeito dura 4 dias. E realmente, quando você aplica, nota de cara que os cílios ficaram bem mais escuros - ele não promete volume, nem curvatura, nem comprimento, apenas coloração. Bom, no banho do primeiro dia, não saiu nada. No banho do segundo dia rolou um certo efeito panda... que se acentuou mesmo ANTES do banho do terceiro dia. Daí eu me irritei e fui dicunforça com o demaquilante tirar tudo. Veredito? Produto interessante, mas esqueçam essa de quatro dias. A menos que você não tome banho E não sue.
Essas foram as que eu já testei. Essas, e a minha preferida:
A Hourglass é uma marca, tipo, CARA. Na qual eu não ia dar meu dinheiro porque invariavelmente iria pensar que consigo efeito parecido com a máscara de US$8 da farmácia. E eu continuo pensando assim, mas foi bem bacana poder experimentar esse produto. Esse aplicador que vai afinando é uma beleza, pega todos os cílios, mesmo aqueles chatos do cantinho. Dá pra usar uma ou duas camadas pra conseguir comprimento, ou três ou quatro, para comprimento E volume. Fiquei felicíssima com o resultado, tanto que usei quase só ela no resto da viagem todo.
Deixei pro finalzinho o motivo creuzo que foi a primeira coisa em que eu pensei quando vi essa caixinha pra vender: a máscara acaba um dia, ou vence, certo? Mas os aplicadores continuam, não vencem nunca! Depois de uma boa lavagem e higienização pra matar eventuais bactérias, o aplicador do produto caro pode ser usado com o rímel baratinho da farmácia sem problema algum!
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