domingo, 1 de agosto de 2010

A teoria da cebola

Durante toda minha vida, ou ao menos desde quando comecei a ser sujeito de uma certa racionalidade, eu busquei a essência das coisas.

O mais profundo, o mais radical, o âmago, o cerne, o cordão vital do que quer que fosse em que eu me metesse: eu queria era ver o oco.

Talvez nesta minha busca eu possa ter dado a entender que fosse carente ou desprovida de coisas que eu julgava não essenciais tais como: dinheiro, carros, grifes, títulos, puxa-sacos, convites, celulares que tocam a todo minuto, mil amigos de ocasião.

Isso porque eu nunca liguei pra nada disso ainda que, se quisesse, pudesse me cercar de várias dessas coisas. Eu era uma adolescente bonita e tripudiava em cima disso. Rica, bem nascida, inteligente, instruída. Cuspia mil vezes no prato burguês onde eu comia. Nunca pensei em acumular prestígio, seguidores, vantagens para contar em mesas de bar. Como eu disse, o que eu queria mesmo era saber da alma das coisas. Ávida, inquieta, questionadora, intensa. Psicanálise, aulas de Filosofia, drogas,  amores, mestrados consecutivos, mudanças de país: buscando, buscando sempre um sentido maior, um fundo mais fundo no poço.

Hoje percebo que isto gerou um erro de interpretação  na maneira como sou percebida: muitos me percebem como coitada, sonsa, perdida, falida, fracassada e por aí vai.

Até que recentemente eu descobri que todas as coisas deste mundo são cebolas: se a gente for tirando cascas procurando o que tem dentro vai acabar  dando com as mãos vazias. A cebola, como nós, é a sua casca. E cada uma de suas pétalas são exatamente  o mais próprio, o essencial do que a cebola é: cebola. Nada além, nada aquém.

E agora que sei disso, eu vim deixar um recado. Eu, the looser,  entrei na roda dança e eu SEI dançar, ô, se sei. Eu posso não ter encontrado o âmago da existência, que não existe mesmo. Mas procurando, eu fui além.

Tremei.

3 comentários:

  1. Acho tão profundas suas incursões... fico feliz de poder ler e compartilhar. a vida é isso, essa estrada cheia de descobertas... as vezes não enxergamos uma barranco e isso pode nos destroçar! mas sigamos... à frente rimos de muitas coisas... talvez hoje prevaleça a dor! beijos. Erika

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  2. Aprendi que de vez em quando vem um carrossel que gira, carregando momentos mansos e outros nem tanto, ou trazendo os mortos de volta em cada coisa que a gente faz na vida. Desde cedo aprendi que tragédia e comédia trocam de roupa no mesmo lugar.(...). - Ronaldo Fraga - "Festa no Céu", do livro Aprendi Com Minha Mãe, de Cristina Ramalho.

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  3. Feliz em ver você assim amiga. Beijos

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