sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tarde livre para compras (em Paris e com a Bia, para que mais?)



Todo mundo tem uma història da primeira vez que fez uma viagem marcante.
Se a gente tem sorte, os anos vão passando e essa història vai se misturando com a de todas as outras viagens legais que a gente faz na vida.
Mas, como diz o poeta, de tudo fica um pouco.

Da minha primeira grande viagem, aos treze anos e sem meus pais, ficou uma lembrança engraçada do meu maravilhamento com o conceito de "tarde livre para compras".

Eu fui numa excursão para a Disney num grupo de muitos adolescentes  (e alguns adultos que gostavam de agir como adolescentes) e toda a programação, como muitas de vocês devem se lembrar, era pré-determinada : dia 1, parque 1. dia 2, passeio 2, etc.
E, no meio de tantas diversões previstas, estava esta idéia de uma tarde livre para compras.

Claro que o guia da excursão falava de uma tarde livre no sentido de sem atividade marcada.
Mas para mim ela ficou associada a um dia em que eu podia fazer compras livremente, sem correria, sem pressão e sem cara feia de ninguém.
Parece banal hoje, mas no meio do tumulto identitàrio que era o começo da minha adolescência, ter um dia pra passear sozinha, livre, comprando coisas para quem eu achava que era e para quem eu mais ou menos sabia que queria ser foi uma experiência marcante.

Quando a doce Maura me pediu pra escrever um guiazinho de Paris, me lembrei desta experiência para propor pra vocês o que eu faria se sò tivesse uma tarde livre para compras nesta cidade que é a minha hà 9 anos.

E pensei que o lugar idea seria o Boulevard Haussmann. Trata-se de uma longa rua cheia de lojas no 9o. arrondissement.
Você pode começar pela Zara, no nùmero 39.  Passar pela Mango no nùmero 54 e pela H+M, logo ao lado.
Se a carteira permitir, pode entrar nas imensas Galeries Lafayettes, facilmente reconhecìveis no n. 40,  para comprar cosméticos de todas as marcas e sapatos idem (sem se esquecer que hà muita roupa também). E, se o dinheiro não der para tanto, vale entrar sò para ver como o prédio é por dentro : hà uma cùpula  linda feita de vitrais.

Ainda no quesito cosméticos, pode-se visitar a imbatìvel Sephora no n. 21. E ao lado dela està a Surcouf, para compras de artigos eletrônicos em geral (e bom ponto de encontro para marcar com os maridos)

Na mesma àrea, bem pertinho, tem uma grande GAP (no 22, boulevard Capucines) e a Uniqlo (17, rue Scribe), recém-inaugurada em Paris e que faz sucesso com suas lindas cashmeres a preço acessìvel e suas roupas de inverno inteligentes (leves, quentes e lindas, quem precisa de mais ?).

Quando termino minhas compras, sou incapaz de pensar em fazer comida em casa, então ando mais um pouquinho e vou comer um lamen no Sapporo (37, rue Sainte-Anne), um excelente japonês  que fica aberto o dia todo.

Boa tarde (livre!) de compras pra vocês.

Boulevard Haussmann:
Metrôs Chaussée d'Antin-Lafayette, Havre-Caumartin ou Opéra. 



Por Bia Santos




Eu não consertei os acentos agudos grafados em crase para não mexer no cheirinho francês do texto da Bia.
E só vou acrescentar uma coisa: quem pensa que Paris é o fino da bossa é porque não conhece a Bia. O fino da bossa, o chique no último, minha gente, é  ter uma amiga como a Bia. Em Paris.


Gymboree ( again)

Gente, olha que legal: A Gymboree, marca americana de roupas infantis que eu adoro ( basta olhar o brechó  da Inês) agora entrega no Brasil via FEDEX!
Burocracia zero,  chega tudo rapidinho, mas o precinho não é camarada. A Gymboree já não é barata, com imposto de 60 a 70% em cima  e frete internacional fica de assustar. Mas sempre tem aquela ocasião especial para a qual  nos reservamos o direito de comprar uma roupa bacana para nossos filhotes, né? Agora tem mais uma opção.
Minha mãe achou que eu não devia publicar esta notícia aqui para não perder clientela. Já eu pensei o contrário: as mamães de menininhas verão com seus olhinhos firmes e fiéis como são roupinha caras ( e fofas). E vão se jogar no brechó, que tem os preços mais camaradas em roupinha de bebê importada de todo o universo. Vão lá ver e depois vcs me contam, mas escondam o cartão de crédito primeiro: é fofice no último grau de irresisitibilidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Clube da Esquina

Conheço muito pouco do estado de Minas Gerais, o que é lamentável.

Mas nutro um carinho todo especial por aquela terra de onde vieram muitas das minhas pessoas mais queridas.

Talvez por causa disso, tudo que se refira a Minas, Belo Horizonte, à Estrada Real me desperte curiosidade, fascínio. Isso e também a relação de equivalência e identificação que se estabelece automaticamente entre os mineiros e nós goianos - os mineiros pobres.

É assim com o Clube da Esquina. Adoro as músicas geniais e politizadas que ao mesmo tempo não perderam a  referência ao universo bucólico e sertanejo do mineiro. Sempre que as escuto imagino os enormes janelões de madeira que circundavam os cômodos da casa grande na fazenda dos meus avós. Lembro do pé de goiaba dentro do chiqueiro e do "corguinho" onde a gente costumava brincar. Lembro da minha avó fazendo doce de manga, cheirando azedinho, num enorme tacho de cobre no fogão a lenha. Lembro das minhas tias "pururucando" o leitão na banha quente um pouco antes da hora de servir o almoço. E da hora da merenda, a mais esperada pelas crianças, com pão de queijo amarelinho e biscoito de polvilho frito. E todas as compotas de fruta que a gente podia imaginar. E leite com farinha. E um café fumegante passado na hora. E penso com  simpatia no quanto isso deve ser um denominador comum a todos nós do interior - inclusive a este pessoal do bem.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O que eu queria de volta
Não era a vida
Nem era o chão
Nem a comunhão
Nem a lida
Nem o trato.

O que eu queria de volta
Eram os sonhos tantos e tão brancos e tão acalentados em cada pequena dobra do meu vestido de noiva
Eram os suspiros ingênuos de moça sonhadora que flutua em nuvens cor de rosa na véspera da noite de núpcias.
Eu queria o brilho das flores coloridas que enverguei com orgulho ornando os seios numa manhã de domingo ensolarada.
Tão cheia de esperança.
O peso da coroa de flores naturais sobre meus cabelos que me fazia sentir ali, no meu momento de anjo.
O que eu queria para mim era a imaculada fé da primeira luz, da primeira hora, da primeira vez.
A doçura e o frescor ingênuos das rosas que levava pela mão.
A alegria da entrega que se pensa única, irrepresada e urgente.
As lágrimas de menina e as rezas entremeadas no enxoval de tule e renda e seda branca e cetim macio que cerzi esperando um grande amor. E o entregeui

Isso eu queria de volta para mim.
Isso eu queria de volta para mim.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Meninas do Brechó.

Meninas do brechó,

Daqui a pouco tem mais posts, prometo.

E tem um monte de coisa chegando esta semana, e na próxima, e na outra começam a chegar as coisas de frio, e sapatos e bolsas e etc.

Era tudo meu mesmo, gente. Vendo tudo assim reunido, nem eu acredito.

E também vou postar mais coisas de bebê, de inverno. Cadê a paciência?

Tardo mas não falho ;-)

Às vezes sou do mal.


"I'm a blogger girl, in my blogger world". Sem pudor e já há alguns anos.

E isso acarreta anedotas, relações e aprendizados muito particulares.

Fiz amigas por aqui, amigas muito especiais que me trouxeram lições de vida, carinho, solidariedade, diversão e cura para a solidão em vários momentos da vida. E outras.

As outras são amigas queridas também mas sempre acham que tudo que escrevo é uma mensagem cifrada contra elas. O que na verdade não é difícil  de compreender quando se leva isso aqui ao pé da letra. Tudo é muito cor-de-rosa e tudo  serve para estabelecer boa vizinhança. E sabe do que mais? Já ouvi até que se quisesse ser bem sucedida em vender minhas roupas no brechó deveria ficar caladinha. Talvez elas estejam certas. Talvez eu nem devesse estar aqui.

Sim, é verdade que gostaria de vender algumas coisas por aqui, mas não minha alma. E no fundo, no fundo mesmo o que faço aqui é criar, expressar, movimentar minha energia e com sorte, encontrar. O resto vem como consequência.

Porque de fato,  mesmo que tente - e olha que eu tento, por amor ou compaixão, eu tento -  acabo me entregando porque não suporto estes relacionamentos engessados, em que não há espaço para a hesitação, a diferenciação e a discordância são sempre vistas como um drama shakeasperiano. A tolerância com as facetas menos "fofinhas" de qualquer contato humano é, de maneira  infantil, impossível. No mundo encantado das boazinhas surreais só cabem as, well, pessoas seletivamente cabíveis. A outra possibilidade é: "você é do mal, fora. Vamos nos insurgir contra você que estraga nossa fantasia de superamiguinhas. Afinal, ia ser muito difícil ser 100% das vezes boazinha e fofinha com as pessoas um pouquinho mais multifacetadas. E o que será de mim quando eu descobrir que não sou tão do bem assim?" Mas aí ser do mal sobra pra mim. Ok, sou do mal também. Mas não sou de gesso.

Então agora eu vou repetir  do jeito atualizado, que acredito ser o mais apropriado : "I'm a blogger girl, in my blogger world pero no mucho"


Nada como a experiência adquirida. Não me iludo mais com a falsa aparência de intimidade e de importância que rapidamente atribuímos às relações e ao prestígio relativo que estabelecemos aqui. Também não estou aqui para agradar e conquistar o maior número de fãs. Até porque, acumulando tentativas e erros e acertos, aprendi que minha solidão é de um tipo sofisticado que não se enverga com qualquer afinidade ou empatia superficial. Eu preciso de um pouco mais para me sentir  preenchida e acompanhada. E quando este "um pouco mais" acontece- e acontece sim- bom, já dizia o Vinícius: não há nada a ser feito, a gente apenas reconhece.

Também não estou aqui para me doar em sacrifício como bode expiatório. Sou uma pessoa boa e generosa que trilha o caminho do amor.  Tento ser cristã e fazer o meu melhor mas estou longe de ser uma unanimidade do bem. Acredito na virtualidade. Muitíssimo, por isto me mantenho aqui. Acredito nas possibilidades que ela abre, no flerte com o destino. Mas na minha idade eu já tive tempo mais do que suficiente para aprender que encontros verdadeiros, virtuais, físicos, transcedentais ou astrais, não acontecem todo dia. E mais: quando acontecem precisam ser reafirmados, praticados e cultivados com empenho, abertura, complexidade. Mas a boa notícia é que, avaramente que seja, eles acontecem inequivocamente. Aqui também.

Oi. Eu sou legal, às vezes do bem e às vezes do mal. E você, vem sempre aqui?

Sabedoria Itinerante


O lugar onde estudo é relativamente longe de onde moro, o que me faz gastar algum tempo do meu dia no trânsito. Hoje fiquei muito tempo atrás de um caminhão em cujo parachoque se lia:

"MINHA FAMILHA, MINHA VIDA".

Não é incrível como a sabedoria e boa índole de um cidadão independem da cultura?

Incrível.