Alguém aí já tentou escrever sobre alguma coisa que gosta ou desgosta ferozmente?
Aliás, escrever é uma coisa tão curiosa, temos uma idéia do texto que queremos escrever na cabeça, a mim o texto vem praticamente pronto, como se eu o estivesse vendo no papel. Mas na hora de ir pra ponta do lápis ( ou pra ponta dos dedos) ele me atraiçoa em quase 100% das vezes, ganha vida própria e sai correndo por aí, cheio de personalidade.
Escrever é assim, um risco que se toma. Muita gente que passa por aqui me acha arrogante e eu creio que devo soar mesmo arrogante. Uma porque treinar o estilo e amaciar as palavras para fazer textos mais diplomáticos leva tempo e prática e eu estou enferrujada. Outra porque o texto escrito é uma coisa inerte. Não muda a argumentação, a entonação, não pergunta...E isso dá margem para muitas interpretações subjetivas ( sentido conotativo, rá! Meu professor de literatura passa por aqui de vez em quando e ficará orgulhos de ler isso). Outra ainda porque ter opinião é sempre uma faca de dois gumes, bem literalmente: há os que cortam para um lado, há os que juram que cortar para o lado oposto é o melhor. Impossível agradar todo mundo, a menos que sejamos neutros e isso, ah, isso não se encontra aqui não.
Mas sempre me lembro de um sujeito dando entrevista para o Globo Repórter. A repórter perguntou a ele: " O senhor tem medo de envelhecer?". E ele respondeu: " Dona, eu tinha. Mas um dia atinei que a outra opção era a morte, agora tenho mais não". É isso aí. A outra opção, de não escrever ou não tomar partido é impossível para mim.
E palpitar por sua conta e risco qualquer coisa sobre qualquer outra coisa é um ato de ousadia do pensamento, um ato de violência contra o silêncio, contra a pacatez, contra o cordato. E talvez, para escrever, seja mesmo necessário uma dose de prepotência. E outra de brio. Porque se não quem vence é o papel em branco, a vida que passa, a solidão, a morte que espreita. E disso eu tô fora.

Tô adorando ler seus textos!!
ResponderExcluirE muito sábio a resposta do homem. É isso aí.
;)
Beeeijos
Linda a cara do bog miga...Mesmo! Gostei do texto.
ResponderExcluirGoogle talk amiga!
ResponderExcluirMaura, aqui é a Luana, prima da Isa. Quando você diz que este seu espaço é inspirado no Correio Feminino, da Lispector, sou obrigada, com imenso prazer de leitora, a concordar plenamente com você. A primeira vez que estive por aqui - e olha que nem tinha lido sua descrição ao lado, em que você diz "uma arena para feminices inspirada no melhor estilo 'Correio feminino', da Lispector" - logo me veio à cabeça a formosa Teresa Quadros ou a distinta Helen Palmer, pseudônimos de Clarice para se aventurar nesse universo da moda e do tatibitate. Como você deve saber, ela o fez com o tato de uma boa escritora. Deixou-se, sim, levar pelos conselhos de beleza, de maquilagem, do bem viver. Mas, sobretudo como Teresa Quadros, não abandonou a profundidade, a crítica e a ironia. Por trás das máscaras era Clarice, de fato, quem segurava a pena. Citou Simone de Beauvoir em plena página feminina, conservadora por natureza, das décadas de 1950 e 1960. Iniciou a leitora desatenta no universo de Virginia Woolf. Era Clarice, enfim. Mas a gente pode conversar sobre a Lispector depois. E sobre suas máscaras. O fato é que resolvi sapear pelo seu blog logo depois que tinha dedicado – olha que coincidência! – os últimos seis meses de minha vida ao estudo da obra clariceana para a monografia. Analisei justamente o feminino nos textos que Lispector produziu para jornal, sob o uso de pseudônimos, e nos textos literários que ela produziu (precisamente a obra Laços de família). E foi incrível como me lembrei de Teresa Quadros ao ler seu blog! E foi incrível a sensação que tive ao ver uma Teresa Quadros moderna, falando sobre moda, roupas... e carregando uma escrita crítica, que consegue ser leve e consegue trazer nossas feminices para uma arena de reflexão e lirismo. Você está de parabéns, garota! Escreva sempre e se exponha sempre pelas palavras, porque o que vi nas suas entrelinhas foi um “eu” que merece muito ser decifrado, porque tem muito a dizer e diz lindamente o que quer! “Porque se não quem vence é o papel em branco, a vida que passa, a solidão, a morte que espreita”. Lindo isso. Vou voltar sempre.
ResponderExcluirA, Luana!
ResponderExcluirE parabéns pela formatura!!!