Eu ando pensando muito sobre a (minha) função materna.
Isso por si só já é um luxo que eu demorei aproximadamente 2 anos para reconquistar- pensar, assim, objetivamente, sobre essa coisa nem um pouco objetiva que aconteceu na minha vida que foi tornar-me mãe de alguém.
Olha, ser mãe é um negócio muito sério. Eu acho que está na categoria das outras duas coisas realmente graves da vida: nascer e morrer. Não por acaso, são todas experiências humanas inscritas na carne.
Eu ando pensando nisso porque agora "acumulo funções" outras que não a materna, coisa que ainda não tinha acontecido. E agora que o faço, acho muito equivocada esta expressão. Não, não é simplesmente um acúmulo de funções. Ser mãe é algo que perpassa todos os nossos planos, esferas, interesses e não sobra mais nem um pedacinho de nós que não tenha sido tocado por esta condição.
E sim, só agora entendi isso. Tá bom, eu sei que podem me chamar de louca ou de lesada, como assim uma mulher pode demorar quase dois anos pra retomar algum coisa que possa minimamente ser chamada de individualidade, blá e blá. E sabe o que eu vou responder? Eu não acredito em quem se recupera rápido. Mulheres são as rainhas do fake. Elas fingem. Fingem que vão trabalhar depois de míseros 4 meses de licença maternidade. Fingem que se interessam por sexo neste período. Fingem que se importam com whatever is it que não seja seu filho ou qualquer coisa que garanta mais 10 minutos de sono. Sim, nós fingimos e tão bem que até chegamos a acreditar na nossa própria farsa.
Agora, outros ainda ( é que eu teno muitas alteridades debatendo ferrenhamente dentro de mim, escuto todas, sabe?) pensarão: Bom, pudera essa doida pensar assim, não foi à toa que perdeu o marido.
Nhé, you've got a point here... E eu poderia até ficar triste e pesarosa, pôxa, porque não emagreci mais rápido, porque não fingi orgasmos, porque não colocava salto alto pra cuidar da minha bebê o dia todo, ou quem sabe, se ao menos eu tivesse passado um corretivo nas olheiras...
Mas aí é que tá: este milésimo de segundo em que me preparo para me deprimir produz imediatamente um outro pensamento, por processo lógico: hey, wait...Mas se eu tivesse feito isso tudo seria porque eu me importava com alguma coisa que não fosse horas de sono e milha filha. Wich, sorry to break it to you, I don't.
ESSA é a glória e a perdição de se tornar mãe: um amor inscrito na nossa carne, e não apenas na nossa história, ou alma, ou karma. E todo o resto fica tão insignificante. E JURO que embora eu tenha retomado alguns dos meus interesses prévios, não sei como me curar deste mal ( e como eu disse acima, hey, wait...I also get to don't give a shit).

Maura, eu tenho um filhote de 4 anos e ainda estou me adaptando às multifunções...
ResponderExcluirbjs
brechoparaquemechic@bol.com.br
E eu quero ter a chance de diminuir as obrigações, dedicar mais, passar mais do que uma hora por dia com a minha filha. Esta insuportável dessa forma que estou vivendo. Perdi a mão, não sei mais fazer tudo ao mesmo tempo e ser feliz com isso. Pronto, falei!
ResponderExcluirOi Maura!!!!
ResponderExcluirNossa, q texto profundo... vou ter reler mais algumas vezes, é daqueles textos q vamos absorvendo as ideias devagar, um parágrafo de cada vez. rs***
Vc sabe q a esposa de um amigo do meu marido me disse uma vez uma coisa q me marcou mto, o filho dela está com 2 anos... ela disse que "A MÃE AMA O FILHO DE UMA MANEIRA Q ELE NUNCA AMARÁ A SUA MÃE, E SÓ DEPOIS DA MATERNIDADE Q TOMAMOS CONSCIÊNCIA DISSO".
Não foi uma frase forte tb?
Eu achei...
E ainda reflito sobre ela.
Pq é verdade, eu como filha (e única) faço mta coisa pela minha mãe, na maioria das vezes é de coração e outras, pq TENHO q fazer (verdade, não vou ser hipócrita). Mas ela não, ela faz pq se preocupa até hj comigo. Se estou gripada, ela sai da casa dela a noite, p levar uma sopinha p mim. O amor e a preocupação maternal é diferente, não sei se é instinto, se é animal, se é característica da mãe latina...sei lá... só sei q é MTO FORTE essa relação da mãe com a sua cria.
E sabe o que mais?
Q bom q nós filhos(as) crescemos e não somos "tão" dependentes das nossas mães. Sinal q deu certo! Porquanto, somos criados p o mundo.
beijos e tenha um lindo dia!
Dri
Maura, adoro quando escreve sobre ser mãe, porque tem me ajudado muito nessa minha empreitada para tentar ser um dia. E gosto de ler o que vc escreve por uma grande razão: é verdadeiro.
ResponderExcluirBeijos