quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vá cuidar das suas panelas

Quando comecei o blog, idealizei  que uma sessão culinária faria parte dele.

E blog vai, blog vem, nada de eu tomar coragem pra começar.

Sou boa cozinheira ( testemunhas?) mas cozinhar para mim é tão profundamente associado a alegria e comunhão que nas fases difíceis não chego nem perto das panelas. Você vai me encontrar facilmente comendo qualquer gororoba megacalórica, sem questão. Mas confesso que desde menina nunca tinha sofrido um período de desinteresse tão grande e profundo. Cheguei a pensar que tinha perdido meu dom.
nem mesmo a coluna culinária assinada pela melhor culinarista que eu conheço eu tive ganas de editar.

Não sei o que me deu hoje. Olhei pra minha mãe e disse: vou fazer tempurá de legumes! Não me perguntem de onde veio esta idéia, deve ter sido das profundezas sombrias do meu inconsciente. Não pensei na dieta que estava indo bem, obrigada. Nunca tinha feito. Procurei uma receita na internet, escolhi a mais simples e fui tirando legumes da geladeira e  picando,tchá,tchá, tchá, empanando: rapidinho estava pronto. E como Deus sempre apoia nossas iniciativas do bem, calhou da receita ser ótima, de ter muitos legumes na geladeira, de todo mundo estar reunido em casa na véspera do feriado e da Inês estar com muita fome. Além, claro, do tempurá ter saído maravilhoso.

Cozinhar é reunir, é amar, dar de si. É mágico.

Não vou passar ainda a receita do Tempurá  para não tomar a dianteira  da minha amiga Flávia Nunes  que comandará lá de BH nossa coluna " Vá cuidar das suas panelas". Vou apenas avisar que segurem-se na dieta. Vem muito quitute por aí.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Going Vain: After Party, da Tigi


Hoje eu, atrasada como sempre, vou falar do meu finalizador predileto de todos os tempos da última semana: o After Party da TIGI. A primeira coisa que a gente nota quando o pega nas mãos (além da embalagem bizarra, claro) é que não há exatamente instruções de como usá-lo. Comprei depois de ler várias resenhas em blogs, e ouvir muitas recomendações de amigas, depois das quais concluí que o After Party é isso aí: um 'embelezador' de cabelos.


Claro que contribuem pra compra o fato de ela ser no exterior (aqui ele custa os olhos da cara, e nos EUA custa a bagatela de 18 dólares - o que também não é aquela coisa baraaaata) e o cheirinho do produto ser um mix frutal delicioso, e você fica imaginando sair com os cabelos cheirando deliciosamente. Mas devagar com a louça, tá? Quem tem cabelo oleoso como o meu dificilmente pode se jogar no After Party de modo que o cabelo fique todo com o perfume dele. Não dá: cheiroso vai ficar, mas vai parecer que você não lava as madeixas há um mês. Já quem tem os cabelos secos, pode usar um pouco mais, sem medo.


'E como você o usa, Joo?' Bom, coloco na mão uma 'ervilhinha' de produto, bem pequena mesmo (o que também é uma vantagem, já que um tubo do produto dura por uma vida), e espalho friccionando as palmas uma na outra. Daí, bem de leve, passo o produto da raiz às pontas, sobretudo sobre aqueles cabelinhos novos e revoltados, para abaixá-los. O que sobra, espalho nas pontas, que costumam ser as partes mais secas do meu cabelo (e do cabelo de todo mundo, claro). Faço isso com o cabelo seco, espero um pouco e penteio como de costume.


O resultado? O cabelo fica muito brihante, com o frizz bem controlado e um cheirinho bom, que não dura lá essas coisas. Fica com cara de que acabou de sair do salão, mesmo. Usar após a chapinha ou escova é garantia de sucesso absoluto, mesmo pros cabelos mais ressecadinhos - ele dá aos fios aquela cara de bem tratado. Conclusão: mais do que aprovado!


(imagem daqui)

Amuleto


Já viram os olhos da minha menina? São doces, brilhantes, maduros, tão maduros. Alma velha.
Que privilégio, Meu Deus!
Sigo honrando-a e aos meus leitores assíduos : gente fina, elegante e sincera sim, mas tb pensante.
Almas lapidadas e elevadas.

O resto vá-de-retro, por obséquio.
E na dúvida, chuto, é macumba : Volta pro mar, oferenda!

Bom dia, Comunidade :)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Currupaco-rupaco-rupaco

Eu adoro histórias, livros, pessoas, países, blogs, revistas ou seja lá o que for que se atenha ao supérfluo com afinco. Eu acho que é de uma maestria impressionante. Pensem bem: tratar com afinco de assuntos importantes é louvável mas é meio óbvio. E felizmente tem muita, muita gente que não tem nenhum problema em ser óbvio e vai lá e estuda com afinco a Física, a Literatura e discute, e reflete e formula teorias. Sempre digo aos meus amigos católicos mais radicais que não há porque desconfiar da ciência: se Deus mora em algum lugar, é no brilhantismo dos cientistas.

Mas eu acho mais interessante quem trata com seriedade aquilo que ninguém dá importância tipo flores azuis ou fotos de conchas ou penteados de cabelo para cachorros ou sabores novos de salsicha. Isso me impressiona porque exige uma auto-autorização e uma auto-estima bem grandes. Exige um grau de desprendimento que só pode ser genial. É solitário sim, mas cheio de espírito, de leveza. Deus também mora na persistência e na paixão dessas pessoas.

De modo que eu entendo que seja louvável se ater ao louvável e que seja admirável se ater ao dispensável e ao irrelevante.

O que eu francamente não entendo são os "Papagaios de Pirata".

Eles não se atém a nada com muita seriedade, nem mesmo ao puxa-saquismo. Sim, porque o bom puxa-saco já subiu na vida e não se presta a isso. Sabe aquela pessoa que sempre aparece na foto onde estão o artista, o patrocinador, o arquiteto, o engenheiro e uma cabecinha logo ali acima do ombro esquerdo do célebre artista que é...quem é você mesmo? Ah, já sei: É amigo do artista pegando como quem não quer nada uma carona no talento de alguém.

E como eles se reproduzem. Sutilmente aparecem em todo lugar, em todas as fotos tem ao menos um. a E eles escrevem livros ( aqueles tipos assim "Tirando lições do 'Pai rico, Pai pobre'). E eles fazem blogs. assinam seus textos e podem até tê-los escrito mas certamente estão na rabeira criativa de alguém. E ficam famosos e dão palestras em que a gente eventualmente precisa comparecer mas acaba se perguntando: mas...o que é esta pessoa mesmo? E o mais incrível: alguém pensa que eles são relevantes!!!

É tipo a Luma de Oliveira. Não é atriz. Não é cantora. Não é empresária. Não é esportista.  Não é a Mulher Melancia. Ela é a Luma de Oliveira e desfila no Carnaval, oras. Nada demais, a não ser que ela comece a dar palestras, escrever livros, fazer filmes aos quais eu seja obrigada a atender.

Eu morro na miséria e na solidão mas papagaio de pirata comigo não se cria. Estes blogs/livros/revistas/filmes sobre o nada,  que não acrescentam nada, que fazem sorteio de coisas miúdas (  talvez se fosse um carro...), que tem um milhão de seguidores fanáticos com atrofia no cérebro que nunca dizem nada  digno de publicação e cujo autor além de ser um  enigmático nada  não se dá sequer a objeto de simpatia ou antipatia contando um pouco da sua vida pessoal...Uma se dá bem porque supostamente faz alguma coisa pra uma revista teen ( e isso é lá coisa para alguém se gabar de fazer, miguxas?). A outra é a filha do coveiro mais rico do nordeste. A outra é ex-modelo, ex-atriz, ex-cantora, que ninguém sabe da onde veio, pra onde vai e como ficou famosa mas é  it, muito it e rica, muito rica.

E assim caminha a humanidade. Minha filha aprendeu a me imitar, ela suspira e fala "ai, ai, ai 'ti piguixa, mamãe' ". É ou não é uma gênia?

domingo, 18 de abril de 2010

Sobre ( o meu) tempo

Sabe por que não dou mais as caras por aqui? O motivo é simples e nada nobre: estou gordinha.

Eu sei que é super hiper anti politicamente correto mas vou falar: não me suporto gorda! Deteeeesto, poucas coisas abalam tanto minha auto-estima. E nas fotos, então? Aff, a gente olha e pensa: Meu Deus como essa indivídua (eu mesma) teve coragem de posar pra fotas deste tamanho? E além disso: Quem deixou essa baleia aparecer na foto? ( eu sou cruel comigo mesma, eu sei)

Eu acho muitas pessoas bonitas gordinhas. Aliás, tem muitas meninas que ficam muito melhores mais gordinhas. Tem gente que tem o rosto muito afilado ou a ossatura muito aparente e simplesmente uma camada adiposa mais grossa ali cai muito bem. Tenho amigas e primas nesta categoria. Mas não é o meu caso e nem o caso da maioria, infelizmente.

E já tentei fazer uma auto lavagem cerebral para aceitar um corpo maiorzinho. Afinal, eu passei do 38 ao 40 ( estive no 42 no pós-parto, mas durou pouco, ufa!) e todo mundo diz que não é assim um grande drama. E tá, eu compreendo, não é assim um grande drama. E eu sou boa de garfo, aqui em casa todas cozinhamos bem, isso não é algo que eu esteja disposta a abrir mão. E a vida é dura, falta tempo ou a gente simplesmente se descoordena com ele, priorizamos as prioridades, temos sentimentos...  Forço uma barra, mas pra mim fatpride simplesmente não acontece. Não acho que alguém vá se interessar por mim com esta pança, tenho vergonha de usar biquini, não compro roupas um número maior então não me visto como gostaria,  não saio de casa e resumindo, não vivo com toda potência que tenho direito.

Bom, tendo chegado a esta constatação apenas recentemente, tratei de tirar a ratoeira do bolso e contratar um personal pra complementar o meu pilates, que foi ótimo e me fez perder peso nos primeiros meses, mas agora meio que anda pedindo uma turbinada. Comecei a correr há apenas 1 semana e já me sinto muito melhor.

Sabe aquela brincadeira de coordenação motora em que pedem pra gente girar uma mão na barriga e bater na cabeça com a outra? Pois é, um dia me ensinaram o macete de jamais começar as duas ao mesmo tempo. Primeiro vc bate lá e qd já estiver craque, adciona o giro aqui. Meio que eu acho que este é o pulo do gato pra muitas coisas na vida. A gente fala: de segunda feira não passa! E na segunda começamos a malhar, cortamos os doces ( e a comida, ao bem da verdade) e mudamos todos os nossos horários. Pode até ser que o radicalismo dê certo para algumas pessoas mas na minha experiência é fracasso na certa. Por que é uma realidade muito diferente da que eu vivo normalmente para ser reconhecida como minha por meu cérebro resistente e então acabo deixando-a de lado.

É preciso astúcia pra enganar a casa de máquinas. Mas hoje ( domingo!!!!!!) eu fiz uma caminhada logo cedo e me caiu tão bem, tão bem que parecia óbvio que aquilo deveria ser feito. Não me violentou, não foi contra minhas crenças ideológicas, não foi um sacrifício. Foi bom e natural.

Me fez lembrar que há o tempo de maturação pra tudo neste mundo, inclusive para uma simples caminhada se tornar apropriada.

sábado, 17 de abril de 2010

A indolente do rímel falando sobre...rímel!

Não, não é que eu faça pouco do rímel ( eu falo rímel, tá? Não falo máscara para cílios porque é muito complicado). Eu reconheço o seu valor e totalmente entendo quando a Sandy diz que usa três tipos diferentes de rímel ao mesmo tempo para obter o efeito que ela quer nos cílios.

O problema é que tenho preguiça. Gosto de dormir até o último minuto e passar rímel toma um certo tempo. Não se vc for passar só o rímel. Mas é que eu não compreendo a existência do rímel sem um curvex prévio. Aliás, eu não entendo porque isso não vem alertado na embalagem do rímel: este produto deve ser usado acompanhado de curvador de cílios para se obter os melhores resultados. Não. Ao invés disso, eles prometem mundos e fundos: curvam, aumentam, encorpam, alongam, hidratam. O que pode até ser verdade mas esta verdade é elevada a oitava potência ( aquela em que realmente a diferença se faz notável a olhos nus) com o curvex. Daí que não uso rímel e ainda acho bonito bancar a junkie: mando ver logo  cedo um lápis marrom na linha dos cílios inferiores e borro bastante com o dedo ( eu não sei se iso é o que chamam de esfumar, pode ser que sim) pra parecer que usei rímel na noitada de ontem e levantei assim, heroin chic.

Claro que meus olhos saltaram  de cobiça quando vi a promessa do rímel da tarte o 4 days stay lash stain.
O produto promete deixar os cílios tingidos e volumosos por 4 dias sem reaplicação, não importando se o seu programa é um mergulho na piscina ou uma chuveirada. Que idéia boa, não é? Eu usaria o combo curvex+ rímel uma vez a cada 4 dias!! Perfeito. Pena que não funciona exatamente assim.

Por causa da resenha da Joo sobre o Lashstash da Sephora  para a qual ela tb testou o 4 days, fui com menos sede ao pote e já estava antevendo um certo cuidado na hora de lava ro rosto. Porque eu queria muito, muito que aquilo funcionasse.

O 4 days é um ótimo rímel. Fácil de aplicar, o efeito se faz sentir logo na primeira camada. A gente precisa desconsiderar um cheiro meio forte de tinta de parede mas, pensando no benefício de ficar 4 dias sem reaplicá-lo, não foi muito complicado. E a fixação dele é ótima. Pode ir pra sua piscina e chorar rios de lágrimas sem dó. Ele vai ficar lá. Mas não, você não pode lavar o rosto mesmo com muito cuidado. Ele sai e fica estranho, porque não sai completamente. Daí vc passa o seu removedor  de maquiagem bifásico mais potente e ainda assim partículas indesejadas de tinta grossa permanecem agarradas nos cílios. Daí vc repete todo o procedimento e esfrega, esfrega e o produto enfim saí. E vc sai de olhos vermelhos e irritados.

E porque então eu vou concluir que amei este rímel? Simples, gente. Meu segundo nome é  Dark e eu amo o visual maquiagem mal tirada. Achei que é um ótimo rímel, de grande durabilidade com o plus de lá pelo segundo dia te deixar com uma cara sexy de sim, minhas noites são movimentadas and I don't care what you think. Pra vcs verem, o que é problema para uns é a solução de outros. Ainda bem!

Por uma abordagem aprofundada da moda (ou sou anti-blogs de moda)

Não é de hoje que  sou fascinada por m o d a, estudiosa apaixonada do tema e que, ao mesmo tempo, tenho dificuldades para acatar as regras de inclusão para participar deste universo.

A minha primeira incursão formal no universo da moda foi em NY. Eu já era psicóloga, já trabalhava há 4 anos num Hospital-dia reconhecido quando meu marido (na época) foi transferido para NY. E eu, fui com ele. Eu me lembro que estava muito cansada do meu trabalho em saúde mental. E que achei ótimo ter a chance de me desligar dele para repensar escolhas profissionais.

Em outro país me senti livre e isso foi um fator decisivo para que eu assumisse minha paixão por moda. Eu sempre gostei mas me sentia intimidada por um julgamento que eu atribuía aos meus pares e familiares mas que no fundo, no fundo era um preconceito que eu mesma alimentava: moda é um troço  vazio e consumista de gente fútil. Preciso me livrar deste vício. Mas o interessante é que, morando na meca do consumo, o consumo em si me provocava uma sensaço de fastio e deu a deixa para que eu procurasse outras abordagens de moda.

Comecei comprando muitos livros incríveis em sebos. De história da moda, de moda e cultura, e livros vintage de fotos de moda. Muitos, muitos mesmo, eu trouxe uma mala deles. E lendo e estudando me animei e fazer um curso na Parsons. E depois outro. De modo que cheguei  de volta ao Brasil decidida a mudar de carreira.
Fiz vestibular e ganhei bolsa para cursar a única faculdade de moda que existia em Brasília na época.

Comecei, mas a sensação já não era a mesma. As pessoas ligadas a moda tinham sim este perfil fútil, consumista e superficial que eu abominava.  Estavam lá para serem vistas e não para aprender. Havia também uma competição de quem se vestia melhor, quem tinha coisas mais "in" e quem conhecia mais de perto os bastidores dos desfiles e estilistas. Era um verdadeiro mundo a la " O Diabo veste Prada". Valores distorcidos, fura-olhos e muita, muita cabeça de vento. Estudar? Nem pensar. Isso é para os filósofosos, médicos, etc. We are too sexy for school.

Felizmente eu não tinha deixado meu emprego e larguei o curso de moda sem grandes dilemas.

Mas nunca mais deixei de acompanhar, de ler e de me manifestar sobre este tema. Sou apaixonada pelas diversas áreas do saber que podem ser sintetizadas numa peça de roupa. História da moda é fascinante. Aspectos culturais, políticos e econômicos que influenciam a concepção de ser humano que valorizamos a um determinado tempo são  muito esclarecedores sobre o modo que nos vestimos, as tendências de moda e como nos colocamos individualmente frente a isso. Os modos de criação e produção da indústria da moda são muitas vezes inovadores, originais e interessantísimos. Psicanálise e aspectos inconscientes e sexuais da moda, nem se fala, chego a chorar de emoção.  Mesmo o lado estético simplesmente, se não existisse nenhum outro, já me bastaria: é comovente o ato particular e pessoal de se fazer belo. De se fazer amável aos olhos dos outros.

Acompanho também os jovens talentos brasileiros. Acho que é neles que a gente pode ver a moda genuína, antes de entrar na máquina capitalista de produção em série, troca de favores e podridões do gênero.

Ainda assim, com tanta paixão e conhecimento, tenho muita dificuldade de me inserir no universo da moda.
Não me encaixo, por exemplo, na categoria de blogs de moda. Eu os detesto todos ( ok, quase todos).
Já falei aqui sobre o que eu penso dos blogs "Looks do dia". Ainda que a idéia seja muito boa, a execução dela precisaria ser mais espirituosa de modo que não se descambe pro lado de uma campanha pró-consumo, pró- grifes ou pró qualquer coisa sinistra que deturpe ainda mais a abordagem da Moda. Aliás, são as pessoas do mundo da moda as grandes responsáveis pelo subjulgamento deste campo tanto como expressão artísca quanto como ciência histórica. Pra  maior parte delas o negócio é comprar, ter e mostrar. Além de estipular, sutilmente ou não, o que é cool e o que não é. Isso, claro, é o grande fator hierárquico: é melhor aquele que manda mais no que  serão as tendências e angariam mais seguidores.

Eu quase sempre me lembro, na minha ronda eventual de excluída que observa os blogs de moda, de uma propaganda na Tv que foi veiculada por curto período e logo depois proibida. O comercial  dos anos 90 consistia em uma criança mostrando um objeto e dizendo: " Eu tenho. Você não tem-ê",  lema repetido à exaustão.
Fico impressionada também com o engessamento que as pessoas fazem de si mesmas e da sua interpretação da moda quando, para mim, moda é justamente o contrário disso. " Eu sou rocker e romântica portanto meu estilo é este". "Já eu sou vintage, portanto estou condenada a gostar de tudo que é vintage e a me vestir de forma condizente". Gente, que povo tão unívoco, né não? Eu sou tantas coisas...

Para terminar desintalando minha pobre garganta, vou dividir a última que me aconteceu em mais uma tentativa fracassada de abraçar o universo da moda e seus problemas: fui limada de uma lista de 23 blogs porque eu era "muito complexa". Sim, gente, foram estas as palavras: " é isso que me incomoda em você, essa complexidade." Pois é, é essa complexidade justamente que comportou, por mais de uma vez,  o trabalho  empenhado e generoso de 23 blogueiras de moda em uma só.

Claro que me chateei muito na época.  Separada, lascada e me desfazendo das minhas roupas para pagar as contas, eu precisava mesmo da ajuda e da divulgação do brechó nos blogs de moda.  Mas nada como uma resistência no caminho para gente se tornar ainda mais forte. Encontrei outra maneira de pagar minhas dívidas ( porque entendi rápido que não, não iria me vender a este ponto), me joguei nos livros - ah, os livros, são consolo e solução para quase todos os problemas- e sigo com meu brechó por prazer e amor e com o blog de moda  e cositas mas à minha moda.

E deixo aqui o meu manifesto: Por uma moda complexa, acolhida em seus múltiplos aspectos e agregadora.