O que eu queria de volta
Não era a vida
Nem era o chão
Nem a comunhão
Nem a lida
Nem o trato.
O que eu queria de volta
Eram os sonhos tantos e tão brancos e tão acalentados em cada pequena dobra do meu vestido de noiva
Eram os suspiros ingênuos de moça sonhadora que flutua em nuvens cor de rosa na véspera da noite de núpcias.
Eu queria o brilho das flores coloridas que enverguei com orgulho ornando os seios numa manhã de domingo ensolarada.
Tão cheia de esperança.
O peso da coroa de flores naturais sobre meus cabelos que me fazia sentir ali, no meu momento de anjo.
O que eu queria para mim era a imaculada fé da primeira luz, da primeira hora, da primeira vez.
A doçura e o frescor ingênuos das rosas que levava pela mão.
A alegria da entrega que se pensa única, irrepresada e urgente.
As lágrimas de menina e as rezas entremeadas no enxoval de tule e renda e seda branca e cetim macio que cerzi esperando um grande amor. E o entregeui
Isso eu queria de volta para mim.
Isso eu queria de volta para mim.

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