sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mary, Mary, quite contrary, how does your garden grown?

Eu tenho pensado ultimamente em algo que até pouco tempo me era uma idéia repulsiva: alfabetizar  Inês numa escola bilíngue.
Na verdade, desde que minha vida mudou drasticamente e eu voltei a ter uma vida de "gente comum", eu venho reavaliando minhas opções, à medida que a realidade nova se acomoda e se sedimenta sobres os escombros da antiga.

Eu penso que uma das grandes maravilhas da minha vida, e certamente uma válvula de escape sem a qual eu teria enlouquecido em muitas situações, é falar igualmente bem tanto inglês quanto português. Não estudei em escola bilíngue mas como eu era uma criança especial, tinha este benefício de outra forma.
E tal qual Anna O. e outras famosas pacientes de Freud, em momentos de crise ou estresse insuportáveis eu, ao invés de arrancar os cabelos, vomitar, me jogar de prédios, apenas ligo o mode "maura inglesa". Porque esta é a diferença fundamental de aprender uma língua de maneira precoce: vc não aprende a língua, você cria uma personalidade que é coerente com aquela língua, ou seja, você inventa um você que fala inglês e que  vai trazer novos laços afetivos, memórias que consolidarão sua persona estrangeira. E este alter ego me serve, várias e várias vezes, de refúgio, de acolhimento e de consolo em momentos de dor extrema.

Dizem que Berta Pappenhein ( o nome verdadeiro de Anna O.), no fim da vida, havia mesmo esquecido sua língua materna e falava outra, como se fosse sua. Que confortador imaginar que, se vc fois abusado pelo seu pai na infância, sofreu misérias, passou fome e psiquicamente isso se tornou algo insuportável na sua subjetividade, vc pode contar com seu eu estrangeiro. Porque existe aquela sementinha que foi plantada lá atrás e que carrega um mundo de novas possibilidades.

Eu já tive dias absolutamente autísticos, de crise, em que eu não conseguia falar a língua da minha mãe mas conseguia me acalmar cantando para mim mesma nursery rhymes inglesas. Humpty Dumpty é uma delas e a outra, que talvez seja a minha favorita é Mary, Mary quite contrary.
Porque a Mary, mesmo sendo uma mocinha de personalidade e muitas vezes do contra, tinha um jardim onde flores cresciam, flores de diversos tipos, flores.  E eu então, adolescente em meio a alguma crise adolescente imaginava que se as flores cresciam para  a chata Mary, cresceriam para mim tb.
Eu achava desnecessário e até esnobe colocar crianças em escolas bilíngues mas hoje estou repensando. Gosto do método canadense, que ensina as matérias exatas e de ciências na língua estrangeira e todas as outras, sociais e humanas, em português.

E ando cogitando dar à Inês uma Mary pra chamar de sua.

3 comentários:

  1. Tenho duas amigas que colocaram seus filhos em escola bilíngue, um está em uma escola de cultura italiana e os outros de cultura inglesa.
    A mãe deste q está na escola italiana está um pouco arrependida, pq agora o menino está indo p 4a série, e ela não está conseguindo acompanhá-lo. Pelo estilo de conversa, acho q eles vão tirá-lo de lá no ano que vem.

    A outra mãe q os 3 filhos estão em uma escola de cultura inglesa AMA de paixao!
    Acho q o inglês está mais próximo de nós (meros mortais), acaba sendo mais mais fácil. Sei lá, nunca parei p pensar, mas acho uma ideia boa.

    Pensando sobre a Inês, acho q seria mto legal, vc tem outra cultura, outra vivência...o pai dela tb, sei lá, O MUNDO p ela será pequeno, de fácil acesso. E como vc mesma disse, qdo crescemos aprendendo outros idiomas a coisa acontece naturalmente.

    Pode pensar com carinho, acho q é uma opção bem legal!

    Beijinhos e OBA!!!! Sexta Feira!!!!!!Uhuuu...

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  2. Maura, eu gosto da ideia. Como o mundo exige o inglês para ser bem-sucedido, é uma boa aproveitar e alfabetizá-la já nas duas línguas.

    Eu não fui alfabetizada em duas línguas, mas minha mãe me colocou em aulas de inglês desde os 6 anos, o que me permitiu ter uma certa facilidade mesmo sem ter concluído o curso. Vale a pena sim!

    Beijos

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  3. Nossa Maura, vai ser muito bom pra Inês. Desde cedo ela vai aprender a "pensar em inglês", o que eu acho mais complicado quando se aprende outra lingua mais tarde. E depois que a gente fala um segundo idioma, os outros ficam muito mais faceis de aprender.
    Bjo grande!

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