8h30 à frente, agora que o horário de verão acabou no Brasil. Meia hora, sim, porque, na Índia, tuuuudo é diferente.
Ai, as compras! Não consigo fugir delas aqui. Não só porque há uma variedade de artigos muito típicos da Índia, que sempre acho que nunca mais terei a oportunidade de comprar, mas também porque não há mesmo muito o que fazer por estas bandas nas horas de lazer depois de conhecer os cinco monumentos mais conservados da cidade: Humayun Tomb, Qutb Minar, Jama Masjid, Red Fort, e meu preferido de todos os tempos- o Lodhi Gardens. Resta-nos confraternizar com os amigos ou sair pra comer (tema do próximo post). Os amigos! O que seria de nós sem eles?!? Melhor do que isso, só quando vem a família, caso da minha rimã-querida-do-coração e do meu cunha, que ora se esbaldam nos vizinhos Camboja e Tailândia e muito alegram minha vida.
A primeira vez que fui ao Khan Market, achei que me tinham feito de besta. Disseram: "É o Iguatemi de Delhi". Daí, chego e vejo um lugar imundo, cheio de cachorro vadio (cachorra vadia, não, que indiana é mulher de família), umas mercearias e até o consultório do Dr. Monga. Poxa, parece trote, não é? Não era.
Já os museus, tadinhos, dão uma peninha! Levaram tudinho pra Londres e pra Nova York. As peças mais bonitas, mais bem cuidadas e mais representativas desta cultura estão do outro lado do mundo. Mas, ao mesmo tempo em que tenho dó, também juro que entendo o "homem branco", aquele do fardo, que não sente nem um pinguinho de culpa por ter saqueado a nação alheia, ao argumentar que fez um bem para a humanidade em preservar os registros culturais de outros povos. Deixa estar. Não vou dar razão nem pra um, nem pra outro, pois esse debate é um tanto mais complexo.
Pois, vamos às compras. Segue meu roteiro-não-exaustivo. A boa notícia é que os precinhos aqui são I-N-A-C-R-E-D-I-T-A-V-E-L-M-E- N-T-E baixos.
Khan Market
A primeira vez que fui ao Khan Market, achei que me tinham feito de besta. Disseram: "É o Iguatemi de Delhi". Daí, chego e vejo um lugar imundo, cheio de cachorro vadio (cachorra vadia, não, que indiana é mulher de família), umas mercearias e até o consultório do Dr. Monga. Poxa, parece trote, não é? Não era. Até 2007 e a inauguração do Select City Walk, lá onde Judas perdeu as botas, mas ainda no perímetro urbano de Delhi, nada havia na cidade que nós ocidentais reconhecêssemos como um shopping. O Khan Market foi e é o mercado de luxo para os padrões locais. Reza a lenda que é o metro quadrado mais caro da Índia. Vai saber. Só sei que no Khan Market, a gente passa da portinha de entrada de cada loja e é transportado imediatamente pra outra dimensão. Dentro das lojas é limpo e moderno como ninguém acredita. Há lojas lindíssimas. E é o lugar ideal para o desafio tenho-só-uma-tarde-para- compras da amiga.
Na tarde de compras
Comece na Anokhi, onde há roupas feitas com block print, uma técnica artesanal para estamparias lindas. A grande vantagem é que os modelos são mais usáveis do que as roupas de Alladin ou de Sherazade. Tem também jogo americano, guardanapo, caderninho de papel artesanal e muita coisa mais. Dali, siga para a Fabindia, para comprar tuuuudo de tecido, desde lenços de seda até colchas, passando pelos sáris. Mas também tem chás, temperos y otras cositas por lá. Suba na Ogaan, na ala central, pra ver coleções de estilistas indianos.
Siga para as mercearias e compre favas de baunilha, açafrão, pignoli, garam masala, sal do Himalaia, chás de Darjeeling e uma série de ingredientes raros no Brasil. Lembre-se de levar pacotinhos de Dal Bukhara embalado a vácuo. Hummm!!!
No caminho, compre cheirinhos de todo o tipo, cosméticos e incensos "Ayurveda Chic" na Forest Essentials.
Compre artigos para casa, de talheres a almofadas de seda (que vêm com enchimento compactado, se quiser colocar direto na mala) na Good Earth. Já que está do lado, aproveite para ver a Oma, no mesmo estilo.
Passe na Silverline para renovar a coleção de acessórios em prata e para comprar presentinhos. Para continuar a coleção de pratarias e se quiser joias de ouro e pedras, a Amrapali é o destino certo. Lindíssimas e por um terço do preço no Brasil.
Termine com um chá da tarde na Choko La. Adoro!
Cottage Industries Emporium
Essa dica é para aqueles que têm uma ou duas horas só para compras. Uma loja do Governo, com preços fixos, e boa seleção nos seus quatro andares repletos. Um pouco cafona, às vezes. Há que separar o joio do trigo. Mas, dá para confiar que a seda é seda, e a pashmina é pashmina (cashmere). O preço não é o melhor, mas é o que se paga pelo conforto do ar condicionado, do cartão de crédito e de ter todos os artigos típicos e de qualidade garantida reunidos.
Dilli Haat
Pra quem quer ir a uma feira indiana sem se estressar (demais). Como há uma taxa de quinze rúpias na entrada, não há tanta gente como nos mercados, só entra quem está disposto a comprar. E quinze rúpias são sessenta centavos de real! Tem excelente seleção de tecidos, lenços e afins, além de outas peças de artesantato e até pérolas verdadeiras (de água doce). Os feirantes mudam a cada quinzena. Pechinchar é obrigatório. Comece pedindo metade do preço inicial.
Dê uma espiadinha no "Asia's finest luxury destination" e compare com o Khan, hehehe:
Acabou de ser aberto, uma extravagância! Tem quase todas as grandessíssimas marcas, com preço de EUA. Armani, Salvatore Ferragamo, Gucci, Burberry (onde caio em tentação uma vez a cada ano) etc, etc, etc. Mas, o que mais gosto é de fuçar as marcas indianas nos últimos dois andares.
Designers Indianos
Amo, amo, amo o Manish Arora. Não que eu use. Ele faz a verdadeira moda-conceito, não é lá muito usável. Dele, tenho uma saia da coleção circo, estilo Bispo do Rosário (que uma amiga americana sugeriu emoldurar e pendurar), gloss da M.A.C. e um tênis Reebok Fish Fry (Não errei, é Fish Fry!). Ele tem uma linha meio doida da Swatch e outra de porcelana da Good Earth. Transita pelas Fashion Weeks europeias e fez vitrines da Printemps em Paris ao lado do já saudoso McQueen. É famoso, então é bem careiro para os padrões locais.
Dos mais usáveis, gosto de muita coisa que vejo de Rohit Gandhi e Rahul Khanna e das irmãs Gauri and Nainika. Dentre os indianos mais tradicionais e ao mesmo tempo moderninhos, vale lembrar o Sabyasachi e a Ritu Kumar, que tem linhas bem usáveis , além das coloridas roupas de noivas. Quase me esqueci do estilista mais famoso de Goa, que procura dar um quê de Rio de Janeiro às suas coleções praianas, o Wendell Rodricks. Rodricks de "Rodrigues". Os portugueses deixaram suas marcas por lá.
Mas tem muita cafonice entre os estilistas indianos também, como o celebrado e, na minha opinião, breguérrimo, Satya Paul
Bebês (pois, afinal, a dona do blog é uma linda mamãe)
É uma marca francesa muito bonitinha daquelas de roupa de adultos para bebês. Mas fica na cidade-satélite de Gurgaon, no Shopping Ambience Mall, ou seja, a uma hora de carro do centro. Tem muita roupa para menino. É que aqui menina é mesmo um fardo. Sai caro ter filhas. O resultado é que o feticídio feminino é tão comum, que é proibido ao médico revelar o sexo do bebê. Mas eles dão sempre um jeito de dizer sem falar. Nada que o $ não resolva. Pelos dados oficiais, são cerca de 108 homens para 100 mulheres na Índia. Pior fica a taxa no retrógrado estado do Punjab, com 126 (!) homens para cada 100 mulheres.
Sabe quando você procura loja de bebê pra comprar de presente para amigas, só acha a Obäibi e desiste porque é francesa, não tem nada de típico? Seus problemas acabaram! Abriram a Kidology, no DLF Promenade (coladinho ao Emporio), onde os designers queridinhos de gente-grande fazem roupas fofíssimas para gente-pequena. Lindo de morrer.
Forest Essentials
A loja mais cheirosa da Índia acabou de lançar uma marca "mamãe e bebê", com óleos, sabonetes, esfoliantes e cremes. Luxo puro!
E não é só isso...
Não deixe de comprar maquiagem M.A.C., camisas Lacoste, tênis Puma e Adidas e enfeitezinhos na Accessorize. Tudo pela metade do preço.
Para peças de decoração, não perca tempo e vá para La Boutique, em Sunder Nagar. Aproveite e pare na deliciosa loja de chás Regalia. No fim da tarde, coma um docinho na loja da esquina. O Kaju Barfi, um marzipã de castanha de caju, é uma delícia.
O Tibetan Market é um lugar meio pega-turista, mas, sabendo negociar, os preços são bons, e é bem localizado, perto do Connaught Place, onde também há boas lojas. Os estados indianos têm lojas com artesanato local na Baba Karag Marg (que nome é esse!?!). Costuma ser bonito. Recomendo vivamente a loja Kamala nessa rua, com uma seleção da melhor qualidade.
Se tiver espírito aventureiro e quiser descontos bárbaros, dê um pulo no Sarojini Nagar, em Pahar Ganj e nas ruelinhas que saem de Chandni Chowk. Mas vá com coragem, com disposição para negociar e sem nada de salto. Não se esqueça de proteger o traseiro, que há tarados à solta.
Gran Finale
Depois de tudo isso, respire fundo, faça 20 pranayamas, cante "Ommmmm Shanti, Shanti, Shanti" e vamos combinar que você merece uma massagem no Amatrra ou no Asian Roots. Ayurveda, Thai, ou minha preferida, a Globetrotter. É bem mais caro que no Brasil, mas vai compensar cada paisa.
Namastê!
Eu não sei quanto a vocês mas eu fiquei boba com o bairrismo, agora visto sob a ótica da moda. Claro que a gente sabe que o mercado - de quase tudo - é majoritariamente dominado pelo circuito NY- Paris-Milão. Mas como somos egocêntricas gotas d'água no oceano, não? E pensar que existe tanta coisa linda neste mundo que a gente ainda não viu...
E querida amiga Meena, só a futilidade salva ( isso- ou alguma coisa apenas ligeiramente semelhante- quem disse foi Caio de Abreu).



Ainnn
ResponderExcluirQue relato, hein?!
Apesar de acharmt improvável q eu faça essa viagem um dia na minha vida, adorei saber um pouco mais que há vida por aí. rsrsrsrs
Aproveita tudo!!!
Bjinhos
Oi Nel.
ResponderExcluirNão está nos meus planos visitar a India tão cedo, infelizmente.
Mas não é bom a gente sair deste circuito mesmice ( um pouquinho cafona, vai?) e abrir a amplitude do olhar?
Eu gosto!
Beijos, obrigada pela visita.
Adoro futilidades! E ainda não mencionei as revistas: edições indianas de Vogue, Elle e Bazaar. Assino todas :) Levo pra você quando for ao Brasil de novo. Beijão.
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