quinta-feira, 30 de setembro de 2010

He is a father

Of two big

Beautiful boys

And he goes to the school meetings

(if you know what I mean)

And he is kind

And he is handsome

And then he tells me

The older boy is his stepson

But of this

He sparsely remembers

Did I mention he is beautiful?

And he throw office meetings

And he likes corny music

But all that above

is nothing

When every time he sees me

he says come on, let's have a baby

(yes, I actually do have a baby but, did I mention nobody has ever made me this proposal?)

Don't misunderstand my point here

Not that I will, as a matter of fact,  have a baby

But I literally melt.

My knees shake to death

And I've got the impression I'm gonna wet myself any minute

Yeah, the fever.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sobre lamber, morder, chupar, engolir, mastigar ou Os dilemas da fase oral

Embore leve quando em vez uma mordida na escola, a Inês ainda não descobriu a mordedura.

Digo "ainda" porque a experimentação oral é esperada: etapa necessária do desenvolvimento humano.

Mas tem uma coisa que ela faz: quando acorda no meio da noite- e isso pode variar em número e grau dependendo da noite- ela me lambe.  Meio que para ter certeza de que sou eu mesma que estou ali, sabe? Que não coloquei um boneco de plástico na sentinela e fui para a vida. E aí dorme de novo, toda satisfeita.

A angústia da fase oral tem a ver com a aniquilação dos limites do corpo. Medo de engolir ou ser engolido. Sumi na mamãe ou mamei a mamãe até ela acabar? Tudo é pensado- se fosse pensado como nós entendemos- do ponto de vista da boca. Pode parecer exagero, mas para quem há menos de 2 anos ainda estava preso a um cordão umbilical, são dilemas muito pertinentes.

É uma coisa gostosa, esse ritual de lambidelas. E eu aproveito, porque passa. Logo a fase oral cede à fase anal, e depois à genital. E aí ninguém mais quer saber de chamego com a mamãe, né?

Pois é. As fases da vida e seus dilemas, angústias e degraus. Ainda bem que sempre tem gente para dar uma ajudinha :)

sábado, 25 de setembro de 2010

What I remember most

Is the sound of our feet stepping together the silent night.

Whether was it a  happy, carefree walk on the sand

Trough a hot summer night

Or whether was it hurried feet

Running off the sturdy cold

I always heard the sound of your feet stepping along with mine

No matter if they were happy feet

Coming back from a celebration party among laugthers and small talks

Or if they were heavy, griefing feet

Worried about the day next

The sound of them, behind mine

Was something so subtle and at once, so fullfilling

That I can still listen to those steps, sometimes

As if there was some dead person walking behind my back

And the funny thing is

They might be scary

And it might be an annoying sound sometimes

But I like hearing them, still

Wherever I go

They keep me company

Yet.

And I have the impression

The sound of our feet stepping the ground

Will follow me

Even on clouds of heaven.

Because, above all, they are heavenly.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mary, Mary, quite contrary, how does your garden grown?

Eu tenho pensado ultimamente em algo que até pouco tempo me era uma idéia repulsiva: alfabetizar  Inês numa escola bilíngue.
Na verdade, desde que minha vida mudou drasticamente e eu voltei a ter uma vida de "gente comum", eu venho reavaliando minhas opções, à medida que a realidade nova se acomoda e se sedimenta sobres os escombros da antiga.

Eu penso que uma das grandes maravilhas da minha vida, e certamente uma válvula de escape sem a qual eu teria enlouquecido em muitas situações, é falar igualmente bem tanto inglês quanto português. Não estudei em escola bilíngue mas como eu era uma criança especial, tinha este benefício de outra forma.
E tal qual Anna O. e outras famosas pacientes de Freud, em momentos de crise ou estresse insuportáveis eu, ao invés de arrancar os cabelos, vomitar, me jogar de prédios, apenas ligo o mode "maura inglesa". Porque esta é a diferença fundamental de aprender uma língua de maneira precoce: vc não aprende a língua, você cria uma personalidade que é coerente com aquela língua, ou seja, você inventa um você que fala inglês e que  vai trazer novos laços afetivos, memórias que consolidarão sua persona estrangeira. E este alter ego me serve, várias e várias vezes, de refúgio, de acolhimento e de consolo em momentos de dor extrema.

Dizem que Berta Pappenhein ( o nome verdadeiro de Anna O.), no fim da vida, havia mesmo esquecido sua língua materna e falava outra, como se fosse sua. Que confortador imaginar que, se vc fois abusado pelo seu pai na infância, sofreu misérias, passou fome e psiquicamente isso se tornou algo insuportável na sua subjetividade, vc pode contar com seu eu estrangeiro. Porque existe aquela sementinha que foi plantada lá atrás e que carrega um mundo de novas possibilidades.

Eu já tive dias absolutamente autísticos, de crise, em que eu não conseguia falar a língua da minha mãe mas conseguia me acalmar cantando para mim mesma nursery rhymes inglesas. Humpty Dumpty é uma delas e a outra, que talvez seja a minha favorita é Mary, Mary quite contrary.
Porque a Mary, mesmo sendo uma mocinha de personalidade e muitas vezes do contra, tinha um jardim onde flores cresciam, flores de diversos tipos, flores.  E eu então, adolescente em meio a alguma crise adolescente imaginava que se as flores cresciam para  a chata Mary, cresceriam para mim tb.
Eu achava desnecessário e até esnobe colocar crianças em escolas bilíngues mas hoje estou repensando. Gosto do método canadense, que ensina as matérias exatas e de ciências na língua estrangeira e todas as outras, sociais e humanas, em português.

E ando cogitando dar à Inês uma Mary pra chamar de sua.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Acumuladores e esbanjadores

Acho que todo mundo já ouviu, nem que tenha sido muito por alto, a fábula da cigarra e da formiga.

A cigarra, bonachona, cantava, dançava e brincava no verão, enquanto as  formiguinhas não desgrudavam do seu trabalho meticulosamente executado.

Aí chegava o inverno. As formigas, claro, tinham construído toca, tinham armazenado mantimentos e o escambáu, e a cigarra, coitada, estava lá desabrigada e faminta sob as intempéries de um inverno rigoroso.

Mas claro, a formiguinha muito moralista, acolhia a cigarra dizendo: da próxima vez, não passe o verão cantando e dançando.

Bom, eu só sei que os adultos, no meu tempo, contavam esta história para aterrorizar criancinhas indefesas  que não queriam fazer dever de casa (como eu). Cla-ro que eu ficava pensando lá na minha cabecinha infantil qual era o benefício da vida da formiga, já que no verão ela trabalhava e no inverno ela ficava enclausurada, mas ai de mim se ousasse perguntar isso ao meu pai, aliás, pensando bem, ainda hoje eu não faria esta observação em sua presença.

Mas aí a gente cresce e relativiza as coisas, ou ao menos, eu achava que isso era natural e acontecia com todos seres humanos.  Afinal, o MORAL DA HISTÓRIA é que somos diferentes, a cigarra sabe cantar a formiga sabe construir e tudo dá certo se ajudarmos uns aos outros. Quem sabe a cigarra possa ensinar a formiga a tocar pandeiro nos dias de sol e calor, e no inverno, a formiga não seria tão arrogante na hora de acolher a cigarra...Qual não é a minha surpresa em constatar que vários e vários e vários adultos ainda pensam que a formiguinha é a mocinha da história e a cigarra, a vilã humilhada.

Sim, os acumuladores se espalham por aí. E são numerosos de um tanto que não há maneira de serem minoria. Então eles dominam as instituições, a política, as novelas. E vão criando uma seita, uma fé cega e irracional de que o negócio é acumular, sem saber porque, nem pra quê E não se iludam, as formiguinhas tem vários disfarces. Nem sempre acumulam dinheiro ou bens materiais. Acumulam viagens, fotos, amigos, empregos, cursos, mestrados e até competências e genialidade. O negócio é acumular  e mais além: é mostrar como a cigarra é  um ser inferior. Aquele bicho tão grande, cantador, que morre de amor, é um inútil, e mais, é nocivo a nós, formigas. Fica atentando, lembrando-nos do que fazemos de tudo pra esquecer. Pra que serve música? Alegria, espontaneidade, companheirismo? Não serve para nada, não enche a barriga de ninguém.

Eu amo, amo cigarras de barriga vazia, claro, mas o que eu acho que é essencial aqui é isso: a cigarra não precisa necessariamente ter a barriga vazia. Ela pode ser a cigarra e fazer o que cigarras fazem. E as formigas podem seguir sua trilha, como as formigas fazem. É tudo bem,  não precisamos querer o que é do outro só pra ganhar uma competição imaginária.

Eu estou mesmo com os novos baianos: "estou muito depois de esgotar o tempo regulamentar".

domingo, 19 de setembro de 2010

Filosofia Brincante e duas pequenas filósofas de vestido.


Que eu gosto de Filosofia, não é novidade. A novidade é que a Inês hoje me acordou com a seguinte frase:

"mamãi, 'ãmo iê  a fioisofia?" (trad: Vamos ler a Filosofia?). E eu quase chorei de emoção. Ela se referia ao livro  FILOSOFIA BRINCANTE, da Márcia Tiburi ( aka Saia Justa) e do Fernando Chuí,  que compramos e temos lido há alguns dias.

O livro é uma fofice e delicioso, para adultos também. Fica a dica :)
Em Londres, nos idos de 1998, eu tinha uma turma. Na verdade eu não tinha, porque era séria demais pra isso e estava sempre ocupada em pensar, sofrer, trabalhar e estudar. Mas minhas amigas tinham essa turma de brasileiros e eu, como quase sempre na minha vida social rudimentar, vou na aba das minhas amigas de costas quentes. Daí que tinha o Júnior, e o Ferreirinha e tinha o Lê. Eu, sempre certinha, achava os meninos muito baderneiros e não dava a mínima ousadia,  a não ser para o Lê. Mas o Lê era um caso fora de questão porque ele tinha uma namorada no Brasil, por quem ele era mega apaixonado, juntava dinheiro para trazê-la e viajarem pela europa e tudo. E ele era tão fofo que contava, orgulhoso, esse palno pra todo mundo e naquela orgia que era un intercâmbio estudantil no auge das raves, nunca ficava com ninguém. E isso, claro, fazia a gente (eu) se derreter mais ainda, mas como todo mundo aqui já sabe, eu sou careta e pronto. Off bondaries, eu nunca o cobiçaria e nem me lembro de termos trocado mais do que duas palavras.

Mas um dia, estava perto de ele ir embora- ou seja, voltar para o Brasil- e eu não sei o que houve. Houve alguma coisa, mas eu não me lembro. Eu me lembro dos olhos dele, tão cheios, tão vivos, tão amorosos e que, neste dia, eu tive coragem de olhar de frente. E eu me lembro tb do frio na minha barriga nesta mera cruzada de olhos. O que veio depois disso é um episódio louco, marcante, inesquecível. Uma noite apenas. Uma noite em que dançamos, conversamos, caminhamos sorrindo  de mãos dadas em ruas geladas pela madrugada, trocamos confidências, filosofamos e sentimos amor e tesão.  Uma noite de olhos verdes e de entrega e cumplicidade. De manhãzinha, ele se foi e eu não podia chorar: eu já sabia que assim seria. 
Mas quando ele virou as costas, eu chorei assim mesmo. Chorei porque eu era uma mulher que aceitou o trato, o chamado do  corpo; era um ser humano que consentiu em vivenciar algo extraordinário na sua existência, mas também era uma menina, uma boa menina, cheia de romantismo e que não sabia o que fazer com tanto amor transbordando no peito.

Alguns anos e namoros se passaram e eu voltei ao Brasil, nós mantivemos um contato esparço. Um dia eu soube que o tal namoro dele tinha acabado. Eu não sei como soube, eu não sei quem me contou. Eu só sei que eu embarquei no primeiro vôo pra São Paulo. Sim, eu queria olhá-lo só mais uma vez. Eu me lembro da minha ansiedade enquanto eu esperava por ele num bar da cidade. Eu pensava no que estava fazendo ali, em porque tanta impulsividade, e no fato de que eu mal conhecia aquele sujeito. E enquanto eu pensava nisso tudo ele chegou e lá da porta nossos olhos se cruzaram e toda e qualquer hesitação que pudesse me assombrar, sumiu. Ele me abraçou- e ele tem o abraço mais gostoso do mundo, aquele em que a gente  se reconhece e sente que pode se entregar. E ninguém perguntou nada e não foi preciso nenhum acerto: nos demos as mãos e fomos curtir o feriado na praia. Ele me apresentou aos irmãos, aos amigos e foi como se eu sempre tivesse estado ali.  Eu me lembro que a gente foi comer uma pizza à noie, a cidade era pequena e não asfaltada, e o motorista e dono do carro estava bêbado. E eu disse que não entraria no carro se ele dirigisse. Eu não sei se ele faz sempre isso, mas ele tirou um sujeito bêbado e inflamado do volante do próprio carro. E ainda me disse que a gente passa a vida com pessoas que não tem tanto em comum como nós dois. Quando ele me deixou no aeroporto, eu chorei. Mas de novo: eu tinha aceitado as regras do jogo. 
E segui.

Eu fui me lembrar novamente dessas nossas inesquecíveis histórias, acreditem se quiser, no trabalho de parto. A gente delira um pouco, sei lá, de dor e de tantas outras coisas. Num dos cochilos entre as contrações eu sonhei com ele. Sonhei com o abraço, com a segurança e aquilo me confortou de tal forma que acordei fortalecida,  como se tivesse dormido horas ( e não foram mais do que poucos minutos) e pude seguir naquela hora tão delicada de dar a luz à Inês.

E hoje a gente se falou e ele me contou que a vida não vai bem e tal, e eu escrevi isso para dizer a ele que existem essas pessoas: não importa quanto tempo a gente passou com elas, o que temos em comum, ou se vamos nos casar e nos suportar com todo o pacote de sordidez que vem com a convivência. O que importa é que, em momentos cruciais da vida, a simples lembrança delas e do que sentimos na presença delas,  abre um clarão de luz no nosso peito e nos faz prosseguir, nos dá um empurrão, um alento, um motivo. E acho que eu e o Lê ( a única pessoa no mundo todo que me chama de Má) somos assim, uma estrela guia na vida um do outro.

Quem sabe, meu querido, estas palavras possam iluminar seu pesar.