quarta-feira, 3 de março de 2010

Regime ditatorial da coerência

Como inveterada esquerdista, tal qual apregoa Reinaldo Azevedo, mantenho o vício ranheta de nutrir uma leve simpatia pela idéia do regime ditatorial. Vejam bem: eu cultivo simpatia pela IDÉIA embutida em uma ditadura e não pelas práticas ditatorias que conhecemos.

Isso dito, acabo de desenvolver a minha constituição anti-democrática que é muita simples e concisa:


Parágrafo único:

Manterás coerência interna.


Exemplos de situações puníveis e respectivas penas:
  1. Você decide que não quer mais uma pessoa em sua vida. Não dá certo, são muito diferentes, a partir de hoje vc a detesta. Porém, continua aceitando e se utilizando dos presentes e vantagens que a difamada pessoa te proporcionou : Fogueira (Acho romântica a idéia de queimar os marginais na fogueira como nos Tribunais da Santa Inquisição. Serão todos mártires ao final, não é lindo?).
  2. Você tem um amigo. Muito amigo. Mas resolve, por motivo vil, virar a casaca e trocar seu amigo fiel por uma turma de amigos novos e entrosados. Tudo bem. Porém, este amigo foi a única pessoa que te acolheu quando vc chegou na escola nova, vcs fizeram muitas coisas bacanas juntos. Mas vc acha que ele ficou diferente e está chato. Mudou de opinião,  isso é ok. Entretanto, ainda se utiliza dos conhecimentos dele e da carona no seu carro para ser valorizado na nova turma: Fogueira.
  3. Você tem um amor, amor, amor, amor eterno. Tudo na sua vida. Daí ele pisa na bola num dia de maior fragilidade e te trai com outra mulher. Sem pestanejar vc conclui: não o amo mais, saia da minha vida!( aos berros): Fogueira. Para vc, claro. O seu amor foi só mais um pobre ser humano sem chance de réplica. Mas é vc que não manteve a coerência com seus princípios internos.
  4. Vc odiava uma coisa qualquer e mudou radicalmente de opinião? ÓTEMO! Agora vamos sentar aqui e sermos radicalmente coerentes com sua nova proposta. Nada de esperteza e de " ah, só um pouquinho não faz mal"
  5. Voce compra cd's pirata e adora? Legal, vamos oferecer sua casa para receber uma gang de falsificação e tráfico de drogas.
Para mim esta única lei seria de uma eficiênia incrível.

Eu acabo de  me separar de um grande amor, numa dessas encruzilhadas do desejo. E tenho percebido que a força que me faz não desmoronar e manter inclusive uma certa serenidade é a coerência a um princípio maior que é, para mim, muito superior a tudo de mesquinho e mundando que usualmente e sem demora toma boa parte de nossas vidas nessas horas.  Sinto raiva, mágoa, me sinto desmerecida. E todo mundo sabe o quanto separação é difícil e doloroso, quanta ofensa e mágoa somos capazes de trocar. Mas procurei e procuro nunca violentar esta minha premissa estruturante lá no fundinho: eu o amo (ei).

Não significa necessariamente que concordo com ele ou que retomaria nosso relacionamento. Mas significa que me respeito. A sensação de termos estado juntos e preenchidos, fosse caminhando pela neve, perdidos em becos escuros e em festas estranhas ou conhecendo lugares novos e lindos,  passando por falta de dinheiro, perdas na família... E sempre apreciando a boa mesa, a boa conversa, a presença do outro. A sensação de pertencimento , de encontro, do amor que eu dei e recebi e não pretendo renegar, é ela e nada mais, que me dá ímpeto, me conforta e anima nos momentos difíceis de agora.

Só a coerência nos salva ( ok, a futilidade também).

5 comentários:

  1. Oi querida,
    recebi as peças!!! Lindas demais!
    Muito obrigada. Ficaram perfeitas!!
    Beijos

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  2. Oi Mauraaa...
    Intaum...to até com medo de comentar...rsrs...
    Bem...o problema é sendo eu tão irreverente quanto...(você???)....acabo sempre gostando do que é "polêmico".
    Se bem que acho que esse teu texto maluquinho tá mais pra engraçado..(a primeira parte)rsrs...aí ainda dá pra eu me arriscar...hehe....
    Mas falando sério, que bom que vc tá reconstruindo tua vida, e eu daqui torço muito por você.

    Bj grande.
    Cris.

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  3. Oi Cris, estava sentindo saudades.
    É que senso de humor aqui tá em falta, o povo se leva ( e me leva) a sério demais :)
    Beijos

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  4. Pô, não sei se entendi bem o lance da coerência... ainda mais nesse último caso (separação) e nooooossa dependendo de como termina então.... nem se fala! Por algum tempo acho que não há coerência que resista: Fogueeeeeeeeeeeeeeira!!! =D Tati

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  5. Tati,

    É isso mesmo. Coerência só resiste enqt é coerente com a gente hehehehe...
    Mas nesta situação de separação eu acho que é melhor se recuperar rápido pra poder dar uma banana com muita coerência :)
    Bjs

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