sábado, 15 de maio de 2010

O meu personal Didi Mocó

Eu sei que é  época de dia das mães e tudo.

E eu amo minha mãe mais que tudo, aliás, o que a gente sente por mãe e muito mais do que amor, é inominável.

Só que vocês vão me desculpar eu fugir do tema, mas quero falar é do meu pai.
Meu pai é um sujeito simples. Meu pai é um cara da terra, uma formiguinha trabalhadora. Conseguiu muita coisa com o suor do seu trabalho e mais nada. Não puxou saco. Não viajou ao exterior. Não conhece gente influente ( que diabo é isso, aliás?). Não comprou carros importados.  Não foi convidado para festas dos bacanas. Não, meu pai nunca quis saber de nada disso. Não teve os filhos médicos e nem advogados para exibir por aí. Tudo que o meu pai queria era superar sua infância pobre, cuidar bem da família dele, nos dar educação e se possível, tomar uma cerveja no domingo no seu próprio quinhão de terra.

Mas o melhor do meu pai é que ele é tão, mas tão genuíno que nada deste mundo torpe tem algum sentido pra ele e isso é cômico. Ele não quer saber de quem você é filho ou se ele sabe com quem está falando. Ele se lixa pro aniversário do chefe dele, afinal, ele trabalha pro povo brasileiro e não pro chefe. Ele não sabe o nome dos carros  grandes ou importados portanto nem adianta querer contar alguma vantagem pra ele em cima disso. Ele não vai querer ser seu amigo porque vc trabalha no Detran e vai salvá-lo das multas por excesso de velocidade. Ele não faz média com ninguém porque, ué, o que ele vai ganhar com isso? Um troquinho? Uma vantagem pra contar numa roda de bar? Não, meu pai não é deste tamanho (zinho).  Miséria pouca, como ele adora dizer, é bobagem.

O meu pai é muito engraçado, parece o Didi Mocó. Porque ele faz pastelão de todas essas coisas sisudas do mundo. Tudo que ele fala é tão bonito, tão verdadeiro e os olhos verdes dele sempre brilham quando ele tem algo professoral pra dizer pra gente. Quando ele sorri, a gente consegue entrever o moleque de rua livre e safo que ele foi e que, segundo ele mesmo, está voltando a ser. Ao invés de nos ensinar a "se dar bem na vida" o meu pai nos ensinou coisa mágicas que ninguém ensina e verdades que todo mundo tem medo de dizer. Ele nos criou livres de regras de submissão e poder.

Foi ele quem me disse que não existe gente má. Existe gente fraca, equivocada e que precisa da nossa atenção. Porque de fato, somos todos maus e bons e meu pai nos ensinou a olharmos com compaixão e nunca com superioridade para os pobres diabos que somos, tão  pequenos e iguais na nossa condição humana. Meu pai nos ensinou que nenhuma drama da vida é tão sério e tão definitivo e sempre soube rir de si mesmo e de seus percalços. Meu pai nos ensinou a trabalhar e cuidar com amor e dedicação do que a gente tem ao invés de ficar cobiçando o que a gente não tem. " Concentre-se, cuide da sua vida, seu maior adversário é você mesmo, vença-o e você terá tudo que quer". Meu pai nos ensinou que a compreenssão e o respeito ao próximo são a melhor forma de carinho, é o presente mais precioso que podemos dar e é o que todo mundo merece ( é dele a fase célebre: "dia das mães e dos pais é a desculpa que o povo dá pra justificar sentar o sarrafo neles em todos os outros dias do ano" hehehehe)

Meu pai diz que eu e meu irmão somos suas maiores paixões. E que os anos mais felizes da vida dele foram aqueles em que éramos, pequenos, vítimas de cócegas torturantes em sua cama.

Meu pai acha que sabe dançar e é o xodó de todas as meninas da família.

É meu pai agora quem mora longe e eu morro de saudades dele.

3 comentários:

  1. Tb fiquei emocionada com o texto, bateu uma MEGA saudade do meu pai.

    O pai da gente é o nosso Super herói né?

    O meu era o Huckão, quiném o filme!hihi...

    Bjão!

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  2. Como sempre Maura, seus textos nos emocionam muito. Belas as tuas palavras. Beijos.

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