quinta-feira, 22 de abril de 2010

A maior cilada da vida

Uma amiga muito querida acabou de engravidar, depois de vários anos de dilemas de fertilidade.

E eu fiquei pensando no que dizer a ela na condição de " a amiga experiente".

E só pude terminar a tentativa de ter algo decente a dizer rindo, rindo muito e sozinha.

A única coisa que me vem a cabeça é: pense numa fria. Na maior fria que vc já entrou na vida tipo pagar uma viagem para um lugar exótico a prestação em parcelas a perder de vista e, ao chegar na Polinésia, ser abandonada pelo seu guia que era o único ser vivo, além de vc, que arranhava um inglês num raio quilométrico.

Multiplique por um número na casa dos milhões e voilà : você é mãe!

Nunca antes na história da sua vida você passou por algo tão desconcertante, insondável, inimaginável, fora do programa, surpreendente e arrasador com qualquer tipo de idealização prévia.  Você nunca terá se sentido tão pequena, inábil, desengonçada, despreparada. Você nunca terá sentido tanto medo e nunca terá que mudar de opinião tantas vezes sem o mínimo pudor. Não quero nem saber quantos livros sobre puericultura você leu ( e devia ter lido mesmo, ler é sempre melhor que não ler) e nem que você parou de tomar anticoncepcional 9 meses antes do signo que você preferia em que seu filho nascesse. Também não quero saber quantas amigas você tem que são mães e nem quantas vezes você foi babá. Não preciso saber de nada disso pra te dizer: minha amiga, você está no sal!

Não que isso seja algo necessariamente ruim, não mesmo, e até porque não poderia deixar de ser quando o assunto é maternidade, vou terminar com a pieguice que sempre ronda o tema ( e é uma coisa inevitável, gente, virou  mãe, baixou a pieguice e a gente chora com a propaganda de margarina. Ou, como diria Cazuza, " Só as mães são felizes"):

Ser mãe foi de longe a melhor coisa, a mais fantástica, a mais revolucionária, a mais desafiadora, a mais bonita, a mais gostosa, a mais grata coisa que já me aconteceu. Benvinda ao time!!

4 comentários:

  1. hahaha...
    disse tudo amiga. E só passando por isso pra entender de verdade.
    Logo nos primeiros dias de vida da Luiza quando eu estava me descabelando, a Dri me mandou este texto (Desculpe mas não sei o autor) que achei o máximo:

    "Estar grávida é uma delícia. Você se sente o centro do universo. Todos que te conhecem ficam super felizes com sua barriga. Os mais chegados fazem tudo para te agradar, até descobrem coisas que você gosta de comer para te oferecer. O marido não sabe o que faz para te deixar confortável. Amigas que você não via há anos telefonam para dar os parabéns e dividir histórias e conselhos.

    Mas o mais espantoso é a reação dos que não te conhecem. As pessoas sorriem mais para você. As pessoas puxam mais conversa com você. Muitas não resistem e, achando que a sua barriga é pública, vêm logo passando a mão. Isso quando não aparecem uns adoráveis doidos que querem conversar com o bebê que ainda não nasceu. Fora a maravilha que é você furar fila de banco, de repartição pública, até aquela fila monstruosa para assistir ao lançamento do filme mais esperado do ano. Tudo é para você. O melhor lugar, o primeiro pedaço (e o último, o mais gostoso…), o sorriso mais aberto, mais carinhoso, os votos mais sinceros de felicidade… Mas aí…

    Aí chega o grande dia. Você ainda é o centro das atenções, claro (Aproveite, que está acabando…). E, finalmente, nasce o herdeiro! Que maravilha! E enquanto você está lá, dolorida, perdida, sem saber o que fazer direito com aquela coisinha amarrotada que só chora, todos agora só têm olhos para ele. O Bebê. Que lindo, que fofo, parece com fulano, é a cara de sicrano, mas é a coisinha mais linda, e tudo bem, é mesmo. Mas e eu?? E eu, com que todos se preocupavam até duas horas atrás, que fim eu levei? Cadê eu? EU não era o centro do universo? Como é que agora, de uma hora (ou dez, ou doze) para outra, virei um par de peitos? E ainda por cima rachados? Todos os olhares são para ele. Todos os presentes são para ele. Todas as atenções, todo o carinho, todas as bênçãos. Se ele já pudesse comer, ganharia o bolo inteiro. Você lamberia as migalhinhas do prato.

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  2. Amiga Flávia
    que texto lindo!
    Amiga Dri,
    Vc é uma amiga e tanto!

    O que a gente mais lê por aí são estes textos dizendo que a maternidade é linda, fofa, cuti-cuti, e que todas nós nascemos para ser mãe.
    Não é bem assim ( mas não que não seja verdade!), e a gente se sente ainda pior por não se sentir exatamente como manda o figurino.

    Dáfni,

    Você nunca se arrependerá, nunca, nunca!
    E você vai pensar: o que mesmo que eu fazia de tão importante antes de ser mãe?Ah! Já sei! Nada importante.

    Vc sabia que vc é uma "tentante"? Eu ocupei esse cargo durante algum tempo da minha vida( Flávia tb tem experiência) e quero seu endereço já pra te enviar um sapatinho da sorte ( foi o que funcionou pra mim hahaha)!
    ( manda por favor? Não precisa ter medo de mim,não hehehe mauracristinaestrela@gmail.com)

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  3. Maura,
    Adorei o texto..quando a gente acha que está saindo da cilada, acontece uma reviravolta.
    Como eu esperei o começo de abril - Janaína na creche e eu toda serelepe recomeçando meus pequenos projetos...Bomba! Uma virose dos infernos me fez ficar duas semanas intermináveis com ela (e praticamente sem dormir, lógico!).
    Amiga, tou sumida...mas você sempre está no meu pensamento.
    beijos,

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  4. Chorei...com o seu, e mais ainda com o da Flávia. Oh meu Deus..o que será que me espera?! Já pensei e repensei, estou há uma semana sem dormir. E não sei...não tenho idéia e acho que só terei daqui há uns anos, qd olhar prá trás e lembrar de tudo (pelo que ainda vou passar).

    Beijo

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