sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amor fundamental

A Inês acaba de descobrir a palavra amor.

Antigamente, quando ela estava muito entregue, apaixonada e feliz nos meus braços, dizia: "'bigada, mamãi". Isso porque a gente ensinou-a que sempre que alguém dá a ela algo que ela quer ou precisa ela deve retribuir com a palavra"obrigada". Daí ela associou a sensação de entrega, de intimidade e de amor àquele bem estar que sentimos quando estamos saciados do que queremos ou precisamos.  E abraçava e olhava toda séria pra mim e dizia "bigada". Well, well, não se pode dizer que ela estava enganda, e quem há de negar que está lhe é superior?  Ave mestre Caetano!
Dizem mesmo os linguísticos  mais fundamentalistas que a palavra amor tem a mesma raiz da palavra amparo e da palavra agrado ( de agradecer).

Mas essa coisa uber fofa ops escapuliu a corujice   de dizer bigada quando sentia muito carinho, durou pouco porque existe um ser monstruoso, roxo, que fala como se guardasse uma batata na boca que, pra piorar a situação, se chama "Barney". E sei lá porque cargas d'água o infeliz do Barney tem um enorme apelo com a criançada desta idade. E, quando ele abraça e expressa carinho, o lagarto roxo canta uma musiquinha tão infernal quanto ele, que se já é horrível em inglês, em português nos enche de vergonha: " Amo você, você me ama, somos uma família feliz..." E então Inês substituiu toda sua fofice agradecida pela musiquinha do Barney. 

Ok, era fofo ela cantando e ela até ganhou um bonequinho do Barney ( não de mim!) que ela abraçava e beijava mas, ufa, finalmente passou a febre. Passou porque ela descobriu- e queridos, linguagem é mágica, só há esta explicação- que o "amo" do "eu te amo" que eu digo a ela desde a  era da barriga é o mesmo "amo" da musiquinha " Amo você..." do Barney. E ela ficou tão encantada de descobrir esta coincidência e esta dádiva da linguagem- existe uma palavra para expressar o amor que a gente sente!- que agora é um tal de "eu amo a mamãe", "Mamãe, te amo", " eu te amo", " Inês te ama ( também para os cachorros, as bonecas, o iogurte de morango...) umas mil vezes ao dia. Ao ponto de eu me perguntar seriamente: será que existe um grau maior de uber fofice a ser atingido? Não creio ( porém, minha curta experiência de mãe me leva a desconfiar que em breve terei de mudar de opinião :).

3 comentários:

  1. Arrepiei com esse post!
    Vocês são muito fofas juntas!
    Bjs

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  2. Certeza que logo logo vc se supreenderá com mais algum gesto simples, natural e verdadeiro da sua filha... não tem como não!

    Beijos

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