quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Blooming Lovely

I'm gifted. And I do not mean "blessed", I mean gifted.

Eu sou bonita, brasileira, meu cabelo é liso, meus olhos são verdes e eu não tenho celulite. Eu sou superdotada- estudei numa classe especial para esses casos - e sábia e culta. Eu sou sensível, fluente em três línguas ( mas me viro em cinco) e já morei em vários países. Sim, eu conheço o mundo. Já fui casada mais de uma vez com homens essencialíssimos, que amarei eternamente, sei cozinhar, sei dançar, sou prendada. Como como homem, bebo como homem, transo como homem. Sou mais macho que MUITO homem. 

Sou rica, bem educada, sou elegante, articulada, agradável e bem nascida. Minha família é funcional e linda e o mais importante: me preenche. Sou psicóloga, sou filósofa, leio um livro por semana desde os 13 anos de idade e trabalhei em Hospital Psiquiátrico- quem já o fez, sabe que ninguém passa por isso sem se iluminar ( ou seja: se resignar ao fato de que somos todos demasiado humanos para perder tempo).  Sou mãe de uma menina linda, o que significa que já tive a graça de realizar meu maior sonho.

E sabem, eu não tenho intenção de ser esnobe, pedante e muito menos de machucar ninguém. Mas essas coisas que eu sou fazem parte de mim de maneira tão intrincada que não me sinto inclinada a tentar  explicá-las ou convencer ninguém delas. E uma vez que você toma pé das coisas que se é e se sabe, e uma vez que você tenha visto as coisas que eu vi, você simplesmente não consegue ser óbvio, pequeno ou fácil, não mais. Nem mesmo fingindo.  Eu não sou comum, eu não sou maioria e não me desculpo mais por isso.  Se você não pode compreender o fato de que esta seja a minha natureza, por favor, não nos dê trabalho em vão. Não espalhe intolerância. 


Eu penso e costumo compartilhar minhas idéias porque minha concepção de mundo é dialógica (e não monológica). Eu sempre tenho esperança de ensinar e aprender, me reconhecer e me diferenciar. Não tenho nada a perder, a não ser a admiração daqueles que me amam exatamente por eu ser isso que sou. E eu não sou  gente sem brios. Porque a flor da minha pele não permite.

Às vezes até finjo que sou infeliz e banco a vítima mas a verdade é que minha cartela de adjetivos é muito mais complexa do que "fodona"/" looser" ou qualquer binômio do tipo, e com o passar do anos,  esta farsa vai ficando cada vez menos convincente. A vida da gente acontece da maneira como a gente a concebe: em geral é tão bonita e singular quanto permitimos que ela seja. Convido voce a sustentar a beleza,  a suportar a graça, a felicidade, o exercício da filosofia e do livre-arbítrio, a desfrutar o privilégio do encontro para além da rigidez dos rótulos. E a mergulhar, uma vez que seu porto esteja  seguro. 

4 comentários:

  1. Maura, seu texto me fez pensar numa coisa interessante. Cresci numa família onde ser "humilde", ou melhor, esconder suas qualidades, é que é bonito. Somos todos muito discretos com as nossas qualidades. Mas não admitimos que as pessoas nos tratem como "zé ninguéns" porque, afinal de contas, somos inteligentes, sensíveis, bondosos, bem sucedidos, bonitos, e outras qualidades que tentamos esconder... Não é um contrasenso da nossa parte?

    Puxa, eu já imaginava que fosse especial. Só não sabia o quanto.

    Beijos

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  2. Dáfni, mas isso que vc relata é a coisa mais frequente: quanto mais cheios de predicados somos, mais humildes nos tornamos, afinal, pessoas boas não costumam esnobar as outras e nem ostentar nenhum tipo de qualidade. Mas acontece que isso às vezes chega no limite do absurdo: a gente acaba se desculpando a cada passo que dá, a cada coisa que diz, a cada pessoa nova que encontra de modo que a coisa se inverte ao ponto de pessoas não tão boas se evidenciarem às nossas custas e isso já não acho mais "Bom" no sentido ético mesmo. Porque se sou uma pessoa boa e valorizo a bondade, a sensibilidade, a inteligência não estou sendo coerente ao me diminuir. É isso. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus ;)
    Bjs

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  3. Isso, Maura, sua conclusão está perfeita. Como eu disse, a gente fica se comportando com um certo protocolo, em nome de uma "coisa boa" (de ser humilde), mas isto nem sempre é a melhor opção. Aliás, eu acho que a gente não precisa se auto-afirmar sempre, mas tem momentos que a gente tem que se auto-afirmar. Se nós não fizermos por nós, quem fará?

    Beijos

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  4. Eba! Um blog só pa gente, que te admira e que quer te ter por perto!!!

    Que bom que é hora de largar mão de se desculpar por ter tantas qualidades. Vamos exaltá-las logo!

    Beijoooo de quem se delicia a cada novo texto teu!

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