domingo, 14 de fevereiro de 2010

Estrela cintilante

É tão especial quando alguém que a gente gosta nos diz que se lembrou de nós por conta de um filme. Aquele sentimento bom de se reconhecer e se estranhar pelo olhar do outro.

Imediatamente fui assistir Bright Star,  realmente uma estrela rara para quem gosta de moda e figurinos sem cair na banalidade, ou mesmo para os que gostam de um bom e tradicional romance de época - será que alguém no mundo  consegue ficar de fora destas duas categorias?

O filme é a história real da paixão vivida pelo jovem poeta inglês John Keats,  o último romântico da leva dos bons ingleses, e sua  jovem vizinha modista,  estilista e fashionista Frances Brawne.

O filme tem todos os elementos de um romance romântico: jovens muito jovens, paixão não consumada,  palavras afetadas, morte precoce por turbeculose. E além disso é um deleite para os olhos: os vestidos de cambraia e linho da mocinha, seus casacos forrados a mão, babados de gaze inglesa e organza, laises delicadas, pontos coloridos e toques artesanais, chapéus maravilhosos,  desfilam pelo cenário natural de Hampstead Heath - o mesmo lugar, hoje incorporado pela Londres metropolitana, que Freud escolheu para morar refugiando-se da guerra - , turbinados por uma fotografia primorosa.

Tem  coisas lindas de se ver, como campos de canola e lavanda, tão passageiros e celebrados como o próprio verão inglês. Uma menininha de cabelos ruivos e desgrenhados, um gato fofinho. A luz sempre clara dando um ar bucólico a todas as coisas. Eu já mencionei as roupas? Roupas lindíssimas e fidedignas à época, ao país e à personagem, nada daquela coisa Marie Antoinette padronizada

Para mim, particularmente, este filme foi um pouco além dos belos fotografia, figurino e enredo. Não foi difícil me identificar com Miss Brawne e seu encontro intempestivo com jovens poetas intelectuais. Subjugada pelo seu interesse pelo estilo e aparência, era confundida com uma jovem fútil em contraste com tão nobres pensadores. O filme faz um belo favor a pessoas como eu ao costurar - isso mesmo, esta palavra cai bem aqui -  em pé de igualdade o trabalho e modo de expressão do grande poeta à arte de manejar agulhas, tecidos e cores de sua namorada. Belas palavras, belas roupas. Beleza livre de arreios e preconceitos, onde ela resolve brotar.

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