Eu ainda não sei como fazer o que eu tenho para escrever soar o menos dramático possível. Acho que é porque, no fundo, escrevo justamente para tornar o que sinto menos dramático, menos triste. Escrevo para dar conta do meu desgosto, como tantos escreveram antes de mim.
Então, tentando não engasgar no meu próprio sentimentalismo e não me sufocar na pieguice, vou falar sobre o dia das mães que me aguarda.
Aqui em casa, meus pais nos ensinaram a nunca dar valor a essas datas meramente comerciais, feitas para tirar dinheiro da gente. E por muitos anos, assim foi: não fosse o bombardeio de propagandas, nem nos daríamos conta do dia das mães. Isso mudou um pouco de figura quando engravidei e comecei a chorar com qualquer comercial de fraldas, imagine então com os de dia das mães. Mas ainda assim, por sorte, meus dois primeiros dias da mãe como mãe eu passei morando em outro país. E por incrível que pareça, a diferença de cultura faz com que todas essas coisas nos pareçam alheias e distantes. Mesmo o dia das mães lá era comemorado em outra data.
Este ano não escapei. Me pegaram de jeito. Amargurada e com a batata-quente de ter toda a responsabilidade de educar uma criança que volta e meia me diz: " Papai xumiu. Sodadi." E o pior, escrevendo sobre isso no meu blog. Mas sabe por que faço isso ( além dos motivos óbvios e supracitados)? Porque tenho recebido, esporadicamente, alguns emails dizendo coisas mais ou menos assim: " Nossa, acho muito legal a maneira como você tirou de letra sua separação". Ou ainda: " Eu gostei de você porque eu também não acredito em casamento". Gente, estas interpretações, que talvez tenham se deixado induzir em alguma coisa que publico aqui, não poderiam ser mais equivocadas.
Eu acho que não lido bem com separação, nem a minha e nem a de ninguém. E nem pretendia que isso fosse diferente. Eu sofro com esta situação que além de tudo me era absolutamente estranha: meus pais são casados até hoje, não há casos de separação na minha família e jamais imaginei - ao menos eu fiz tudo no sentido de que isso não acontecesse- que criaria minha filha assim.
Ainda assim, não posso dizer que não acredito em casamento. Apenas um mês depois de eu ter sido sumariamente empurrada pra fora do meu casamento, meu irmão se casou e eu consegui dizer algumas palavras durante a festa. Disse que fui extremamente feliz no meu casamento. Que sou extremamente grata por ter testemunhado o casamento sólido dos meus pais, que é a base de tudo que eu me tornei. E que casamento é o propósito mais nobre que pode haver nesta vida besta. E assino embaixo até agora.
De modo que não, eu não sou a descolada do divórcio. Eu sonhava ter uma família como aquela em que eu cresci. Tá, melhor se fosse como aquela do comercial de margarina, mas essa eu já sabia que não existia. Eu estaria me preparando para engravidar novamente se estivesse (bem) casada e isso me corrói. Eu morro de inveja de todas as mulheres que não levam sozinhas seus filhos a festinhas de aniversário infantis. Eu me sinto terrivelmente mal quando vejo pais na reunião da escolinha. E eu gostaria de ganhar presente de dia das mães de um companheiro que reconhecesse a minha dedicação, já que a Inês ainda é muito pequena para compreender tudo isso.
Como isso definitivamente não será possível, me resta desejar um dia das mães maravilhoso para todas as melhores mães do mundo que me cercam. Não tenho nada de muito otimista ou positivo para ser dito agora, mas um dia voltarei a ter. A única coisa que posso dizer com certeza é: " Cuide bem do seu amor, seja quem ele for". Mas se for sua mãe, gente, não tem pra ninguém. Amor de mãe não existe, não há palavras em nenhuma língua capaz de expressá-lo. É a maior riqueza do mundo.
Eu queria de verdade que todas a mães fossem felizes, ao menos no dia das mães :)







