Eu não ando com vontade de muita coisa ultimamente.
E se tem uma coisa que me assusta mais do que a dor, a perda, a morte e a solidão é esta: eu tenho medo da falta de desejo. De não querer nada, de não sonhar. De não torcer, de não esperar. De não ter nenhuma força estranha que me leve a cantar.
Isso me lembra duas lições, de dois mestres tão distintos entre si que até parece esquizofrenia citá-los ao mesmo tempo. Mas enfim, nós somos assim, retalhos inusitados dos outros reunidos de maneira quase sempre esquizofrênica, ainda que o resultado final raramente seja a psicose.
O primeiro é o Leonardo Boff cuja palestra assisti um dia e nela ele resgatava a raiz etimológica da palavra entusiasmo, que tem a mesma raiz da palavra Deus, que se diz Theós, em grego. E então en- theos-si- asmo, constatamos facilmente reunindo prefixos e sufixos, significa " ter Deus dentro de si". Sempre, sempre me lembro dessa lição de vida e rezo pedindo a Deus a única coisa que podemos pedir a Ele: que nos ajude a encontrá-lo, a mantê-lo dentro de nós fazendo nossa alma sempre entusiasmada.
O outro mestre é o Paulo Coelho. É, crítica pra lá, crítica pra cá, os anos passam, vem mais um livro, leio e gosto, noves fora: eu gosto do Paulo Coelho e até hoje não me perdôo porque o vi caminhando beira lago Léman, nossos olhos se cruzaram e eu, que sou chique de doer e pago por isso, não tive coragem de cumprimentá-lo e pedir para tirar uma foto. No livro "Onze minutos" ele diz uma coisa interessante: a vida é avara a maior parte do tempo e nosso problema é interpretarmos isso como se fosse pessoal. E não é, é apenas um fato da natureza. A vida é avara de momentos grandiosos, felicidades, recompensas porque a maior parte dela é o tecer das coisas, o reme-reme. E isso é chato, enfadonho mas não é um castigo. É o trabalho de formiga que nos leva aos grandes momentos de generosidade da vida. E quem há de negar que estes são superiores aos outros, mesmo que mais escassos?
E o que eu vou concluir com isso? Nada. Este é um texto inconclusivo ou melhor, a conlusão é personalizada: fica a título da esquizofrenia particular de cada um.

Não, não, não... não entre neste ciclo vicioso!
ResponderExcluirVou colocar uma parte de um livro q gosto de ler todos os dias um pouquinho, o Evangelho.
beijinhos...
(...)A esperança faz toda a diferença. Todos precisamos de esperança para prosseguir na luta pela vida e por mais saúde, ou recuperação dela. A esperança, porém, pode ser exercitada, comecemos mudando nosso modo de ver as coisas, acreditando que há uma causa que deságüe sempre numa conseqüência, e que nada na vida é por acaso, para tudo existe uma explicação e que Deus nos ama, e quer que possamos ser felizes. (...)