Eu, apenas porque ainda não tive oportunidade de ler e estudar ( e escrever sobre) tudo que gostaria na minha vida, não conheço muitos trabalhos que abordem os temas Moda e Psicanálise.
Mas você, que é esperto (a), cheio(a) de disposição e é estudante de Moda ou apenas um interessado dedicado com tempo de sobra, escute-me: é uma das intersecções mais interessantes que há. E como é pouco explorada, tem muito campo de estudo e produção pela frente.
Eu já li alguma coisa, especialmente nos livros sobre História da Moda, que faz referência à íntima relação entre a dedicação à tarefa de se adornar e a Histeria. Mas o que li de mais interessante sobre isso está num livro da área psicanalítica ( que eu indico para qualquer curioso de plantão porque é acessível e muito gostoso de ser lido): A histérica, o sexo e o médico, Lucien Israël, São Paulo: Escuta, 1995.
E acho que com o senso comum que todos temos sobre a histeria ( piti, ataque histérico, Fulana tá histérica, etc...) já dá pra eu contar uma coisa curiosa sobre a moda e a histeria que tá escrita lá. Porque não, eu não vou me arriscar a falar sobre algo a que Freud dedicou toda a obra da sua vida em um parágrafo.
No livro, o autor chama a atenção pra uma questão não usualmente discutida nos círculos da moda: como as mulheres são obcecadas em adornar as partes finas do corpo - pescoço, pulsos, cintura, pés, orelhas, dedos. Ele observa que são estas as partes do corpo que denotam maior fragilidade, por estarem associadas a artérias vitais muito superficiais. E claro, ele conclui que nós histéricas jogamos com isso - adornamos bem ali, naquele lugar ameaçador, jogando com a sexualidade implícita da morte, insinuando a nossa fragilidade de fêmeas e ao mesmo tempo nosso poder de brincar com a vida. Adornamos também para fugir, para dissimular, para esquecer esta implacável realidade do corpo que é a morte.
Eu achei esta observação muito pertinente pois se traçarmos uma história da Moda desde os gregos até nós, isso, de adornar as partes delgadas do corpo, é algo que se mantém bem nitidamente, é uma constante. E não é muito curioso isso, de que algo na história da vontade humana de se adornar tenha se mantido constante durante tantas eras? Ah, como é bom pensar!



ah, uma contribuição para a reflexão: e que tal os decotes profundos, deixando o coração vulnerável?
ResponderExcluirAdorei este post, Maura! E o assunto parece ser muito interessante... Vou dar uma procurada nas livrarias virtuais pra ver se acho o livro!
ResponderExcluirBeijos