segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Já faz um tempo que não me reconheço.
E o que eu vejo no espelho
É uma estranha matrona
Sobrecarregada de peso dos outros.
Há no meu corpo partes da minha gravidez
E há ainda partes que são a Inês
E há outras partes que são vestígios
Da crise no casamento
Das mudanças
Da separação
Da dor
Ainda que isso tudo seja, hoje, próprio de mim
Não é necessário que isto seja eu
Eu não vejo a hora de estar só novamente
Só com o que é meu
E com aquilo que, do vivido, eu queira manter
O resto é descarte
Do outro
É o que sobra em toda conta inexata.
É de quem quiser
Mas só será meu, se for eu.
Eu não sou assim, tem muito sobrando aqui em mim.

Um comentário:

  1. É natural que sobre "outros" na gente quando passamos por situações tão marcantes, né? Logo vc se redescobre!

    Beijos

    ResponderExcluir