Tem uma coisa que toda mulher faz ( mas se vc é homem e faz também, não se acanhe, é melhor ainda) que é sonhar pelos outros.
Sabe quando aquele nosso ficante da adolescência chega na festinha, vestido ridiculamente, o rosto cheio de espinhas e aquela barba pueril? E o nosso coração quase sai pela boca de amor? Sabe por que?
Porque a gente não olha e vê apenas um adolescente ridículo, como todos os outros adolescentes, inclusive nós mesmas, à época. A gente vê o potencial daquele sujeito. A gente logo pensa como ele ficaria lindo com o cabelo cortado um pouco mais curto. A gente, lá no nosso photoshop feminino, veste um terno no carinha e rasga a camiseta regata- ou o inverso. A gente imagina ele sentado à mesa, enquanto servimos o café da manha e as crianças comem felizes, no melhor estilo margarina ( tá, claro que a gente sabe que isso não existe, mas sonhar ainda pode, não?). A gente imagina ele na cama, do jeito mais gostoso. A gente imagina que ele vai nos presentear com poesias, nos abraçar, nos proteger. A gente também o imagina brincando com os filhos, lavando a louça, fazendo o jantar. A gente vai mudando os cenários, diálogos, figurinos. Careta, fashion, rock'n'roll. Praia, neve, casa dos nossos pais, escola das crianças, hospital.
E quando a gente olha pro carinha de novo, o mais impressionante é que a gente não se sente desapontada. A gente simplesmente acredita que tem o poder de transformá-lo em tudo aquilo. E o pior é que eu boto a maior fé de que temos mesmo. Só depende de uma única coisa: um sim. Sim, eu recebo seu sonho, eu o acolho. Não se trata - e isso tb é importante deixar claro para os mocinhos - de corresponder as expectativas femininas. Trata-se de se deixar transformar no enquanto da relação. Não dói e nem arranca pedaço, juro.
Normalmente, essa capacidade que nós meninas temos de construir todo este imaginário, nutrí-lo, sustentá-lo é muito mal vista. Os fracos, então, logo apontam o dedo: sonhadora, louca, grudenta, neurótica. Cai na real, se liga.
Acontece que a única diferença entre este homem maravilhoso em cenários paradisíacos e o adolescente que provavelmente nunca vai deixar de sê-lo, é a capacidade que o sujeito teve de se deixar ser objeto de sonho feminino. Simples.
Porque sonho feminino, minha gente, é o poder. A única coisa que o cara precisa fazer é não resistir. O que, ironicamente, é uma coisa bem rara: qualquer projeto mínimo de futuro que a gente comunique a um homem é pretexto para fuga, na grande parte das vezes. Poucos são aqueles que se deixam levar docilmente pelos sonhos. Pouquíssimos são os outros que colaboram no enredo do sonho- mas isso é outra história, eu bem acho que nós mulheres não sabemos muito bem como receber esta colaboração. Sonho de moça só não é mais poderoso porque a sociedade o perverte, desde sempre, e nos conta que sonhar é inútil, que não servimos para nada prático, etc, e nós, infelizmente, compramos a baboseira e acreditamos.
Mas vai por mim: nem precisa sonhar com ela. Deixe ela sonhar com você. Et voilá.

Bem verdade isso que falou, Maura! Até tem a corrente das piadinhas clássicas que dizem que a mulher quer mudar o homem e ele, irredutível (tem que ser, pra não ser chamado de frouxo), não se deixa mudar...
ResponderExcluirAcho a maior graça nisso. Quer dizer que as pessoas, quando num relacionamento, não devem mudar nada? Acho estranho.
Enfim, eu sou abençoada, e pra mim as coisas aconteceram naturalmente, com os dois sonhando juntos...
Beijos
Maura, achei interessante a proposta apresentada no post.
ResponderExcluirCom certeza valeu a pena passar por aqui.
bjs