No fim dos anos 80 e 90 eu adorava shows. De quase tudo que era tipo de música, inclusive a onda axé que abduziu minha cidade. Ia em todos em que uma adolescente de 13, 14 anos poderia ter acesso morando em Brasília. Foram todos muito marcantes, naquela época os shows eram legendários. Teve aquela inesquecível e lamentável confusão do show da Legião Urbana. Teve aquele em que o Herbert Vianna voltou ao palco para o bis exatamente 8 vezes. Teve aquela Baratona no carnaval de 92 que lançou a Daniela Mercury. Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Barão Vermelho, Capital Inicial. Finis Africa ( alguém se lembra deste? O guitarrista era meu primo de vigésimo grau). Skank, Djavan, grande Jorge Benjor.
Hoje em dia não me convide para um show. São tão previsíveis, tão similares aos "DVD's ao vivo". Nada mais de importante acontece em um show.
Eu sinto falta disso dos anos 80, já que agora é tão cool se remeter a eles. Sinto falta da improvisação, da desorganização, do amadorismo. Daquelas maquiagens over, das roupas e cores over, da ingenuidade de quem se esforçava muito ( way too hard) loucamente, no Brasil ao menos, para se inserir no mundo dos ricos e elegantes.
Hoje não. Um show é previsível. Uma foto é atomicamente editável e previsível. Um texto é instantaneamente lido em várias partes do mundo e editado em minutos. Para onde foi o ato falho? A licença poética? Aquele errinho de estimação que acabava sendo incorporado ao brilhantismo do conjunto da obra? Mas não é só isso. Além de tudo - já que mais ou menos o mundo inteiro pode ter acesso ao que fazemos ou dizemos- temos que ser cordatos, limpinhos e politicamente corretos. Não podemos nunca ser inadequados, bêbados, surtados, feios, fedorentos, arrogantes e preconceituosos ( mesmo que isso seja o mais inerente dos inerentes dentro da natureza humana).
E tem mais. Ser geek ou nerd está na moda. Quer dizer, nem o direito de sermos marginais temos mais. E aqueles que são os esquisitos desde criancinha, os legítimos mesmo? Coitados de nós. Fomos fetichizados. Outro dia, navegando pela net ao meu modo nerd de passar o tempo livre que eu finjo que tenho, vi uma fulana divulgando uma máquina ou técnica de tirar fotografias de maneira que elas fiquem desajeitadas, distorcidas, estranhamente coloridas do mesmo modo que elas ficavam na época em que, well, não tínhamos nada melhor com o que contar.
Eu acho que vou me adiantar um pouco nas tendências e lançar a moda antes que alguém me tome a iniciativa: o horroroso é o novo lindo. É, meu povo, porque já que estão afim de se apropriar dos nossos direitos, eu vou logo ocupando o meu espaço e cuidando do que é meu. Nasci loira de olhos verdes e nunca tive celulite mas exercito o meu direito de ser feia quando, com quem, como e onde eu quiser. E mordo sem nenhum eufemismo se alguém quiser destituir minhas regalias de moça feia que só fica bonita quando assim escolher.
Será, pelo amor de Deus, que alguém ainda tem alguma dúvida de que todo mundo é bonito se tiver dinheiro e acessoria? O medo da feiúra escondida no passado que nos condena é tanto que é preciso transformar os anos 80 em piada, brincadeira, tendência.
Coincidentemente, morando na casa da minha mãe, volta e meia revejo nossas fotos de família dos anos 70, 80, 90... Estávamos sempre tão mulambentos ( não existia chapinha disseminada, roupas tecnológicas e muito menos maquiagem de ponta), tão ingênuos, magrinhos ( não tinha Mc Donald's!!!), mal vestidos e ainda assim tem cada foto que me faz rir ou chorar por uns dois dias. Acho que esta é a intenção de uma foto, não?
Voltei também a frequentar o Ugly People (para constatar , em parte, que nem ele escapou do photoshop). Acho todo mundo lindo e singelo de doer o coração e dou muitas risadas com a graça (em amplo sentido), irmã gêmea do ridículo, que todos nós carregamos. E uma hora dessas vou resgatar todas aquelas minhas fotos que "deram errado" pra vcs verem como eu também sou mais linda e humana quanto mais feia pareço.

ihihi..vc é mega engraçada dona Maura...pelamordideus..."o horroroso é o novo lindo"...que tendência maluca é essa?...bem, tô nem aí...tô dentro.
ResponderExcluirembora eu ache que estamos bem melhorzinhas que a fulana -little- "tiradora" de fotos vc citou....ahahaha...
gostei dimais...
bjs.
Cris.
amei suas relexões ... quando somos imperfeitos, mostramos que somos mais que perfeitos... ;)
ResponderExcluirmas confesso Maura, nem pensar mostrar minhas fotinhos dos anos 80! uuuiii
beijosssssss
Cris,
ResponderExcluirTodo mundo é tão lindo, não sei pq alguém ainda acha que isso é vantagem ;-)
me conta, quem é a tiradora de fotos distorcidas?
Eu entro em tanto blog que não associo mais o nome à pessoa, a não ser qd acabo me envolvendo. Mas como isso tá totalmente na crista da onda, acho que tem muita, muita usadora de óculos feio e tiradora de foto esquisita por aí. Eu vejo muitas ao dia, não especificamente as duas características na mesma criatura, mas vejo muitas fotos assim.
Bjs!!!
rsrsrs....
ResponderExcluirÔhh Maurinha, eu sou terrivel...mas é só brincandeirinha pra vida ficar mais leve...
È que uma vez eu entrei num blog (através de um outro), tal de "little doll alguma coisa" e tinha uma mulher de óculos que tava postando fotos esquisitas de uma máquina que tirava várias fotos em cores diferentes, mas achei muito feio mesmo (apesar de ter um monte de comentários dizendo que tava lindo), aquelas famosas "bate-pontos" da blogosfera que a gente adora...
Mas só agora eu to entendendo o lance, é que ela também se adiantou nessa nova tendência...rsrs...
bjs na tua princesinha, que essa sim é uma gata.
Cris.
Maura, que texto DEMAIS AMIGA!! Super inspirado e posso falar " profissionalmente"? Vc tinha que patentear esse desenvolvimento..! PERFEITO. Amei e tb dei risada amiga...
ResponderExcluirAssessoria... com ss.
ResponderExcluirAnônimo, obrigada.
ResponderExcluirEu bem que tinha procurado no google mas acho que tanto a versão errada quanto a certa tem muitas entradas na internet.
Vou corrigir.
Karina,
ResponderExcluirGostei da explicação sobre o supersampler e a lomografia. Não gosto da idéia mas gostei de saber o que é o que significa.
Olha, essa coisa de identificar que eu falei mal de fulano e de ciclano nas entrelinhas é muito curiosa. Basta ler os comentários para vc ver o tanto de gente que já reconheceu alguém e disse : " eu sei de quem vc está falando". O problema é que cada um diz que é um blog diferente.
Deve ser porque é uma tendência, como eu disse. E é disso que falo aqui: tendências, que eu gosto ou não.
Na blogosfera tudo cresce de uma maneira tão persecutória e personalista, me sinto censurada pelo CNI. Ter opinião ainda pode neste país.
E olha, não há nada demais em gostar de coisas do passado. E em não gostar também. O que eu disse é que certas coisas dos anos 80 estão sendo fetichizadas, sem reflexão.
Quem sabe um dia me explico melhor ?
Beijos
ok babe!
ResponderExcluirvou coninuar lá sussa no meu cantinho feliz... ok? nao te apurrinho mais...prometo!
e ah... tem muita música boa e shows bons por aí... se vc procurar acha....
xoxo
Apaguei os dois últimos comentários porque depois de tudo isso ainda quererem usar meu espaço para autopromoção não dá.
ResponderExcluirO debate que se faz aqui na verdade fala de uma coisa mais profunda: todos e cada um de nós adoraríamos, mesmo que inconscientemente, poder agradar a todos, adoraríamos que todos enxergassem em nós apenas qualidades, adoraríamos sermos unanimidades admiradas, queridas, bem tratadas e valorizadas por todos, sem exceção. Ora, no mundo real do qual a blogosfera faz parte, isso não é viável. Podemos tirar todos os cavalinhos da chuva.
ResponderExcluirDesde o primeiro tapa na bunda e o primeiro choro ainda na maternidade, as críticas começam: ou a gente chorou demais, ou de menos, ou somos cabeludos demais, ou somos carecas demais, ou somos grandes demais, ou muito pequenos... sempre podíamos ser melhores!
Críticas são inerentes à vida, não tem como se passar sem elas. Sejam justas ou injustas, cruéis ou construtivas, com base na realidade ou não.E todo mundo tem dificuldades, que variam de nível, para encarar as críticas, sejam construtivas ou não. Em maior, ou melhor, grau, consciente ou inconscientemente, todo mundo acalenta a esperança vã de só colher flores pelo caminho. A realidade é bem diferente, dentro e fora da blogosfera fashion ou não.
Cara Taimemoinonplus ( acho que acabo de decifrar seu nome!),
ResponderExcluirComo somos suplicantes de amor,não é? De fato, esta é a resposta para quase todas as ingrisias da vida. Queremos ser amados, aceitos.
Gostaria muito de agradar a todos ou pelo menos ao maior número de pessoas possível. E sou do tipo imaturo que ainda mete os pés pelas mãos tentando desdizer as próprias palavras na vã esperança de salvar alguém.
Mas tem outra coisa que gostaria de fazer com a mesma intensidade: ser eu mesma. Mesmo tateando pra saber exatamente o que é isso. E as duas premissas são, em regra, incompatíveis.
Acho que há um certo código de comportamento por aqui, que eu desrespeitei e denunciei. E por causa disso, perdi o amor de quem não me amaria de qualquer modo, mas talvez eu quisesse passar mais algum tempo me iludindo.
O saldo porém, foi positivo: me lembrei que sou dessas pessoas a quem resta muito pouco a perder na vida. E ainda com tamanha repercussão, ganho um comentário atencioso e bem escrito como o seu.
Posso não agradar todo mundo mas não tenho muito do que reclamar.
Obrigada pela leitura tão atenta e pelo comentário elaborado e sensível. Se todas as críticas viessem assim, até que não seria de todo mal recebê-las.
Gostei muitíssimo da sabedoria do swami: somos o que somos e não o que sentimos que somos.
Beijos